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Trabalho de Conclusão de Curso (1)

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e quanto aos instrumentos econômicos aplicáveis.
A Lei tem como objetivo a não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento adequado dos rejeitos. Traz ainda a exigência da responsabilidade compartilhada de empresas e do poder público em relação ao ciclo de vida dos resíduos, estabelecendo que utilizem da logística reversa com os produtos. Outro ponto impactante da PNRS é que esta estabelece que a partir de quatro anos após a data de sua publicação, portanto a partir de 02 de agosto de 2014, a prefeitura e os geradores de resíduos só poderão dispor nos aterros sanitários os rejeitos e não mais os resíduos passíveis de reciclagem.
Dessa forma, a gestão de resíduos da construção e demolição no Brasil, apesar de muitos documentos e estudos, segundo o CBCS (2014), ainda permanece muito aquém, apesar da entrada de algumas empresas privadas no negócio, a fração dos resíduos classe A (alvenarias, concreto e argamassas) efetivamente reciclados é muito pequena.
 
Normas Técnicas – ABNT
A Associação Brasileira de Normas Técnicas é o fórum nacional de normalização. As normas técnicas são elaboradas por Comitês Técnicos. Tais normas exigem padrões a serem seguidos, e também servem como complemento a regulamentos como os da PNRS, Resolução nº 307/CONAMA e outros manuais sobre resíduos sólidos. 
A construção civil, por ser um ramo que envolve um grande impacto ambiental, também conta com várias normas que tratam sobre as diretrizes para implantação de áreas de transbordo e triagem, de aterros de inertes e de reciclagem dos RCD, além de procedimentos para a execução da pavimentação com agregados reciclados e de concreto sem função estrutural. São as seguintes:
NBR 15.112/2004: Fixa requisitos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos, bem como áreas de transbordo e triagem, pontos de entrega de pequenos volumes, diretrizes para projeto (implantação e operação) (ABNT, 2004b);
NBR 15.113/2004: Fixa os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil classe A e de resíduos inertes. Trata ainda de aterros e de diretrizes para projeto (implantação e operação). Segundo esta norma, os aterros têm a função de armazenar os materiais segregados recolhidos em obras, de maneira que possibilite o uso futuro dos materiais ou futura utilização da área, seguindo os princípios de engenharia e sem causar danos ao meio ambiente e à saúde pública (ABNT, 2004c);
NBR 15.114/2004: Fixa os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A. Trata de resíduos sólidos da construção civil, bem como áreas de reciclagem e diretrizes para projeto (implantação e operação) (ABNT, 2004d);
NBR 15.115/2004: Trata de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil, bem como de execução de camadas de pavimentação (procedimentos). Isto porque a necessidade de gestão e manejo correto de resíduos da construção, torna viável a destinação para locais mais nobres. Neste sentido, esta norma estabelece os critérios para execução de camadas de reforço do subleito, sub-base e base de pavimentos, bem como camada de revestimento primário, com agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil, denominado agregado reciclado, em obras de pavimentação (ABNT, 2004e);
NBR 15116: Estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil em pavimentação e concreto sem função estrutural (ABNT, 2004f).
Distrito Federal
Em 1956, o presidente Juscelino Kubitschek, sancionou a lei 2.874, a qual propôs a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP). A ideia era transferir a capital do Rio de Janeiro para o interior do país. O projeto aprovado para a construção da capital, foi o de Lúcio Costa, o que gerou opiniões divididas entre arquitetos da época, pois muitos achavam que era apenas um rascunho ou rabisco, e outros achavam que era brilhante e extraordinário. A arquitetura da nova capital foi confiada a Niemeyer, um dos mais originais e brilhantes discípulos da estética modernista de Le Corbusier, Niemeyer buscou a criação de formas claras, leves, simples, livres, inovadoras e lindas, sem considerar apenas seu aspecto funcional (FGV, 2015).
Os principais prédios do centro de Brasília ficaram prontos com cerca de 3 anos (Palácio do Governo, Catedral, Ministérios e etc.), mas a nova capital do Brasil foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Logo após sua inauguração iniciou-se a transferência de órgãos do Governo Federal para a nova sede.
Após transferir a capital do país, o governo tinha como intenção povoar a região. Pessoas de todo país, principalmente do Nordeste (chamado de candangos), foram contratados para a construção da cidade e depois de inaugurada não quiseram voltar para suas cidades, e sim trazer suas famílias para Brasília, pois a região teria muitas oportunidades de emprego e seria um bom local para se viver (PACIEVITH, 2015).
Concebida como um exemplo de ordem e eficiência urbana, como uma proposta de vida moderna e otimista, Brasília sofreu na prática importantes distorções e adaptações em sua proposta idealista primitiva, permitindo um crescimento desordenado e explosivo segregando as classes baixas para a periferia e consagrando o Plano Piloto para a habitação de elites. A quantidade de operários afluindo às obras fez nascer vários povoados em torno do Plano Piloto, mas a concentração principal era na Cidade Livre, depois chamada Núcleo Bandeirante. Consistindo de um grande conjunto de casas muito simples de madeira, erguidas pelas empreiteiras para acolher os trabalhadores migrantes, deveria ser desmantelada ao final da construção da capital, o que acabou não acontecendo. Chegou a ter cinco mil moradias e cerca de trinta mil habitantes, com um comércio mais ativo que Goiânia na mesma época.
A capital do país que foi planejada inicialmente para 500 mil habitantes, segundo o IBGE, hoje agrega cerca de 2,9 milhões de habitantes (IBGE, 2015), um número muito elevado que precisou de muitas obras para suprir a demanda por moradia, e ainda assim precisa de muito mais, pois muitas de suas cidades-satélites ainda sofrem sem infraestrutura. A tendência do DF e o seu entorno é crescer cada vez mais, surgindo ainda mais construções (NUNES, 2014). Por este motivo, é de suma importância focar em construções sustentáveis de forma urgente para não prejudicar as gerações futuras ou até mesmo a presente geração.
Esse crescimento populacional instigou a ganância das imobiliárias, que começaram a construir e ocupar esses lugares vazios, e com isso, no ano de 2014, o DF gerou em torno de 6.000 a 8.000 toneladas de resíduos sólidos da construção civil por dia, segundo o SLU (2015).
Destino dos resíduos
Segundo Sena (et al, 2013), uma das grandes dificuldades do Distrito Federal encontra-se na gestão e destinação da enorme quantidade de resíduos produzidos. Só existe um local licenciado ambientalmente, o Lixão do Jóquei (Figura 2), o qual já se encontra sobrecarregado e não consegue seguir todos processos corretos de um aterro. De acordo com a administração do Lixão, a única separação que se efetua, é entre resíduos da construção civil e resíduos orgânicos. Os catadores fazem a função da triagem mais específica de resíduos para a venda, porém é algo muito limitado e não existe esta triagem para os resíduos de classe A, contaminando os mesmos com outras classes e impossibilitando a utilização futura, aumentando o ciclo de vida do material.
Muitas construções descartam estes resíduos em locais clandestinos (Figura 3), o que gera mais custos para o governo, em relação a limpeza e transporte, fora que causa poluição ambiental e visual para a sociedade.
O SLU enviou solicitação de novas áreas para aterro em diversos locais no DF, porém a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federa (TERRACAP) e o Instituto Brasília

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