PLANO DE AULA 3   DIREITO PENAL    III
6 pág.

PLANO DE AULA 3 DIREITO PENAL III


Disciplina#penalespecial #4período10 materiais72 seguidores
Pré-visualização6 páginas
SEMANA 3
LESÃO CORPORAL Art.129

Bem jurídico tutelado

É a incolumidade pessoal do indivíduo, protegendo-o na sua saúde corporal, fisiológica e mental (atividade intelectiva, volitiva e sentimental).

Elementos do tipo

Elemento objetivo: referem-se ao aspecto material do fato. Existem concretamente no mundo dos fatos e só precisam ser descritos pela norma, como por exemplo, o objeto do crime, o lugar, o tempo, os meios empregados o núcleo do tipo (verbo).

Elemento normativo: NÃO HÁ ao contrário dos descritivos, seu significado não se extrai da mera observação, sendo imprescindível um juízo de valoração jurídica, social, cultural histórica religiosa, bem como qualquer outro campo do conhecimento humano. Aparecem em expressões como \u201csem justa causa\u201d, \u201cindevidamente\u201d, \u201cdocumento\u201d, \u201cfuncionário público\u201d, \u201cdignidade\u201d, \u201cdecoro\u201d ...

Elemento subjetivo: há somente o elemento subjetivo geral, ou seja, o DOLO (vontade livre e consciente de ofender a integridade física ou a saúde de outrem).

Sujeitos do delito.
SUJEITO ATIVO \u2013 é crime comum, ou seja, qualquer pessoa pode praticar.

SUJEITO PASSIVO \u2013 qualquer pessoa, porém nas hipóteses do art. 129, § § 1º, IV e 2º, V, a vítima deve, necessariamente, ser mulher grávida.

Consumação e tentativa.
Consumação \u2013 consuma-se o criem no instante em que ocorre a ofensa à integridade corporal ou à saúde física ou mental da vítima.
	

	

Tentativa \u2013 na modalidade dolosa é perfeitamente possível.

Classificação doutrinária
Trata-se de CRIME COMUM (aquele que não exige qualquer condição especial do sujeito ativo); quanto ao resultado é CRIME MATERIAL (que exige resultado naturalístico para a consumação); CRIME COMISSIVO (o verbo nuclear implica a prática de uma ação); CRIME DOLOSO e CULPOSO (há previsão legal para a figura culposa); CRIME DE FORMA LIVRE (pode ser praticado por qualquer meio ou forma pelo agente); CRIME INSTANTÂNEO (o resultado opera-se de forma imediata, sem se prolongar no tempo); CRIME UNISSUBJETIVO (pode ser praticado, em regra, apenas por um agente); CRIME PLURISSUBSISTENTE (pode ser desdobrado em vários atos, que, no entanto, integram a mesma conduta).

O conceito de dor e a tipificação da conduta. (In)disponibilidade do bem jurídico tutelado. Aplicação do principio da insignificância. 

A dor não integra o conceito de lesão corporal, até porque a sua análise é de índole estritamente subjetiva. Nas lesões corporais dolosas de natureza leve o consentimento do ofendido caracterizará causa supralegal de exclusão da ilicitude, desde que seja (a) expresso, pouco importando sua forma, (b) livre de coação, (c) anterior a consumação da infração e (d) manifestado por pessoa capaz.

É possível a incidência do princípio da insignificância na lesão corporal dolosa de natureza leve e na lesão corporal culposa (art. 129, caput e § 6º, CP), quando a conduta acarreta em ofensa ínfima à integridade corporal ou à saúde da pessoa humana.

HC 95.445/DF - STF - Min. Eros Grau:

HABEAS CORPUS. PENAL. LESÃO CORPORAL LEVE [ARTIGO 209, § 4º, DO CPM]. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. 1. O princípio da insignificância é aplicável no âmbito da Justiça Militar de forma criteriosa e casuística. Precedentes. 2. Lesão corporal leve, consistente em único soco desferido pelo paciente contra outro militar, após injusta provocação deste. O direito penal não há de estar voltado à punição de condutas que não provoquem lesão significativa a bens jurídicos relevantes, prejuízos relevantes ao titular do bem tutelado ou, ainda, à integridade da ordem social. Ordem deferida.

Figuras típicas.

Lesão corporal leve.

Art. 129, caput

Lesão corporal qualificada pelo resultado: grave ou gravíssimo.

Art. 129. § 1º e § 2º

JURISPRUDÊNCIA

INFORMATIVO 590, STJ, (6ª TURMA)
DIREITO PENAL. NATUREZA DA LESÃO CORPORAL QUE RESULTA EM PERDA DE DENTES.
A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). Com efeito, deformidade, no sentido médico-legal, ensina doutrina, "é o prejuízo estético adquirido, visível, indelével, oriundo da deformação de uma parte do corpo". Assim, a perda de dois dentes, muito embora possa reduzir a capacidade funcional da mastigação, não enseja a deformidade permanente prevista no art. 129, § 2º, IV, do CP e, sim, debilidade permanente (configuradora de lesão corporal grave). De fato, a perda da dentição pode implicar redução da capacidade mastigatória e até, eventualmente, dano estético, o qual, apesar de manter o seu caráter definitivo - se não reparado em procedimento interventivo -, não pode ser, na hipótese, de tal monta a qualificar a vítima como uma pessoa deformada. Dessa forma, entende-se que o resultado provocado pela lesão causada à vítima (perda de dois dentes) subsume-se à lesão corporal grave, e não à gravíssima. Precedente citado: REsp 1.220.094-MG, Quinta Turma, DJe 9/3/2011. REsp 1.620.158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016, DJe 20/9/2016.

INFORMATIVO 562, STJ, (6ª TURMA)

DIREITO PENAL. CRIME DE LESÃO CORPORAL QUALIFICADO PELA DEFORMIDADE PERMANENTE.
A qualificadora \u201cdeformidade permanente\u201d do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima. HC 306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015, DJe 28/5/2015.

Lesão corporal seguida de morte \u2013 delito preterdoloso.

Art. 129, § 3º

Lesão corporal privilegiada.

Art. 129, § 4º

Lesão corporal culposa.

Art. 129, § 6º

Conflito aparente de normas entre o delito de lesão corporal culposa prevista no Código Penal e no Código de Trânsito Brasileiro (Lei n. 9503/1997).

Quando a lesão corporal culposa for provocada na direção de veículo automotor, aplica-se o art. 303 do CTB.

Perdão Judicial.

Art. 129, § 8º, CP

Natureza jurídica.

Trata-se de uma causa extintiva da punibilidade (art. 107, IX, CP).

Obrigatoriedade ou facultatividade de aplicação.

Pode parecer ser uma faculdade do juiz conceder o perdão judicial, mas não é. Trata-se de um direito subjetivo de liberdade, isto é, a expressão "poderá" empregada pelo CP não consiste em uma faculdade. Assim, satisfeitos os pressupostos exigidos pela norma, está o juiz obrigado a deixar de aplicar a pena.

Natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial. Controvérsia: entendimento dos Tribunais Superiores. Verbete de Súmula n. 18 STJ.

A natureza jurídica da sentença que concede o perdão judicial é controvertida, pois uma 1ª corrente entende que é declaratória, conforme súmula 18 do STJ, já a 2ª corrente entende que é condenatória.

Conflito aparente de normas e Concurso de crimes com demais figuras típicas contra a pessoa.

Deve ser feita a distinção entre lesão corporal e os crimes contra a vida, devendo tal distinção ser feita na análise do dolo, ou seja, na análise da intenção, no animus necandi temos a intenção de matar e no animus vulnerandi ou laedendi a intenção de ferir ou lesionar.

Confronto entre a contravenção penal de vias de fato, crime de lesão corporal leve e injúria qualificada,  crime de perigo de transmissão  de moléstia grave, autolesão  e estelionato, autolesão e crime militar.
Contravenção de vias de fato (art. 21, LCP) - trata-se de ofensa física que não produz lesão ou incômodo à saúde, nem tampouco deixa vestígios (exemplo: empurrões, puxão de cabelo etc.)

Lesão corporal leve e injúria qualificada - se a violência deve for empregada com o nítido propósito de injuriar o crime