(4) Material Cirúrgico   Técnica Operatória
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(4) Material Cirúrgico Técnica Operatória


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EDUARDO ANTUNES MARTINS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL CIRÚRGICO 
 
 
Pontos Chave 
1. Definições de diérese, hemostasia e síntese; 
2. Objetivos principais de cada etapa; 
3. Apresentação de material cirúrgico geral; 
4. Subsidiar a utilização e manuseio de material cirúrgico; 
5. Exemplificação da dinâmica e estruturação em um centro cirúrgico (CC). 
 
 
 
 
 
 
 
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I Introdução e Conceitos Básicos - TO 
Neste capítulo discutiremos um pouco sobre os materiais cirúrgicos principais que são utilizados em 
operações gerais, com sua principal função e estrutura. Além disso, serão colocadas figuras ilustrativas dos sinais 
que podem ser utilizados no pedido de cada um deles para o instrumentador (esses gestos podem parecer confusos 
inicialmente, mas depois, com o tempo e experiência, tornam-se automáticos e agilizam a operação; a explicação de 
suas origens provavelmente se baseia no conceito de infecção de séculos passados, pensando no contágio pela fala 
do cirurgião). 
Existem três palavras que praticamente definem qualquer procedimento cirúrgico: diérese, hemostasia e 
síntese, nessa ordem na maior parte das vezes. Eles serão definidos a medida que forem expostos, mas são eles 
que definem a subdivisão dos equipamentos cirúrgicos e sua disposição na mesa específica do instrumentador (de 
Mayo, vista posteriormente). Também é importante definir que esses passos nem sempre ocorrem os três, como por 
exemplo em uma drenagem de abscesso em que ocorre apenas a diérese, enquanto outros apresentam novas 
etapas, comumente a exérese (retirada de algum material do paciente, como em uma gastrectomia subtotal). 
DIÉ RÉSÉ 
 Proveniente do latim diarese e do grgo diaíresis, significa incisão, divisão, secção e separação, punção e 
divulsão. Também pode ser definido como o ato operatório de criação de uma solução de continuidade entre os 
tecidos (ou uma via de acesso). Em geral é a primeira etapa da operação, sendo comumente representada pelo 
bisturi e pelo corte de estruturas. 
 O objetivo principal da diérese é proporcionar a abertura e exposição de determinada região que se deseja 
atingir, com preservação de planos anatômicos, da viabilidade tecidual e da homeostasia. Suas características 
básicas são: incisão proporcional ao procedimento; técnica adequada ao plano antômico; dissecção apropriada com 
hemostasia rigorosa; manipulação cuidadosa. Os equipamentos que são usados para isso são: busturis, tesouras, 
serras, ruginas e cisalhas. 
 O procedimento de diérese não é somente cortar a região específica no momento em que o cirurgião observa 
a região. Assim como todo ato cirúrgico, ela apresenta etapas e um planejamento rigoroso, demandando técnica, 
habilidade, conhecimento e material necessário. 
Estratégia Cirúrgica 
 Esse ponto ocorre antes do procedimento em si. Primeiramente deve haver a delimitação da diérese cutânea, 
que deve ser previamente traçada. Esse traço pode ser feito com: fios cirúrgicos, canetas apropriadas, escarificação 
da pele com a lâmina (desaconselhado, ou seja, não usar, pelo maior risco de contaminação) e no imaginário 
(também é desaconselhável). 
 
Figura 1 \u2013 Delimitação da diérese cutânea, por fio (A), caneta adequada (B), com azul de metileno (C) e escarificação (D). 
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 Material Cirúrgico 4 
 Antes de se iniciar a diérese, deve-se isolar o local desejado. 
Isso é feito com a colocação de compressas nas laterais, com o intuito 
de evitar o contato direto com a pele e da absorção de sangue que 
possa advir das bordas da ferida. 
 A pele deve estar seca e íntegra (ou o máximo possível, quando 
isso não for possível), sendo que necessita de uma boa fixação para um 
bom corte cirúrgico. Isso é obtido mediante uma lâmina correta e afiada 
(íntegra), uma fixação da pele com a outra mão (semelhante a uma 
garra) e o corte preciso e único da pele, descrito a seguir. 
 
Tática Cirúrgica 
 O cirurgião sempre deve estar a direita do paciente (como regra geral), com as incisões sendo feitas em um 
ou mais tempos. Elas são feitas da esquerda para direita, de distal para proximal e, quando o paciente está em 
declive, de baixo para cima (impedir que o sangue atrapalhe a visualização da incisão). 
 O bisturi deve ser colocado praticamente de modo perpendicular à pele do paciente, com uma leve inclinação 
após a entrada para que a superfície de corte fique com maior contato no local desejado para diérese. O corte deve 
ser limpo, preciso, fixo e em um único tempo, com retirada também ~ perpendicular. Isso cria uma abertura reta e 
lisa, facilitando a operação e, principalmente, o pós-operatório. 
 
 
Figura 3 \u2013 Técnica para diérese e cortes, em perfil, provocados pelo bisturi (apenas o A está correto). 
Materiais 
Bisturis 
 É o principal material dessa fase do ato operatório. Suas qualidades essenciais já forma descritas no texto. 
Existem três tipos de bisturis: bisturi de Chassaignac (com lâmina incorporada ao corpo), bisturi com ponta romba e 
bisturi atual (o único utilizado realmente nos dias atuais). Esse novo bisturi permite que as lâminas sejam renovadas 
quando estão danificadas, além de permitir maior maleabilidade durante o ato cirúrgico. 
Figura 2 \u2013 Isolamento da área desejada para exérese. 
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I Introdução e Conceitos Básicos - TO 
 Existem muitos modelos de bisturis, com diferenciação enorme em lâminas e cabos. Geralmente os cabos 
longos são utilizados em operações abdominais e torácicas, além daqueles com certa angulação são mais práticos 
ainda. 
 Os cabos mais utilizados são os de número 3, 4 e 7, podendo ser mais longos (3L e 4L) ou angulados (3LA). 
As lâminas compatíveis com os números 3 e 7 vão de 10 a 15, enquanto as compatíveis com o cabo 4 vão de 20 a 
25. 
 
Figura 4 \u2013 Principais cabos (3, 4 e 7) e lâminas (10 a 15 e 20 a 25). 
 
 A colocação da lâmina no bisturi deve ser feita com os maiores cuidados para prevenir um acidente pessoal 
ou mesmo com pessoas próximas. Por essa razão essa alocação NUNCA deve ser feita com as mãos, utilizando-se 
sempre uma pinça para apoio. A maneira de realizar isso é demonstrada na Figura 5. 
 
Figura 5 \u2013 Maneira de colocar e retirar a lâmina do bisturi. 
 A manipulação do bisturi é 
bastante diversificada, mas prima-se 
sua utilização como um lápis. Outra 
maneira que está correta é a forma de 
\u201cextrema precisão\u201d, em que o polegar e 
o indicador seguram a lâmina, 
semelhante ao jeito anterior. Maneiras 
desaconselhadas (alguns autores ainda 
dizem erradas) são: arco de violino, 
faca ou flutuante (pelo meio do cabo). 
 
 
Figura 6 \u2013 Maneiras de manipulação do bisturi. Como lápis (A), de extrema precisão (B), como arco 
de violino (C), faca (D) e flutuante (E), sendo apenas a A e B estritamente corretas. 
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 Material Cirúrgico 4 
 
Figura 7 \u2013 Sinal de indica bisturi (A), maneira de entrega-lo ao cirurgião (B) e maneira de segurá-lo após a entrega (C). 
Tesouras 
 Suas funções primárias são: cortar, dissecar, desbridar e divulsionar os tecidos orgânicos, com alguns tipos 
específicos desenhados para cortar fios cirúrgicos, gaze, borracha, plástico, etc.
Monique
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