Design   Uma Introdução. Beat Schneider
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Design Uma Introdução. Beat Schneider


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BEAT SCHNEIDER 
1'-111 
DESIGN - UMA INTRODUÇAO 
O DESIGN NO CONTEXTO SOCIAL, 
CULTURAL E ECONÔMICO 
Tradução 
George Bernard Sperber 
Sonali Bertuol 
7 
Conteúdo 
Prefácio 9 
Parte I História contextualizada do design 
1 ntrodução 11 
1. Industrialização e primórdios do design 15 
2. Crítica à indústria: do Arts & Crafts até o 
Art Nouveau /Jugendstil 27 
3. Pré-modernismo em Chicago, Glasgow e Viena 37 
4. A Werkbund alemã: entre a arte e a indústria 45 
5. Estilo internacional: construtivismo, De Stijl, Bauhaus 55 
6. Arte de vanguarda e design gráfico 75 
7. Design no fascismo 83 
8. Sty/ing: design nos EUA 93 
9. Os dourados anos 1950 na Europa 103 
10. A boa forma e a Escola Superior de Design de Ulm 111 
11. Swiss style: o estilo tipográfico internacional 125 
12. A crise do funcionalismo 137 
13. Design pós-moderno: Alchimia e Memphis 147 
14. Os loucos anos 1980 e o "Novo Design" 163 
15. A nova simplicidade 173 
16. Revolução digital e design 181 
Parte 11 O design no contexto: debate 
Introdução 193 
17. Design - Conceitos 195 
18. Design - Identidade corporativa 213 
19. Design - Arte 221 
20. Design - O gosto e o kitsch 229 
21. Design - Terceiro Mundo 237 
22. Design - Gênero 249 
23. Design - Teoria 257 
24. Design - Pesquisa e ciência 273 
Parte 111 Anexos 
A. Design - Bibliografia 290 
8. Design - Revistas 292 
C. Design - Museus 294 
D. Design - Organizações 296 
E. Design - Índice onomástico 298 
Prefácio 
A palavra design está na moda. Ela desperta associações 
com o que é chique, com belas formas, com ligar a vida à 
estética, com o conforto da civilização. O design fascina 
- sobretudo as pessoas que vivem no rico hemisfério 
norte do nosso planeta, mas também, e cada vez mais, 
os habitantes do hemisfério sul. Os objetos de design 
conquistam os corações: frequentemente são bonitos e 
práticos. Alguns deles atingem o status de objetos cult. 
Para muitos, o design é a arte mais vivaz e mais popular 
do presente. Ainda mais, é um fenômeno de cultura 
de massas, que marca as percepções e que, por isso, 
participa de modo decisivo na constituição de juízos de 
gosto generalizados. Bonés de beisebol, blue jeans, 
Coca-Cola, Disney, Hollywood, McDonald's e Nike têm no 
mundo todo efeitos duradouros sobre o gosto coletivo, e a 
Microsoft fornece o design digital à maioria dos usuários 
de computadores. O design, pode-se dizer, generalizando, 
tem a pretensão de conformar o mundo para o bem da 
humanidade. Mas atrás do conceito esconde-se muito 
mais do que um atraente mundo de objetos. O design 
configura a comunicação e cria identidades. É um agir 
consciente para produzir uma ordem sensata e, com isso, 
é parte da nossa cultura. 
Por outro lado, a bela conformação do cotidiano é, antes 
de tudo, um importante fator econômico, numa realidade 
em que o lucro empresarial se constitui na medida 
quase exclusiva para o sucesso do design. Mas será que 
a grande maioria dos objetos do design não entra na 
categoria do supérfluo? Será que a conformação ágil não 
se manifesta apenas como um truque de marketing, com 
cuja ajuda o mundo é inundado de ofertas tolas, pelas 
quais ninguém esperava? O design dá forma a brinquedos 
de luxo num mundo de consumo esvaziado de sentido. 
A loucura de uma sociedade adieta da beleza faz com 
que objetos de consumo se transformem em fetiches 
e produz uma couraça de beleza que se superpõe à 
fealdade da pobreza existente e da destruição do meio 
ambiente. Ao mesmo tempo, as normas culturais dos 
impérios industriais são exportadas com pretensa 
naturalidade para as sociedades subdesenvolvidas. O 
design é produzido predominantemente por homens 
(brancos}, que visam sobretudo às mulheres como 
consumidoras e propagandistas. 
O design tem, portanto, duas faces - uma negativa e 
9 
uma positiva. Motivo mais do que suficiente para nos 
ocuparmos intensamente com este tema. A face negativa 
impede que nos ocupemos apenas benevolamente com 
os clássicos do design, com a evolução do estilo do 
design bom e belo; porque isso conduziria a ingênuas 
transfigurações e desfigurações da realidade. O que se 
requer muito mais é que nos digladiemos criticamente 
com o objeto! E isso significa conhecer e apresentar o 
design no seu contexto e nas suas qualidades sociais, e 
aguçar o entendimento para os seus nexos mais elevados. 
Esta é a missão da parte histórica e da parte de debates 
do presente livro. Eu o escrevi nutrindo a esperança 
de dar uma pequena contribuição contra a constante 
comercialização do visual e contra a alienação dos 
consumidores - em última instância, contra a alienação 
dos designers. 
PARTE 1 
HISTÓRIA CONTEXTUALIZADA 
DO DESIGN 
Introdução 
Que disciplina é esta? 
A "história do design" é uma disciplina científica jovem. 
Ela está mais avançada na Grã-Bretanha, onde existe des-
de 1977 uma "Design History Society" e onde foi publica-
do um número considerável de obras de historiadores do 
design. Nas suas pesquisas e nas suas representações his-
tóricas, a história do design aplica métodos semelhantes 
aos da história da arte. Nas últimas décadas, aplicou-se, 
em medida crescente, um método originalmente desen-
volvido por teóricos da literatura, a semiótica, a ciência 
dos signos. Ao mesmo tempo, a história do design se serve 
constantemente de outras disciplinas próximas a ela, tais 
como a teoria da cultura, a psicologia (os estudos sobre a 
percepção), a sociologia e os estudos de administração de 
empresas. Quanto à definição do conceito de design, peço 
que o leitor se dirija à parte de debates do presente livro 
(cf. capítulo 17). 
De qual objeto se trata? 
É opinião generalizada que o fulcro da história do design 
está nos próprios designers, no processo de design e nos 
objetos de design. 1 A área de abrangência da disciplina 
pesquisa o design tanto enquanto atividade prático-instru-
mental como enquanto objeto de comunicação social e de 
percepção sensível.2 
No que se refere à história dos designers, descrevem-se 
orientações estilísticas, modas e suas sequências, em 
geral em monografias. Çontudo, de modo semelhante ao 
que ocorre na história da arte, segue-se com demasiada 
frequência o costume de ver os processos da moda e da 
mudança de estilos como sequências temporais - seguin-
do o padrão costumeiro: ao "românico segue-se o gótic·o" .3 
É necessário ter consciência, porém, de que tais perio-
dizações são constructos simplificadores da ciência. Nas 
sociedades industrializadas da época moderna, diversos 
estilos coexistem lado a lado. Uns sobrevivem, enquan-
to outros surgem; tendências marginais hoje, que antes 
foram dominantes, talvez amanhã voltem a ter um papel 
mais importante. Mesmo que se faça uma subdivisão do 
design em décadas, movimentos e tendências estilísticas, 
há algo que precisa ser salientado sempre: essas catego-
rias nunca abarcam o todo de um determinado período; 
elas designam correntes principais, mas nunca fazem to-
talmente jus aos protagonistas individuais. Os designers 
são individualizados demais, sobretudo na segunda meta-
de do século XX; às vezes mudam demasiado rapidamente 
os seus estilos. Assim, por exemplo, o design gráfico dos 
anos 1960 nunca esteve dominado exclusivamente pelo 
"estilo internacional". Em contraste, por exemplo, com a 
arquitetura, houve designers individuais e grupos inteiros 
que percorreram outros caminhos. Algo semelhante vale 
para o design pós-moderno. Ao lado de todas as correntes 
pós-modernistas ainda há muitos designers que permane-
ceram fiéis ao "estilo internacional" ou que até mesmo o 
descobriram de novo. 
No que se refere aos objetos de design, é necessário ter 
consciência de que todos os produtos materiais do saber 
humano representam sempre também manifestações do 
espírito dos homens, a saber, por dois motivos: 
1. O design
Bruno
Bruno fez um comentário
Voce nao conseguiria disponibilizar o pdf? Nao consegui encontra-lo em nenhum lugar para baixar!
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Lorena
Lorena fez um comentário
muito obrigada! por acaso você tem o arquivo em pdf pra disponibilizar?
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Ramon
Ramon fez um comentário
Por nada! deu um trabalhão digitalizar tudo, mas valeu a pena, foi um livro que eu precisava e não achei na net, e não é algo barato, então estou ajudando quem esta na mesma situação que eu estava. :)
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Evelyn
Evelyn fez um comentário
obrigada
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