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Trabalho de Conclusão de Curso (1)

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Ambiental (IBRAM) ainda estão analisando para fornecer o licenciamento e dar seguimento no projeto.
Figura 2 - Aterro do Jóquei no DF
 Fonte: Arquivo dos autores.
Figura 3 - Disposição clandestina de entulho em Águas Claras.
Fonte: Paulo Gonçalves
Noroeste
O setor Noroeste foi idealizado pelo urbanista Lucio Costa com o seu projeto "Brasília Revisitada" em 1987, o bairro possui 20 quadras residenciais em uma ótima localização da Asa Norte. O Noroeste, segundo a TERRACAP (2015), foi planejado para ser um bairro ecologicamente correto em todos os sentidos, prometendo ser tornar uma região sustentável e em harmonia com o meio ambiente, da construção dos sistemas públicos como saneamento, coleta de lixo a vácuo e energia solar até a construção dos empreendimentos, visando à qualidade de seus futuros moradores.
No ano de 2009 a TERRACAP elaborou o Manual Verde do Noroeste (TERRACAP, 2009). Este manual objetiva estabelecer as estratégias de sustentabilidade para o Noroeste, no qual as construtoras deveriam seguir rigorosamente. Em relação a resíduos de classe A da construção civil, o manual exige que as construtoras só comprem materiais minerais (areia, pedra e argila) de mineradores que possuam áreas legalizadas quanto aos aspectos ambientais, evitando compras de mineradoras clandestinas. Depois de gerados, para transportar os resíduos, também existe uma preocupação: o manual pede às construtoras que fiscalizem as empresas transportadoras e façam sempre o controle de transporte de resíduos.
O Manual Verde segue os critérios do Leadership in Energy and Environmental Design (LEED). Para o Noroeste foram estabelecidas estratégias para obter o nível verde. O manual tem várias instruções nas quais devem ser seguidas sem exceção como: 
garantir gestão de resíduos sólidos, desviando pelo menos 50% do volume gerado para usina de reciclagem, aliviando aterros de inertes;
utilização de 15% de material reciclado em estacionamento público;
prevenção da poluição do ar com poeiras e etc. 
O Manual é um instrumento utilizado para auxiliar construtoras, servindo ainda, a empresas particulares e órgãos públicos que tem por função fiscalizar este gerenciamento de resíduos e demais instruções. 
Principais Fontes Geradoras de Resíduos de Classe A
O setor da construção civil é responsável por extrair metade dos recursos naturais do planeta em seus processos de produção de materiais, construção e manutenção. 
Para se ter uma ideia da intensidade de resíduos de classe A produzidos em cada uma das etapas do processo construtivo, são apresentados na Tabela 2. Observa-se ainda na tabela a ocorrência de três diferentes níveis de geração. Por meio dela, percebe-se de forma clara que, dependendo da etapa construtiva em que se encontre uma obra, podem ser gerados diferentes tipos de resíduos, mesmo estes pertencendo a mesma classe e que, para um mesmo tipo de resíduo, este pode aparecer em três diferentes intensidades de geração. Assim, cada etapa construtiva fica bem caracterizada pela geração de determinados tipos de resíduos, em uma intensidade típica padrão.
Tabela 2 - Resíduos produzidos por etapa construtiva.
Fonte: Adaptado de HENDRICKS, 2000.
	TIPOS DE RESÍDUOS PRODUZIDOS DURANTE A CONSTRUÇÃO
	ETAPAS CONSTRUTIVAS
	
	Instalação do canteiro de obras
	Fundação
	Estrutura
	Alvenaria
	Instalações Prediais
	Acabamento
	
	
	
	
	
	
	
	Resíduos classe A
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Entulho de alvenaria
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Entulho de concreto
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Pedra britada
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Entulho de argamassa
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Solo escavado
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Telhas cerâmicas
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	Nível de geração: 
	 
	Baixo
	 
	Médio
	 
	Elevado
A geração de resíduos não acontece somente em obras – começa na produção dos materiais (OBRA LIMPA, 2015). Em 2013, a venda direta de materiais era de 24% para as construtoras e 60% para atacadistas e varejistas, no qual vai uma grande quantidade em pequenas construções ou reformas (CBSC, 2014).
Com essa grande quantidade de materiais indo para o setor de pequenas construções, o mercado informal aparece em grande escala. Muitas vezes, as pessoas compram seu produto pelo preço e não pela qualidade e durabilidade, e esse mercado informal é definido por atividade econômica que não são registradas em órgãos governamentais e ambientais. Desta forma, sonegando impostos e não passando por fiscalizações de órgãos ambientais, colaboram para que o mercado informal consiga um preço menor que é o que o consumidor deseja.
Essa é justamente uma das maiores dificuldades da construção civil em diminuir o seu impacto ambiental. Já estão sendo implantadas políticas públicas nas construtoras, o que já representa uma considerável diferença, porém, ainda de forma limitada. O consumidor varejista não tem conhecimento para comprar o material que causará menor impacto ao meio ambiente, e também não existe incentivo e orientação para que façam isso. Existem ferramentas para auxiliar nesta orientação, mas poucas pessoas procuram por elas e a divulgação é quase nenhuma. Segundo o CBCS (2014), a construção civil ainda tende a crescer mais. Com isso, a extração destes recursos naturais será cada vez maior e estes não serão substituídos. Acredita-se que a substituição dos materiais pode reduzir o impacto em uma obra em particular, mas dificilmente reduz o impacto global. 
Com isso, um dos grandes problemas que enfrentam países como o Brasil é este: as pessoas procuram o produto mais barato não se importando com a qualidade e durabilidade. Estes são dois fatores que estão envolvidos diretamente na geração de resíduos, pois um produto de má qualidade pode quebrar muito ou até gerar um retrabalho, o que acaba aumentando os gastos, e a falta de durabilidade pode forçar contínuas manutenções, reformas e demolições antes do momento determinado.
 Como vimos, a perda é uma grande causa de geração de resíduos na construção civil. Ela acontece devido a qualquer tipo ineficiência que exige o uso de quantidades superiores ao necessário para determinado serviço.
As perdas no Brasil, é extremamente exagerada, estima-se que com o desperdício de 3 obras, consegue-se fazer outra. Existe vários tipos de perdas, e para os Resíduos de Classe A, destaca-se (SENAI, 2006):
Perdas por superprodução: Ocorrem quando a produção é maior do que a necessidade (excesso de espessura da laje, argamassa em excesso para um dia de trabalho);
Perdas no processamento: Ocorrem pela falta de padrões e métodos nas técnicas de execução, falta de treinamento da mão de obra, projetos com deficiência e falta de detalhamentos (por exemplo: quebra de paredes para executar instalações);
Perdas nos estoques: Ocorrem quando há existência de estoques excessivos e não existem locais com boas condições para armazenar. Dependendo das condições climáticas pode haver perda do material; (Figura 4)
Perdas no transporte: Ocorrem quando a obra não tem estudo de logística, com trabalhadores muito distante dos materiais ou com difícil acesso. No processo de busca dos materiais podem haver perdas; (Figura 5)
Perdas inevitáveis: Ocorrem pelo processo da construção civil ser feito por mão de obra humana. Neste sentido, sempre existirá algum defeito ou erro no processo da execução.
 
Figuras 4 e 5 - Estocagem incorreta de cimento / Transporte incorreto de blocos cerâmicos
Fonte: FORMOSO, 2000 
Essas são as principais causas das perdas na construção em relação aos resíduos de Classe A. O processo da construção civil é muito complicado e requer muitos cuidados. No Brasil, as medidas a favor da construção sustentável ainda são poucas e no DF são menores ainda.
Outro ponto importante e o maior gerador de resíduos na construção civil são as manutenções, reformas e demolições. Segundo a empresa I&T Informações e Técnicas, em uma pesquisa realizada em 12 construções e demolições localizada em Porto Alegre (Figura 6), pelo menos 59% dos resíduos

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