Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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Teoria do otimismo aprendido ou explicativo tem como base a ideia de que 
as expectativas das pessoas para o futuro são derivadas da forma como 
elas interpretam as causas dos eventos negativos e positivos ocorridos 
no passado. Essa teoria surgiu do modelo de desamparo aprendido, cuja 
premissa era de que, ao experimentar eventos aversivos, as pessoas tor-
navam-se impotentes, passivas e indiferentes, ou seja, aprendiam com a 
experiência negativa a não ter boas expectativas futuras.
Carver et al. (2010, citado por Pais-Ribeiro, 2012, p. 220) destacam 
que \u201celevados níveis de otimismo são bons preditores de melhor bem es-
tar subjetivo em situações de adversidade, de melhor saúde física, melhor 
saúde mental, maior resiliência perante eventos estressantes\u201d, tal como a 
escolha profissional na adolescência. Diante do exposto, podemos dizer 
que ser otimista é acreditar que dias melhores virão, esperar sempre por 
resultados positivos. Em face de uma situação ruim, o otimista acredita 
que esta vai passar e tem esperança de que ao final vai dar tudo certo. Esses 
pensamentos positivos ajudam na saúde mental e física como descoberto 
pela psicologia positiva e podem influenciar diversas decisões, entre elas, 
as escolhas profissionais.
Karen Cibely da Silva Morais, Josimar Maciel Cordeiro, Fabiana Soares Fernandes, Greicy Oliveira Nascimento, Lenilda Molina Guerreiro Reis
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Método
Este estudo teve um caráter exploratório, transversal e quantitativo. Os 
dados coletados por meio de instrumento próprio foram analisados com re-
curso à estatística descritiva e da Análise de Variância Univariada \u2013 ANOVA, 
com apoio do software estatístico SPSS. 
A amostra foi composta de 218 alunos, que frequentam o ensino médio 
de uma escola da rede pública no município de Humaitá-AM, de ambos os 
sexos (43 % do sexo masculino e 57 % do sexo feminino) com idades entre 
15 e 24 anos.
No que diz respeito aos procedimentos metodológicos, foi feito o contato 
com a escola prevista para a realização da pesquisa para pedir autorização 
para a aplicação do questionário e a mesma reservou o mês de abril para que 
esta coleta pudesse ser feita. Os alunos foram informados sobre a pesquisa e 
no dia previamente combinado, foram convidados a preencher o questioná-
rio, em sala e horário de aula, no qual descreveram suas opiniões a respeito 
das propostas no questionário.
Instrumentos
A fim de avaliar como os adolescentes constroem, exploram e inves-
tem nas suas escolhas profissionais, utilizamos a Escala de Exploração e 
Investimento Vocacional \u2013 EEIV-BR (Fernandes, Gonçalves & Oliveira, 
2014). Essa escala é um instrumento de autorrelato composto por 28 itens 
respondidos de acordo com uma escala do tipo likert de 6 pontos sendo (1) 
Discordo totalmente, (2) Discordo raramente, (3) Discordo às vezes, (4) 
Concordo raramente e (5) Concordo às veze, (6) Concordo totalmente, que 
operacionaliza o desenvolvimento vocacional nas seguintes dimensões: 
Exploração, Investimento, investimento sem exploração (Floreclosure \u2013 ten-
dência para a exclusão de opções e/ou investimentos outorgados) e ausência de 
exploração de investimento (Difusão vocacional).
1. Exploração Vocacional: avalia os momentos de procura, questiona-
mento, moratória vocacional, na qual o adolescente se sente confrontado 
com várias possibilidades e alternativas face à escolha profissional (Campos 
& Coimbra, 1991). Um exemplo de item desta subescala é: \u201cNão conheço os 
cursos superiores existentes, mas isso não me incomoda\u201d.
2. Investimento: avalia o processo psicológico em que o sujeito parte para 
a ação, ou seja, pela exploração do investimento o adolescente reconstrói o 
investimento atual (Campos & Coimbra, 1991). Um exemplo de item desta 
subescala é: \u201cDepois de ter falado com vários profissionais e de ter explorado 
informações, penso que sei o rumo a dar a minha vida profissional.\u201d
3. Difusão: este processo vocacional caracteriza aqueles sujeitos que nem 
exploram nem investem; face à construção de um projeto profissional estão 
indiferentes (Marcia, 1996, apud Fernandes, Gonçalves & Oliveira, 2014). 
Ausência de projetos (os diffusers). Um exemplo de item desta subescala é: 
\u201cTenho dificuldades em fazer escolhas quando disponho de várias opções\u201d.
Pode o otimismo influenciar o desenvolvimento vocacional? | 37-45
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4. Foreclosure, Tendência a Excluir Escolhas: é um processo que caracte-
riza o sujeito que faz investimentos sem ter realizado comportamentos de 
exploração vocacional; tendência a excluir a exploração de outras alterna-
tivas (Blustein, Ellis, & Devenis, 1989, citado por Fernandes, Gonçalves & 
Oliveira, 2014). Um exemplo de item desta subescala é: \u201cAcho que existe um 
único projeto profissional adequado para mim\u201d.
5. Foreclosure, em Relação aos Significativos: caracteriza o sujeito que 
faz investimentos sem ter realizado comportamentos de exploração voca-
cional, procurando realizar os projetos outorgados pelos outros significati-
vos como pais, professores e amigos. Um exemplo de item desta subescala 
é: \u201cAcho que o único curso e profissão que quero são aqueles que os meus 
pais sempre valorizaram\u201d.
A fim de avaliar como o Otimismo influencia nas escolhas profissio-
nais, utilizamos a Escala sobre o Otimismo (Barros, 1998, Adaptação 
Mascarenhas, 2010). Essa escala é um instrumento de autorrelato com-
posto por 5 itens respondidos de acordo com uma escala do tipo likert de 
5 pontos sendo (1) Totalmente em desacordo (absolutamente não), (2) 
Bastante em desacordo (não), (3) Nem de acordo, nem desacordo (mais ou 
menos), (4) Bastante de acordo (sim) (5) Totalmente de acordo (absoluta-
mente sim), que operacionaliza o otimismo.
Resultados
No que diz respeito à etapa do desenvolvimento vocacional em que 
se encontram os jovens de Humaitá, constatamos que a maioria está 
em \u201cInvestimento\u201d (M=4.25). Do cruzamento entre as variáveis (DV e 
Otimismo) constatou-se o resultado estatisticamente significativo (Traço 
Pillai = .622; F(5,380)=2,34; p<.001; \u3b7²p=.12; \u3c0=1). Percebemos que quanto 
mais Otimistas (M=5), mais os jovens investem (M=4.85). A segunda 
maior média demonstra que os alunos estão na dimensão \u201cExploração\u201d 
(M=3.20), cruzando estes dados com o Otimismo verificamos que quanto 
maior o Otimismo (M=5) menos ocorre exploração (M=2.75). De manei-
ra geral, observamos que 73.93 % dos jovens finalistas apresentam altos 
índices de otimismo.
Discussão
A partir dos resultados, verificou-se que os jovens de Humaitá, em sua 
maioria está em \u201cInvestimento\u201d, estão investindo em um \u201cquerer\u201d. Trata-
se de uma dimensão que leva o sujeito a arriscar e comprometer-se consigo 
próprio na relação que constrói com seu entorno físico e social, isto significa 
dizer que já aderiram a um determinado objetivo ou princípio. Levando em 
consideração que se tratam de jovens finalistas do Ensino Médio, esse resul-
tado é bastante pertinente e adequado, os jovens estão prontos para investir 
na carreira escolhida.
Karen Cibely da Silva Morais, Josimar Maciel Cordeiro, Fabiana Soares Fernandes, Greicy Oliveira Nascimento, Lenilda Molina Guerreiro Reis
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Em consonância com essa etapa do desenvolvimento vocacional, encon-
tramos que o Otimismo está relacionado com o Investimento Vocacional, de 
forma que quanto mais otimista o aluno, mais ele está disposto a investir 
numa carreira profissional. Ou seja, sua crença em que coisas boas vão acon-
tecer, sua visão positiva em relação ao futuro, está funcionando como força 
propulsora em suas decisões, no caso específico a que se refere esse trabalho, 
está facilitando o \u201cinvestir em um querer\u201d.
A segunda maior média nos informa que os jovens estão em \u201cExploração\u201d, 
o que significa que ainda estão buscando inteirar-se com as possiblidades de 
formação profissional, ou seja, estão analisando e avaliando as várias alter-
nativas possíveis. Esses