Aula Nota 10 1
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de levantar as mãos. Neste caso, é bom que ela goste mesmo de usar
De surpresa, porque terá poucas mãos levantadas para escolher.
> Nome na hora certa. De surpresa
pode variar em termos de quando você
diz o nome do estudante chamado a rés- Usar esta sequência -
ponder. A abordagem mais comum e, "Pergunto. Pauso. Nome"-
com frequência, mais eficiente é fazer a garante que todo aluno OUÇO
pergunta, pausar e então dizer o nome do Q pergunta e CQmece Q
estudante: "Quanto é 3 vezes 9? [pausai preparar uma respostaJairo? . Usar esta sequência- Pergunta.
n XT , , durante a pausa oferecida.Pausa. Nome. - garante que todo alu-
no ouça a pergunta e comece a preparar
uma resposta durante a pausa oferecida. Como os alunos sabem da probabilidade
de serem chamados de surpresa, mas não sabem qual deles será chamado, todos têm
de responder a pergunta em sua cabeça e um deles é chamado para dizer a resposta
em voz alta. No exemplo, todos os alunos da sala fizeram a multiplicação durante
a pausa entre pergunta e nome. Se você diz o nome primeiro, todos os demais per-
derão a oportunidade de praticar a tabuada. A diferença entre este cenário (todos
os alunos respondem mentalmente à pergunta e um deles dá a resposta cm voz alta)
e sua alternativa (um aluno responde à pergunta e os outros ficam olhando) é tão
dramática que o primeiro deveria ser a abordagem-padrão para a maioria das vezes
em que você usa De surpresa.
Mas, em alguns casos, pode ser uma boa ideia dizer o nome do aluno primeiro.
Muitas vezes, isso pode preparar o aluno e aumentar as possibilidades de sucesso.
Funciona particularmente bem com alunos que ainda não foram chamados de sur-
presa, aqueles que têm dificuldade para processar linguagem ou alunos cujo conhe-
cimento da língua18 ainda está em desenvolvimento. Na sua forma mais exagerada,
isso é conhecido como pré-chamada. Em uma pré-chamada, você diz ao aluno que
ele será chamado mais tarde durante a aula. Isso pode ocorrer privadamente (antes
da aula, o professor pode dizer: "Paulo, hoje eu vou pedir que você explique o últi-
mo problema da lição de casa. Prepare-se!") ou em público ("O Paulo vai nos dar a
resposta, Karen, mas depois você vai ter de explicar o porquê!).
Também é produtivo dizer o nome primeiro para. ter mais clareza. Por exem-
plo: se você acabou de fazer uma sequência de perguntas com a Técnica Todos
1B Douglas Lemov refere-se aqui ao grande contingente de alunos de escolas públicas estaduniden-
ses cujo língua materna não é o Inglês (por serem filhos de imigrantes). É possível adaptar este exemplo
ao caso brasileiro, considerando os alunos que têm dificuldade para entender a norma culta.
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juntos (a próxima, neste capítulo), em que toda a classe responde em coro às suas
perguntas, dizer o nome de um aluno primeiro e, depois, fazer uma pergunta adi-
cional deixa claro para todos que você já não está usando Todos juntos. Assim, evi-
ta aquele momento atrapalhado e contraproducente, em que alguns alunos tentam
responder em coro a uma pergunta dirigida a um deles.
l Misture com outras técnicas de engajamento. De surpresa funciona especial-
mente bem quando misturada a outras técnicas de engajamento. Todos juntos é
um exemplo perfeito: alternar respostas em coro da classe inteira e respostas in-
dividuais a um ritmo rápido e dinâmico pode elevar dramaticamente o nível de
energia positiva em sala de aula. Também lhe assegura que os alunos não estão
simplesmente fingindo responder durante a aplicação de Todos juntos. Para tomar
um exemplo simples, você pode rever a tabuada com seus alunos, pedindo respos-
tas em coro a alguns problemas:
Professor: Classe, quanto é 9 vezes 7?
Classe: 63!
Professor: Boa. Quanto é 9 vezes 8?
Classe: 72!
Professor: Muito bem. Agora, Carlinhos, quanto é 9 vezes 9?
Cadinhos: 81!
Professor Bom. Classe, quanto é 9 vezes 9?
Classe: 81!
Professor: Bom. E, Matilde, quanto é mesmo 9 vezes 7?
Matilde: 63!
Alternando o tempo todo, você força alguns alunos a reverem a matéria ou re-
força uma resposta correta, fazendo a classe toda repeti-la.
Bate-rebate (Técnica 24, mais adiante neste capítulo) é outra técnica de enga-
jamento que funciona bem com De surpresa. Na verdade, é muito parecida com a
Técnica De surpresa, já que consiste em uma série de perguntas rápidas, muitas ve-
zes feitas sem prévio aviso. Enfim, Todo mundo escreve (Técnica 26, também neste
capítulo) é uma preparação para De surpresa, já que permite a todo mundo pensar
previamente no tópico ou nas perguntas que você fará. A Técnica 26 aumenta a
qualidade provável das respostas.
Motivar os alunos nas suas aulas l *r l
Geralmente, os professores acham que as perguntas feitas utilizando a técni-
ca De surpresa devam ser simples. Na verdade, as perguntas podem e devem ser
rigorosas e exigentes. Parte de seu poder reside em que os alunos se orgulhem de
responder de improviso a perguntas difíceis. Veja, em seguida, uma transcrição
de uma seção de De surpresa executada por Jesse Rector, na escola de Clinton
Hill da Academia North Star. Jesse é um professor de matemática com resultados
excepcionais e com muitos admiradores dentro de nossa organização. O rigor de
suas perguntas mostra o por quê. Confira quantas destas perguntas, feitas em
rápida sequência a um grupo de alunos de 7° ano, você acertaria:
Jesse: Eu sou um terreno quadrado, com uma área de 169 metros quadra-
dos, Qual é o comprimento de um dos meus lados, Janice?
Janice: 13.
Jesse: 13 o quê? [Pedir as unidades a Janice é um exemplo da Técnica 4, Boa
expressão.}
Janice: 13 metros.
Jesse: . Eu sou um terreno quadrado com um perímetro de 48 metros qua-
drados. Qual é a minha área, Catarina?
Catarina: 144 metros quadrados.
Jesse: Excelente. Eu sou um hexágono regular com um lado que mede 8x
mais 2. Qual é o meu perímetro, Pamela?
Pamela: 64x mais 16.
Jesse: Excelente. Sou um triângulo isósceles com dois ângulos que medem
3x cada um. Qual é a medida do meu terceiro ângulo, Ana?
Ana: 180 graus menos 6x.
Jesse: Excelente, 180 graus menos 6x. E quanto é a raiz quadrada de 400, Chico?
Chico: 100.
Jesse: Não, a raiz quadrada de 400 não é 100. Vamos ajudá-lo.
David: 20.
Jesse: Certo: é 20. Diga a ele porquê.
David: Porque, se você multiplicar 20 vezes 20, o resultado é 400.
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EM AÇÃO
DE SURPRESA l BATE-REBATE
Quando Jesse Rector utiliza a técnica De surpresa, os alunos estão de pé, o
que torna óbvio que ele vai usar De surpresa ou, na linguagem da técnica, a
torna "previsível". Jesse desmente essa ideia. Para provar, basta acompanhar
os alunos de 7° ano quando respondem às questões feitas. Este também é
um bom exemplo da técnica Bate-rebate: uma quantidade expressiva de
perguntas (não necessariamente de surpresa, embora neste caso elas sejam)
feitas rapidamente sobre um certo número de temas (geometria e raiz
quadrada, neste caso), com pouca conversa entre elas. Você pode ler mais
sobre a técnica Bate-rebate mais adiante, neste mesmo capítulo, e então reler
esta intervenção para ver como Jesse coloca as duas técnicas juntas.
Na primeira vez em que usar De surpresa, seus alunos vão- se perguntar
o que está acontecendo - e com razão. Pode ser que eles nunca tenham sido
chamados de surpresa antes e que nunca tenham estado em uma sala de aula
onde esse tipo de coisa acontecia. Pode ser que não vejam a conexão entre De
surpresa e, digamos, ter uma aprendizagem efetiva, e até achem a técnica mais
negativa do que positiva. Portanto, é uma boa ideia fazer algumas observações
antes de usar De surpresa pela primeira vez. Em poucas palavras, você pode ex-
plicar o quê e por quê. Isso tornará o exercício racional, sistemático, previsível
e até mesmo motivador.
EM AÇÃO
DE SURPRESA
Em uma de suas aulas, Colleen Driggs, da escola Rochester Prep, dá uma
breve explicação da técnica De surpresa a seus alunos. O trecho está transcrito