Aula Nota 10 1
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tudn qne ensinamos e nunca pressupor quejps alunos
são incapazes de apreciar o que não seja instantaneamente cativante. Fazer isso
só mostra a falta de fé no poder da educação.
> Lavar as mãos. Um professor que atribui o aparecimento de certos conteúdos
em sua classe a alguma entidade externa - à diretoria da escola, à Secretaria de
n William Wordsworth foi um poeta romântico inglês do século 19.
Criar altas expectativas académicas 71
Educação ou a algum "eles" abstrato - está lavando as mãos. E diz o seguinte: "Este
material cai na prova, então temos de aprender"; ou "eles dizem que temos de ler
isto, então...". Se está "na prova", então é provavelmente "parte do currículo" (essa
é uma descrição simplista de currículo). Um jeito melhor de lidar com o assunto é
reconhecer que deve haver alguma razão para o conteúdo "chato" ser parte do cur-
rículo - e começar por uma reflexão sobre a lógica por trás dessa inclusão.
l Tornar "acessível". Tornar o material acessível é aceitável - até preferível -
quando ajuda a conectar os alunos a um rigoroso conteúdo académico; não é tão
bom quando dilui o conteúdo ou afrouxa os padrões de qualidade. É bom usar mú-
sica contemporânea para introduzir a ideia do soneto. Não é bom substituir sonetos
por música contemporânea nas aulas de poesia.
Em vez de desculpar-se pelo conteúdo, tente as seguintes alternativas:
> "Este material é legal porque é um desafio!"
l "Muita gente só consegue entender isto na faculdade. Mas vocês vão entender
agora. Legal!"
> "Isto vai ajudar muito vocês a dar certo na vida" (por exemplo: "entender gramática").
> "Isto fica cada vez mais interessante à medida que vocês vão entendendo
melhor."
> "Nós vamos nos divertir fazendo isto."
l "Muita gente tem medo disto. Quando vocês entenderem, saberão mais do que a
maioria dos adultos."
l "Tem uma grande história por trás disto!"
<Dconteúdo)é uma das coisas mais vulneráveis a presunções e estereótipos. O
que acontece, por exemplo, se a gente presume que os alunos não vão apreciar
livros escritos por autores de outras etnias? Mais especificamente, o que significa
se a gente presume esse tipo de coisa sobre alunos que pertencem a minorias?
Será que achamos que grandes romances atravessam fronteiras só para algu-
mas crianças? Pense na descrição do escritor Ernest Gaines sobre os autores que
o inspiraram a escrever. Ernest escreveu alguns dos romances mais elogiados
do século 20, entre eles Autobiography of Miss Jane Pittman, A Lesson Before
Dying e A Gathering of Old Men]4. Ele cresceu pobre na área rural do estado de
Louisiana, no sul dos Estados Unidos, na mesma terra que sua família vinha
cultivando há gerações. Era o mais velho de doze irmãos e foi criado pela tia - o
14 As obras de Ernest Gaines, reputado autor negro estadunidense nascido em 1933, não foram
traduzidas para o português.
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tipo de criança a quem alguém poderia atribuir uma visão limitada do mundo,
provavelmente sem perguntar, e a quem raros professores prescreveriam uma
dieta de romances russos do século 19. Mas Ernest recorda: &quot;Minhas primei-
ras influências foram (...) escritores russos como Tolstói, Turgenev e Chechov.
Acho que também fui influenciado pela tragédia grega, mas não por Ellison ou
qualquer outro autor negro. Muito cedo eu soube o que queria escrever. Eu só
precisava encontrar um jeito de fazer o que eu queria (...) e os escritores que citei
me mostraram o caminho&quot;.
Preciso dizer que adoro Ralph Ellison15, tanto quanto Ernest Games, e que
não estou sugerindo que não ensinemos o trabalho dele (a todos os alunos, por
sinal). Mas imagine a perda para Ernest - e para todos nós - se o professor que
colocou Tolstói nas mãos dele peia primeira vez, transformando em labareda a
faísca do génio, tivesse olhado para a cor da pele dele e presumido que ele não
se interessaria por nada tão alheio à sua condição.
USAR OS ALUNOS COMO DESCULPA
algum conteúdo é muito difícil ou técnico
uma armadilha perigosa. Na primeira escola que fundei, os alunos carentes
que matriculamos aprendiam chinês como segunda língua. Não só os visi-
tantes ficavam chocados (&quot;Você vai ensinar chinês para estas crianças???&quot;),
mas até os pais das crianças duvidavam (&quot;Ela não vai prestar a menor aten-
ção...&quot;). Mas milhões de pessoas, algumas delas muito mais pobres do que
nosso aluno mais pobre, aprendem chinês todo ano. E, no fim, todo aluno da
minha escola aprendeu chinês, para alegria de seus pais e deles mesmos. Há
um prazer especial em destruir falsas expectativas e muitos dos nossos alunos
negros e hispânicos tinham um prazer especial em falar chinês quando acha-
vam que as pessoas ao redor deles não esperavam que eles fossem capazes
disso. Este é um bom lembrete de que não é verdade que &quot;eles&quot; não vão real-
mente aprender um certo conteúdo - por exemplo, sonetos ou outras formas
de poesia tradicional - e que, portanto, é melhor ensinar poesia com letra de
funk. O que vai acontecer quando eles cursarem Introdução à Literatura na
faculdade, sem nunca terem lido um poema escrito antes de 1900? As crianças
responderruaos. desafios: pedem condescendência só quando as pessoas são..
condescendentes com elas.
Não usar a condição socioeconômica dos alunos como desculpa é funda-
mental, não apenas na introdução e no desenvolvimento de novos conceitos,
: Ralph Ellison (1914-1994) foi novelista, critico literário, pesquisador e escritor nos Estados Unidos.
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mas também na forma de reagir à resposta deles a esses conceitos. Fique ao lado
deles, diga-lhes que você está com eles e passe constantemente a mensagem &quot;eu
sei que você pode&quot; - isso melhora a percepção que os alunos têm de si mesmos.
Em vez de usar seus alunos como desculpa para evitar ensinar algo novo,
tente as seguintes alternativas:
) &quot;Esta é uma daquelas coisas que vocês vão ficar muito orgulhosos de saber.&quot;
l &quot;Quando você entrar na faculdade, estará sabendo muito mais que seus colegas...&quot;
l &quot;Não se assuste com isto. Há umas palavras esquisitas, mas, quando você
souber o que elas significam, você vai tirar de letra.&quot;
l &quot;Isto aqui é difícil mesmo. Mas ainda não vi nada que vocês não pudessem
fazer quando decidem fazer.&quot;
l &quot;Eu sei que vocês podem fazer isto. Vou ajudá-los a interpretar esta questão.&quot;
l &quot;Tudo bem ficar confuso na primeira vez que estudamos isto. Vamos tentar de novo.&quot;
1.O capítulo apresentou cinco técnicas para elevar as expectativas
académicas na sua classe: Sem escapatória, Certo é certo, Puxe móis, Boa
expressão e Sem desculpas. Qual delas será a mais intuitiva para você
implementar na sua classe? Qual será a mais difícil e o que a torna difícii?
2. Sem escapatória. Há muitas razões pelas quais um aluno pode tentar
escapar de uma pergunta sua. Por exemplo:
) O aluno está testando ou desafiando você.
) O aluno prefere não ser notado na classe.
> O aluno não sabe mesmo a resposta.
l O aluno está envergonhado porque não sabe a resposta.
> O aluno não ouviu quando você perguntou.
l O aluno não entende'u o que você perguntou.
Quantas outras possíveis razões você pode acrescentar a esta lista? Como
a lista poderia levar você a possivelmente alterar a sua abordagem ao usar
o Sem escapatória?
3. Puxe mais. Ter uma lista de frases pensadas com antecedência é uma
das chaves para responder eficientemente a respostas &quot;quase certas&quot; -
elogiando o esforço mas exigindo respostas de alta qualidade. Depois
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de pensar em qual das frases seguintes mais combina com seu estilo
de lecionar, tente escrever quatro ou cinco frases suas.
^&quot;Gostei do que você fez até aqui. Você consegue ir até ofim?&quot;
l &quot;Estamos quase lá. Você consegue achara última peça?&quot;
l &quot;Eu gosto de quase tudo que você disse.&quot;
>&quot;Dá para continuar explorando esse assunto?&quot;
>&quot;Muito bem, mas tem algo além disso...&quot;
l &quot;O Joel bateu o escanteio. Quem pode fazer o gol?&quot;
4. Eis uma lista