Manual Pericia Medica da Previdencia Social
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Tendo em conta que o agente físico RUÍDO ( NPSE= Nível Elevado de 
Pressão Sonora), objeto dos Anexos 1 e 2 da NR-15 encerra complexidade maior, 
deixaremos para comentá-lo ao final da abordagem de todos os agentes. 
 
 
4.1 - AGENTE CALOR ( Anexo 3 da NR-15) 
 
 O agente calor está regulamentado pelo anexo 3 da NR-15 da Portaria nº 
3214/78 do M.T.E. 
 No Anexo III do Dec. 53831 as exigências de enquadramento são indicadas 
em Graus Centígrados. 
 Pelo Anexo 3 da NR-15 a exigibilidade técnica indica fornecimento de 
resultados em IBUTG= Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo. 
 Ao contrário dos demais agentes que possuem apenas um limite de 
tolerância, o agente Calor tem vários LT, na dependência do tipo de atividade : 
leve, moderada ou pesada, levando em conta a magnitude do dispêndio 
energético nas atividades declaradas medidas em Kcal/h (Kilocalorias por hora). 
 No Anexo III do Dec. 53831/64 havia explicitação de que o Calor somente 
seria enquadrado caso fosse proveniente de fontes artificiais. Os demais RPS 
silenciaram sobre essa exigibilidade. 
 Tendo em conta que o Anexo 3 da NR-15 da Portaria nº 3214/78 do M.T.E. 
prevê a possibilidade de enquadramentos de trabalhos realizados sob a ação do 
Sol, mas considerando que a Orientação Jurisprudencial (SDI-1) nº 173 do 
Tribunal Superior do Trabalho (TST) que é mais atual normatiza a inexistência de 
insalubridade decorrente da ação dos raios solares, a Perícia Médica deverá 
considerar apenas, para enquadramento os efeitos da fontes de calor de natureza 
artificial, não se considerando a fonte natural da ação dos raios solares. 
 
Nota: 
Considerando o contido no item 2 do quadro 1 do Anexo 3 da NR-15 da Portaria 
nº 3214/78 do M.T.E., os períodos de descanso são considerados tempos de 
serviço para todos os efeitos legais. Assim, as atividades desenvolvidas sob ação 
do agente calor requerem períodos de descanso a intervalos regulares de 
atividade, não se constituindo intermitência ou interrupção de tais atividades tais 
descansos, desde que não se exerçam atividades comuns entre tais atividades 
especiais. 
 
 
4.2 - AGENTE RADIAÇÕES IONIZANTES (Anexo 5 da NR-15) 
 
 Agente presente nos trabalhos com RX onde tais radiações podem 
provocar alterações mutagênicas e cancerígenas no corpo humano. 
 Dada a gravidade das conseqüências da exposição cumulativa deste 
agente à saúde humana, a legislação previdenciária especial não exige limite de 
tolerância para este agente. 
 
4.3 - AGENTE PRESSÕES ANORMAIS ( Anexo 6 da NR-15) 
 
 Agente presente nas atividades de mergulho. 
 Apenas estão contempladas na legislação especial as pressões anormais 
com exposição superior a uma atmosfera, não sendo contempladas também na 
legislação trabalhista as exposições a pressões hipobáricas, ou inferiores a uma 
atmosfera. 
 Não se exige limite de tolerância. Tais exposições são contempladas por 
simples presença do agente nocivo. 
 
4.4 - AGENTE RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES (Anexo 7 da NR-15) 
 
 Agente presente nas operações de soldagem tipo MIG e oxiacetilênica. 
 Este agente ficou excluído da possibilidade de enquadramento a partir de 
06.03.97, por não constar do Anexo IV do Dec. 2172. 
 
 
4.5 - AGENTE VIBRAÇÕES (Anexo 8 da NR-15) 
 
 Este agente é de mensuração extremamente complicada, inexistindo 
equipamentos de medição em número suficiente no país, a legislação 
previdenciária optou por considerar o enquadramento a este agente tão somente 
por simples presença do mesmo, sem exigir exposições acima de limite de 
tolerância, mas limitando os enquadramentos às atividades com exposição de 
corpo inteiro e nas atividades que se utilizam de perfuratrizes e marteletes 
pneumáticos. 
 O agente vibração está sempre associados ao agente ruído de impacto, 
ocasionando um sinergismo positivo de nocividade, ou seja, a nocividade dos 
agentes vibração e ruído concomitantes são mais nocivos do que a soma de seus 
efeitos individuais. 
 
4.6 - AGENTE FRIO ( Anexo 9 da NR-15) 
 
 O agente frio é aquele agente existente no interior de câmaras frigoríficas, e 
nos trabalhos que realizam transportes de materiais do exterior para o interior 
dessas câmaras e vice-versa, com baixas temperaturas ( < 12 º C), não estando 
contemplados os trabalhos executados sob ação do frio proveniente de fonte 
natural e climática. 
. 
 
4.7 - AGENTE UMIDADE (Anexo 10 da NR-15) 
 
 O enquadramento só é possível para atividades realizadas de modo 
habitual e permanente em ambientes alagados ou encharcados e limitadas à linha 
de corte de 05.03.97 já que tal agente ficou excluído do Anexo IV do Dec. 2172. 
 
 
4.8 - AGENTES QUÍMICOS - com limite de tolerância ( Anexo 11 da NR-
15) 
 
 Os agentes arrolados no Anexo 11 dependem de limite de tolerância para 
enquadramento. 
 Aqueles que estão assinalados com um asterisco (*) apresentam, pela 
maior gravidade da exposição, o chamado \u201c valor teto\u201d que, uma vez ultrapassado 
em apenas um das medições, deve merecer enquadramento, mesmo se a média 
ficar abaixo do limite de tolerância, salvo se devidamente houver proteção eficaz 
por EPC/EPI. 
 
 
4.9 - AGENTE POEIRAS MINERAIS ( Anexo 12 da NR-15) 
 
 Poeiras são partículas sólidas provenientes da ruptura mecânica de sólidos 
orgânicos (algodão, sisal) ou de sólidos inorgânicos ( minerais). 
 Somente são enquadráveis na legislação especial as poeiras minerais 
respiráveis de: amianto ( asbesto), manganês , sílica livre e carvão mineral. 
As poeiras de carvão mineral independem de limite de tolerância, pelo 
enquadramento no Anexo 13 da NR-15. As demais poeiras minerais exigem 
exposições acima dos seguintes limites de tolerância: 
 
4.9.1 - Amianto (asbesto): 
- - até 28.11.91 o limite de tolerância é 4 fibras/cm3 de ar ambiente; 
- - após 28.11.91 o limite de tolerância é de 2 fibras/cm3 de ar ambiente; 
- - Entretanto o tipo de fibra respirável é aquela de diâmetro menor do que 3 
micrômetros, comprimento maior do que 5 micrômetros e relação 
comprimento/diâmetro igual ou superior a 3:1; 
 
4.9.2 - Manganês: 
- - limite de tolerância para operações de extração, tratamento, moagem e 
transporte é 5mg/m3 de ar ambiente; 
- - limite de tolerância para fabricação de compostos de manganês na 
fabricação de vidros, cerâmicas, pilhas secas, eletrodos de solda, tintas e 
vernizes é de 1 mg/m3; 
 
4.9.3 - Sílica livre: 
Fórmula complexa e limites de tolerância variáveis; 
Analise-se a descrição das atividades e as conclusões do laudo técnico para 
enquadramento; 
 
4.9.4 - Carvão mineral: 
Independe de limite de tolerância ( Anexo 13 da NR-15) 
 
 
5 - AGENTES QUÍMICOS \u2013 sem limite de tolerância ( Anexo 13 da NR-15) 
 
 Os agentes arrolados nesse Anexo são de maior gravidade que os 
arrolados no Anexo 11 e dispensam limite de tolerância. 
 A simples presença dos mesmos no ambiente de trabalho conferem o 
enquadramento como atividade especial, desde que manipulados no processo 
produtivo, salvo se houver efetiva proteção por EPC/EPI ou não houver 
habitualidade ou permanência. 
 
6 - AGENTES BIOLÓGICOS ( Anexo 14 da NR-15) 
 
 Os agentes biológicos enquadráveis na legislação especial para qualquer 
período oferecido são aqueles de natureza infecto-contagiosa, ou seja, de alta 
transmissibilidade, e existentes nos setores de isolamento de hospitais, trabalhos 
com autópsias, laboratórios de anatomopatologia, trabalhos em biodigestores, 
fossas sépticas e galerias, trabalhos com lixo urbano ou rural, manipulação de 
vacinas, etc. 
 
 
7 - AGENTE RUÍDO ou NÍVEL DE PRESSÃO SONORA ELEVADO 
 ( Anexo 1 e 2 da NR-15) 
 
 Comenta-se agora o agente ruído, deixado para o final da análise de todos 
os agentes, por ser o mais complexo e o mais prevalente de todos. 
 
7.1 - Tipos de ruído: 
Anexo 1