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possuem maiores velocidades de infiltração do que os solos com estrutura estável, que dispersam 
quando são umedecidos ou submetidos a algum agente compactador. O fluxo de água no solo é 
influenciado, também pela quantidade de matéria orgânica existente nesse solo e pela natureza dos 
colóides, que influenciam diretamente a própria estrutura do solo. 
A presença de camadas que diferem a textura ou estrutura, no perfil do solo, pode retardar o 
movimento da água durante a infiltração. Surpreendentemente, camadas de argilas e camadas de 
areia podem Ter comportamentos similares, embora por razões opostas, que são: a presença de 
camada de argila dificulta o movimento da água no perfil do solo devido à sua baixa condutividade 
hidráulica saturada, enquanto a presença de camada de areia pode retardar o deslocamento da frente 
de umedecimento, devido à sua baixa condutividade hidráulica sob condições não saturadas. 
 Diversos trabalhos realizados em solos formados sob condições de clima tropical, como é 
caso de estudos realizados no cerrado brasileiro, demostram que mesmo solos com altos conteúdos 
de argila têm apresentados elevadas velocidades de infiltração, o que é justificado pelo alto grau de 
desenvolvimento da estrutura evidenciada nestes solos, acarretando, inclusive maior 
macroporosidade do que a observada em solos de textura média. 
- condições do solo – refere-se ao solo estar ou não preparado. Em geral, o preparo do solo tende a 
aumentar a capacidade de infiltração. No entanto, se as condições de preparo e manejo do solo 
forem inadequadas, sua capacidade de infiltração poderá tornar-se inferior à de um solo sem 
preparo, principalmente se a cobertura vegetal presente sobre o solo for removida. A capacidade de 
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infiltração da água em um solo recém-preparado é alta, em razão da quebra da estrutura da camada 
superficial. Uma vez que o selamento superficial é formado e, em muitos casos este se estabelece 
muito rapidamente após as primeiras precipitações, ocorre grande redução na velocidade de 
infiltração da água no solo. Fendas, rachaduras e canais biológicos, originados por raízes 
decompostas ou pela fauna do solo, atuam como caminhos preferências por onde a água 
movimenta-se com pouca resistência e, portanto, aumentam a capacidade de infiltração. 
O tráfego intensivo de máquinas sobre a superfície do solo, principalmente quando se utiliza o 
sistema convencional de preparo, produz uma camada compactada que reduz a capacidade de 
infiltração da água no solo. Solos situados em áreas de pastoreio também sofrem intensa 
compactação pelos casos de animais. 
- umidade inicial do solo – para um mesmo solo, a capacidade de infiltração será tanto maior 
quanto mais seco estiver o solo, inicialmente. 
- carga hidráulica – quanto maior for a diferença de carga hidráulica entre os dois pontos 
considerados, maior deverá ser a velocidade de infiltração, pois, como mostra a equação Darcy, o 
movimento das águas no solo ocorre em função da diferença de potencial entre os dois pontos 
considerados. 
- condições da superfície - quando a estrutura do solo é muito poros, a velocidade de infiltração 
inicial á alta. Por outro lado, quando a superfície do solo é compactada e o perfil coberto por uma 
crosta superficial de baixa condutividade, a velocidade de infiltração passa a ser menor do que 
aquela de um solo uniforme. Ao se chocarem contra o solo, as gotas da precipitação promovem, a 
compactação da sua superfície, reduzindo a capacidade de infiltração. A intensidade desta ação 
varia com a quantidade e tipo de cobertura vegetal, com a energia cinética da precipitação e com a 
estabilidade dos agregados do solo. O selamento superficial, causado pelo impacto das gotas de 
água, é de ocorrência comum, particularmente em solos que tenham sido intensamente cultivados. 
A superfície do solo apresenta-se compactada e, embora possa ser de pequena espessura, seu efeito 
sobre as propriedades físicas do solo influência, acentuadamente, as características de infiltração. A 
crosta superficial apresenta alta resistência hidráulica, dificultando a infiltração. Este efeito torna-se 
mais pronunciado com o aumento da espessura e da densidade da crosta. Solos pouco estáveis têm 
maior propensão para formação da crosta superficial, especialmente como resultado da ação das 
gotas de chuva. Em tais solos, a cobertura vegetal pode atenuar o impacto das gotas d’ água e ajudar 
a prevenir o selamento superficial. 
- temperatura – a velocidade de infiltração aumenta com a temperatura, devido à diminuição da 
viscosidade da água. 
 
 
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5. Métodos para determinação da infiltração 
 A determinação da infiltração de água no solo deve ser feita por métodos simples e capazes 
de representar, adequadamente as condições em que se encontra o solo. Para tanto torna-se 
necessário adotar métodos, cuja determinação baseia-se em condições semelhantes àquelas 
observadas durante o processo ao qual o solo é submetido, sendo que, uma vez que a velocidade de 
infiltração é muito influenciada pelas condições de superfície e conteúdo de umidade do solo, o 
conhecimento dessas condições é fundamentalmente importante para a interpretação dos 
resultados. 
 Os infiltrômetros são equipamentos utilizados para a determinação da velocidade de 
infiltração da água no solo, sendo o infiltrômetro de anel e o simulador de chuvas os principais tipos 
utilizados em estudos hidrológicos. 
 
 
5.1 – Infiltrômetro de anel 
 O infiltrômetro de anel consiste de dois tubos cilíndricos curtos, os quais são posicionados 
de forma concêntrica no solo. O anel interno deve apresentar diâmetro interno da ordem de 250 a 
300 mm e o externo diâmetro da ordem de 500 a 600 mm. A altura destes anéis deve ser da ordem 
de 300 mm. Os anéis cujas bordas devem ser bizeladas, são cravados verticalmente no solo, 
deixando-se uma borda livre ligeiramente superior a 50 mm. O tubo externo tem como facilidade 
reduzir o efeito da dispersão lateral da água infiltrada do tubo interno. Assim, a água do cilindro 
interno infiltra no perfil do solo em uma direção predominantemente vertical , o que evita uma 
superestimativa da velocidade de infiltração 
 
 
 
 
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5.2 . Simuladores de chuva 
Os simuladores de chuva são equipamentos nos quais a água é aplicada por aspersão com 
intensidade conhecida e controlável. A área de aplicação de água é limitada por placas metálicas, e 
o escoamento superficial resultante é medido. A velocidade de infiltração é obtida pela diferença 
entre a intensidade de precipitação e a taxa de escoamento resultante. 
O infiltrômetro de anel superestima a velocidade de infiltração em relação ao simulador de 
chuvas, devido ao selamento da superfície do solo, que no infiltrômetro de anel não ocorre na 
mesma proporção, pela ausência do impacto das gotas de precipitação. Por outro lado no 
infiltrômetro de anel a lâmina de água sobre o solo proporciona maior potencial para promover a 
infiltração, apresentando, em geral, maiores valores de infiltração que os simuladores de chuva. 
 
 
 
 
 
6. Equações de infiltração 
 
 
6.1 Equação de Kostiakov (1932) 
 A equação de Kostiakov é muito utilizada no dimensionamento de sistemas de irrigação por 
superfície, embora empírica, apresenta bons resultados quando as condições do meio são bem 
controladas, sendo representadas pela equação: 
 L = a t
m
 
em que, a e m são parâmetros determinados a partir de valores de t e L. A velocidade de infiltração 
é obtida derivando-se a equação 1: 
 Vi = am t
m-1
 
fazendo am = K e m - 1 = n obtém-se 
 Vi = Kt
n
 
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 A equação de Kostiakov tem como principal limitação o fato de que a velocidade