Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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adolescência 
(Calado, 2009). Já com relação ao Modelo das Escolhas de Carreira, Lent et al 
(1994) defendem a importância de fatores pessoais e contextuais na escolha 
profissional, mas também das experiências de aprendizagem do indivíduo. 
Ou seja, aspectos como gênero, condições de saúde e status socioeconômico, 
assim como os conhecimentos já aprendidos que exercem efeitos nos objeti-
vos e ações de escolha de um indivíduo, podendo funcionar como facilitador 
ou como barreira na sua construção. Por último, o Modelo de Desempenho 
descreve sobre o nível e qualidade das realizações pessoais e a persistência dos 
comportamentos relacionados à carreira. Esta teoria interrelaciona capacida-
des, autoeficácia, expectativas de resultados e objetivos quando leva em conta 
o desempenho demonstrado do indivíduo na construção da carreira (Lent et al, 
1994). Em outras palavras, afirma que a capacidade que um indivíduo acredi-
ta que possui (realizações, aptidões e desempenhos anteriores) influencia nos 
seus comportamentos atuais, podendo ser de forma direta (através da autoe-
ficácia) ou indireta (através das expectativas de resultado), atingindo também, 
consequentemente, a definição de objetivos (Calado, 2009).
Sendo assim, com base em Lent et al (1994), destaca-se a importância 
da autoeficácia no desenvolvimento de carreira. A fim de melhor entendi-
mento, aprofundou-se a definição deste último conceito. O desenvolvimento 
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vocacional, de acordo com a TSCC, segundo Guarnieri (2008), envolve três 
aspectos: (a) formação e elaboração de interesses vocacionais, (b) seleção 
das opções vocacionais e (c) a persistência e o desempenho nas atividades 
educacionais e profissionais. Além disso, há seis tarefas que se relacionam 
com o desenvolvimento de carreira e, uma vez realizadas, auxiliam na sua 
construção e progresso: 1. aquisição de crenças de autoeficácia e expecta-
tivas positivas de resultados ajustadas à realidade; 2. desenvolvimento de 
interesses acadêmicos e profissionais por determinada área; 3. formação/
transformação da união entre os interesses e os objetivos; 4. transformação 
dos objetivos em ações; 5. desenvolvimento de competências específicas e 
competências gerais; 6. negociação de barreiras e apoios que afetam o acesso 
às opções vocacionais pretendidas.
Desta maneira, a TSCC foi utilizada neste estudo para compreender e 
relacionar a autoeficácia, o desenvolvimento de carreira e a experiência de 
trabalho. Este último conceito está relacionado com o know-how que o in-
divíduo possui com relação às atividades profissionais (Guarnieri, 2008). 
A literatura tem apontado que há melhores resultados no planejamento e 
orientação para exploração de carreira quando se tem maior experiência pro-
fissional (Creed & Patton, 2003). Contudo, outros autores afirmam que as 
variáveis como maturidade possuem maior relação com o sucesso escolar e 
com os projetos de continuidade dos estudos do que a idade e a experiência 
de trabalho (Aguillera, 2013). Sendo assim, há contraposições e lacunas na 
literatura sobre esta temática em questão, o que justifica este trabalho. Por 
conseguinte, a fim de auxiliar na busca de mais conhecimentos na área, este 
capítulo focalizou a influência que a variável experiência profissional possui 
sobre a autoeficácia para o desenvolvimento de carreira.
Objetivo
Este estudo objetiva verificar se existe diferença na autoeficácia percebida 
para o desenvolvimento de carreira em função da experiência de trabalho (tra-
balha/não trabalha) em alunos do ensino médio, regular e técnico. Espera-se 
que exista diferença estatisticamente significativa na autoeficácia percebida 
em desenvolvimento de carreira a favor dos alunos que trabalham (H1). 
Método
Este estudo, de caráter quantitativo e descritivo, é um recorte de uma 
pesquisa maior que objetivou avaliar a autoeficácia para o desenvolvimento 
de carreira e os interesses profissionais em estudantes do ensino médio re-
gular e técnico.
Participantes
A amostra do presente estudo constituiu-se de 301 estudantes do ter-
ceiro ano do ensino médio de uma cidade do interior paulista, 153 alunos 
do ensino médio técnico e 148 alunos do ensino médio regular, sendo 101 
Mara de Souza Leal, Aliene Lago, Lucy Leal Melo-Silva
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do sexo masculino e 200 do sexo feminino, com idades entre 16 e 59 anos 
(M=20,10; DP=7,11; Moda=17).
Instrumentos
Questionário de Identificação. Instrumento formulado com o objetivo de 
obter informações da amostra sobre: a identificação, o rendimento escolar, 
a questões relativas à experiência de trabalho, a carreira, a participação em 
processos de orientação profissional, além da escolaridade dos pais e o nível 
socioeconômico. 
Inventário de Autoeficácia para o Desenvolvimento de Carreira (Career 
Development Self-Efficacy Inventory, CD-SEI, de Yuen et al., 2004, 2005). 
A versão original do instrumento é chinesa, de Hong Kong. Para fins deste 
estudo foi utilizada a versão brasileira de Aguillera (2013). O instrumento 
avalia a confiança de estudantes do ensino médio na aplicação de competên-
cias da vida para o desenvolvimento da carreira. O instrumento é composto 
por 24 itens subdividido em seis fatores: (a) Planejamento de Carreira, (b) 
Questões de Gênero na Carreira, (c) Informação para a Escolha Profissional, 
(d) Preparação para a Busca de Emprego, (e) Procura de Emprego e (f) 
Definição de Objetivos de Carreira. As respostas são dadas por meio de uma 
escala do tipo Likert de seis pontos (1=extremamente não confiante a 
6=extremamente confiante). O CD-SEI apresenta propriedades psicométri-
cas satisfatórias tanto na versão original chinesa, com valores de alfa de 
Cronbach entre \u3b1=0,77 a 0,82 nas subescalas e na escala total \u3b1=0,95 (Yuen 
et al., 2004), quanto na versão brasileira adaptada por Aguillera (2013) com 
jovens aprendizes, \u3b1=0,69 a 0,78 nas subescalas e na escala total \u3b1=0,94. O 
CD-SEI tem sido utilizado em pesquisas no contexto português apresentando 
bons índices de consistência interna nas subescalas, \u3b1=0,70 a 0,79 no estudo 
de Lopes (2010), e com valores entre \u3b1=0,48 e 0,72 no estudo de Teixeira, 
Barreira, Faria, Baptista e Pimentel (2011). Este instrumento pode ser utili-
zado em processos de orientação profissional e avaliação de programas.
Coleta de dados
Foi realizado um estudo piloto, antes de iniciar a coleta, para verificar 
a adequabilidade dos instrumentos e tempo de aplicação dos mesmos. O 
instrumento se mostrou adequado para a utilização na pesquisa, com en-
tendimento dos itens pelos clientes, aplicação rápida (tempo médio de oito 
minutos de aplicação) e principalmente pelas propriedades psicométricas 
satisfatórias nas diferentes versões. Após a aprovação do Comitê de Ética 
em pesquisa, a coleta de dados foi realizada em sala de aula em duas escolas 
públicas de uma cidade do interior paulista, uma de ensino médio regular, 
na qual foram coletados os dados em seis turmas e outra de ensino médio 
técnico, na qual foram coletados dados em oito cursos: (a) Administração, 
(b) Design de Interiores, (c) Edificações, (d) Eletrônica, (e) Eletrotécnica, (f) 
Mecatrônica, (g) Nutrição e Dietética e (h) Secretariado. Pontua-se que os 
dados foram coletados mediante a assinatura dos Termos de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE). Para os alunos com idade inferior a 18 anos, foi 
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solicitado que trouxessem o TCLE assinado pelos pais. Vale salientar, que 
como contrapartida foi oferecida aos alunos que participaram da pesquisa 
prioridade de atendimento no Serviço de Orientação Profissional da univer-
sidade pública à qual as pesquisadoras deste estudo estão vinculadas. 
Análise de dados
 Foi verificada a distribuição da amostra por meio dos testes de 
Shapiro-Wilk e Kolmogorov-Smirnov.