Aula Nota 10 1
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Aula Nota 10 1


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história?
Aluno: O cenário da história é a cidade de Los Angeles no ano de 2013.
E um terceiro método é lembrar os alunos depois, com uma indicação simples e
sem perturbar o andamento da aula:
Professor: Em que ano nasceu Júlio César?
Aluno: lOOa.C.
Professor: Sentença completa.
Aluno: Júlio César nasceu no ano 100 antes de Cristo.
Alguns professores usam um código do tipo "como um professor" para lembrar
os alunos de usar sentenças completas. Por exemplo: "Quem pode responder como
um professor?".
EMAÇÃO
BOA EXPRESSÃO
Darryl Williams, da escola charter para meninos Brighter Choice, usa
Boa expressão ao reforçar ativamente a "linguagem da oportunidade",
corrigindo sentenças como "a gente estamos indo" ou "estaremos
mandando"12. Darryl usa duas estratégias para fazer isso. No primeiro caso,
ele "reforça" o erro, repetindo "a gente estamos indo?" como pergunta e
levando o aluno a se corrigir. No segundo caso, ele oferece o começo da
sentença -"a gente..."- e o aluno completa:"vai". Nos dois casos, Darryl é
eficiente, não perde tempo e mantém um tom neutro, sem julgar o aluno.
12 O exemplo foi adaptado para um erro frequente nas salas de aula brasileiras: o gerundismo. Na
edição original deste livro, Darryl usa, naturalmente, exemplos em inglês: "it gots to be" e "it got a -ed".
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l Linguagem audível. Não faz sentido discutir as respostas de 30 pessoas se
apenas um punhado delas pode ouvir você. Se algo é tão importante que preci-
sa ser dito em voz alta na aula, então é importante que todo mundo ouça. Se-
não a discussão em classe e a participação dos estudantes parecem irrelevantes,
uma conversa acidental. Deixe claro que os alunos devem ouvir seus colegas,
fazendo com que os colegas falem alto. Aceitar uma resposta inaudível sugere
queoc[ue_o colega falou não tem muita importância.
Talvez o jeito mais eficiente de reforçar essa expectativa seja com um toque
rápido e firme, que crie o mínimo possível de distração daquilo que está sen-
do discutido em classe. Dizer "voz" a alunos cuja voz é inaudível é três vezes
preferível a uma interrupção de cinco segundos para dizer: "MariaT_nã£L,dá
pra ouvir você no fundo da classe. Você pode falar mais alto, por favor?". Pri-
meiro, é mais eficiente. Na linguagem empresarial, dizemos que tem um baixo
custo de transação. Custa quase nada em termos da commodity mais preciosa
da aula: tempo. Na verdade, um professor exemplar chega a lembrar três ou
quatro alunos de falar mais alto com o seu "voz" utilizando o mesmo tempo
que outro professor usaria para lembrar um único aluno, como no exemplo
acima com Maria.
O custo da transação refere-se à quantidade de recursos empregados
para realizar uma troca - seja económica, seja verbal ou de qualquer
outro tipo. O seu objetívo é fazer cada intervenção necessária com o
mínimo de distração da tarefa em andamento e o mínimo de tempo.
Em segundo lugar, ao dizer simplesmente "voz", em vez de fazer um longo
discurso sobre o que você espera do aluno, você sugere que não é preciso expli-
car por que o aluno deve falar alto em classe. A razão é evidente e o lembrete
deixa claro que falar alto é algo que se espera do aluno, não um favor. Em ter-
ceiro lugar, ao informar o aluno sobre o que ele deve fazer, em vez de censurá-
-lo por ter feito algo errado, o professor evita o desgaste em sua relação com a
classe e pode, se necessário, usar o lembrete "voz" tantas vezes quanto preciso
para tornar a expectativa previsível e mais efetiva para mudar o comportamen-
to. Esta última observação merece mais comentários. Uma vez, vários colegas
e eu assistimos à aula de um professor. Quatro ou cinco vezes durante a aula,
o professor teve de chamar a atenção dos alunos para falarem mais alto. Mas
usou o termo "mais alto" em vez de "voz". O uso de "mais alto" parecia enfati-
zar a falta de alguma coisa; enfatizava constantemente que a classe não estava
Criar altas expectativas académicas 09
atendendo às expectativas e, portanto, o professor estava "narrando o negati-
vo", uma ideia sobre a qual você lerá em Enquadramento positivo (Técnica 43).
"Voz", em contraste, reforça a expectativa de uma maneira rápida, que diz aos
alunos o que eles devem fazer. Meus colegas também notaram que alguns pro-
fessores usam o termo "voz" com uma elegância que não pode ser alcançada
com a expressão "mais alto", por exemplo. "Jaílson, você pode usar sua voz
para me dizer como encontrar o mínimo múltiplo comum?" ou "Preciso de
alguém com voz que me diga o que devo fazer em seguida!".
> Complete a unidade. Nas aulas de matemática e ciências, substitua "números
nus" (sem unidades) por números "vestidos". Se você pergunta qual é a área de um re-
tângulo e o aluno responde "12", peça as unidades - 12 o quê? Centímetros? Metros?
Ou simplesmente note que o número precisa "ser vestido" ou "parece meio pelado".
IDEIA-CHAVE
BOA EXPRESSÃO
Não é só o que os alunos dizem que conta, mas como eles comunicam o que
sabem. Para ter sucesso, os alunos devem expressar seu conhecimento na
'linguagem da oportunidade."
SEM DESCULPAS
Às vezes, ainda que inadvertidamente, baixamos as expectativas de aprendizagem dos
alunos pela forma como nos referimos a essas expectativas. Se não prestamos atenção,
podemos pedir desculpas por ensinar alguns conteúdos que são importantes e ate pedir
desculpas diretamente aos alunos por isso. Você não fará isso se usar Sem desculpas.
DESCULPAS PELO CONTEÚDO
Quando eu voltei à faculdade no meu 3° ano, depois de ter passado um semestre es-
tudando fora, não sobravam muitas matérias opcionais para escolher e eu acabei no
curso de poetas românticos britânicos, da professora Patrícia O'Neill. Eu não con-
seguia imaginar nada menos interessante e considerei várias ações drásticas. Trocar
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de faculdade? Procurar um dos diretores do programa e pedir ajuda de joelhos? Ah,
mas eu estava muito ocupado com outros interesses para ir atrás disso e acabei na
classe mais interessante e envolvente dos meus quatro anos de faculdade. A profes-
sora Patrícia conseguiu me convencer de que o futuro da humanidade dependia de
que eu ficasse acordado à noite para ler William Wordsworth13. Ela mudou definiti-
vamente meu modo de pensar e de ler. Imagine: se eu fosse minimamente organiza-
do, eu nunca escolheria o curso dela. Suspeito que a maioria dos leitores teve uma
experiência similar e descobriu que a coisa supostamente menos interessante pode
mudar sua vida nas mãos de um professor talentoso.
A lição? Não existe conteúdo chato. Nas mãos de um professor talentoso, que
acha um jeito de chegar até você, qualquer conteúdo se torna estimulante, interes-
sante e inspirador, mesmo quando nós, como professores, duvidamos que sejamos
capazes de fazer isso acontecer. Às vezes, essa dúvida nos põe em risco de minar a
aula quando a gente dilui o conteúdo ou se desculpa por ensinar esse tópico. Há
quatro situações em que nos arriscamos a pedir desculpas por ensinar:
l Acreditar que vai ser chato. Pe-
Acredltar que UI71 Conteúdo dir desculpas é dizer "gente, eu sei
é Chato acaba por tornar O que isso é chato, mas vamos tentar"
conteúdo Chato mesmo. ou mesmo "pode ser que vocês não
achem isto nada interessante". Pense
um pouco sobre essa presunção de
que seus alunos vão achar alguma coisa chata, só porque ela é genuinamente
desinteressante para você. Milhares de contadores adoram seu trabalho e acham
que é fascinante, independentemente de alguém achar de antemão que eles iam
gostar ou não. Alguém soube acordá-los para as poucas alegrias da contabilida-
de. Todo ano, milhares de alunos orgulham-se e alegram-se ao estudar gramática.
Acreditar que um conteúdo é chato acaba por tornar o assunto chato mesmo. Há
professores que constróem aulas excelentes, estimulantes e animadas com algum
assunto que outro professor considera chatíssimo. Nossa obrigação é achar um
jeito de tornar_en_volvente