Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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inseparáveis, do desenvolvi-
mento humano. É uma etapa de transição em que já não se é mais criança, 
porém ainda não se tem status de adulto. De acordo com Coll, Marchesi, 
Palacios e Cols. (2004) a adolescência vem logo depois de um curto período 
de desenvolvimento chamado de puberdade, que é caracterizado pelo apare-
cimento dos caracteres sexuais. 
A adolescência é o período, portanto, em que o jovem enfrenta várias 
tarefas evolutivas entre elas a escolha profissional. A partir desse fato, temos 
a percepção de que os estudantes nessa fase do desenvolvimento e etapa de 
ensino podem não estar totalmente aptos a gerir várias mudanças e escolha 
de profissão que lhes são, de certa forma, impostas pela sociedade. Portanto, 
Trabalho apresentado no I Congresso Ibero-Americano de Orientação de Carreira da ABOP / XII Simpósio Brasileiro de
Orientação Vocacional & Ocupacional, realizado de 16 a 19 de setembro de 2015 em Bento Gonçalves-RS, Brasil
Ueslana Azarak Moreira, Karen Cibely da Silva Morais, Greicy Oliveira Nascimento, Fabiana Soares Fernandes
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partindo desse pressuposto, foram levantadas questões como: de que modo 
se encontram os jovens humaitaenses no momento de escolha vocacional? 
Será necessária uma intervenção nesse processo de escolha para auxiliá-los? 
A partir dessas questões observou-se a necessidade de um estudo explorató-
rio sobre os jovens de Humaitá e essa investigação será essencial para uma 
discussão, ampliação e divulgação de estudos no meio científico.
O objetivo do trabalho foi investigar em que etapa do desenvolvimen-
to vocacional se encontram os jovens estudantes do ensino médio em uma 
escola do município de Humaitá \u2013 AM, bem como possíveis aspectos que 
estão influenciando esse processo. A fim de atender esse objetivo geral, a) 
foi caraterizado em que etapa do desenvolvimento vocacional os jovens se 
encontram; e b) investigou-se se o sexo se relaciona com o desenvolvimento 
vocacional.
Desenvolvimento vocacional
Quando Jean Piaget denominou a adolescência como o período das 
operações formais, estava afirmando que o sujeito está capacitado para 
formar conceitos qualitativos, porém abstratos, com relação ao amor, a jus-
tiça, a política e também a um fator muito importante do qual o futuro é 
dependente - o desenvolvimento vocacional, ou seja, que com essas novas 
habilidades introduzidas no seu desenvolvimento intelectual o adolescen-
te, além de encarar os novos, mais complexos e abstratos conteúdos acadê-
micos, também será capaz de refletir sobre si mesmo, sua realidade passada 
e seus planos para o futuro.
O desenvolvimento vocacional é um processo contínuo, que ocorre ao 
longo do ciclo vital e tende a ser resultado de uma interação entre o indivíduo 
e a sociedade em que este encontra-se inserido. Esse desenvolvimento tem 
grande ênfase na adolescência porque essa é a fase que se aproxima da toma-
da de decisões sobre vocação/profissão, pois como já discutido até o presen-
te, este é o período que está sob o impacto de múltiplas e fortes influências 
contextuais (Gonçalves, 2006).
Gonçalves (2006) trata dos diferentes modos de abordagens do de-
senvolvimento vocacional, apresentando teorias como a Naturalista, 
Contextualistas e Desenvolvimentais do Ciclo Vital.
A Perspectiva Naturalista, que predominou até o final do século XIX, de-
senvolvia fatores que determinavam o projeto de vida dos indivíduos (na-
tureza social, classe social, localização, profissão dos pais, sexo do filho); 
por exemplo, o filho de um artesão tenderia a ser artesão e o filho de um 
comerciante teria forte influência em suceder ao seu pai nessa atividade pro-
fissional. Logo o que determinava o seu futuro era a repetição de padrões dos 
grupos sociais, ou seja,
é o determinismo biológico do desenvolvimento vocacional que atribui as 
diferenças à natureza e não à história dos indivíduos, ou seja, à qualidade 
das experiências de vida a que o indivíduo está exposto e que influencia as 
suas escolhas (Coimbra, 1996 apud Gonçalves, 2006 p.13).
Desenvolvimento vocacional em estudantes do ensino médio | 57-65
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Por outro lado, as Perspectivas Contextualistas e Desenvolvimentais do 
Ciclo Vital, tendo como base a perspectiva do determinismo biológico, per-
mitiu a Super (1953) fazer alguns estudos e ajustar alguns traços com relação 
à vida e ao desenvolvimento vocacional. Gonçalves (2006, p. 21) afirma que o 
Desenvolvimento Vocacional é:
um processo contínuo que ocorre da infância para a adolescência, idade adul-
ta e velhice, porque os gostos, as aptidões profissionais e as condições de vida 
das pessoas mudam e evoluem com o tempo, a maturação e a experiência. 
As escolhas vocacionais referem-se ao um monte de decisões que surgem da 
interação entre a pessoa e a sociedade em que ela está integrada.
Ainda, para este autor, o processo do desenvolvimento vocacional pas-
sa por alguns estágios, dos quais teve relevância em nossa pesquisa foram: 
Exploração e Investimento. A Exploração de acordo com Super (1953 apud 
Gonçalves, 2006) é um dos estágios que antecedem a entrada no mundo do 
trabalho, caracterizado pela procura de informação do mundo profissional 
e das formações, ou seja, é a busca de informações, de conhecimento de si 
próprio e do mundo para orientar-se antes da tomada de decisão.
O indivíduo vive ciclos de exploração que envolve: (a) procura de informa-
ção; (b) processamento da informação, em que o sujeito analisa a informa-
ção em termos do conceito de si próprio e lhe atribui um significado pessoal; 
(c) avaliação dos deficit\u2019s bloqueadores de um investimento; (d) procura de 
informação e processamento da mesma; (e) sucessivas reduções de alterna-
tivas até chegar a uma escolha (Haren, 1979 apud Gonçalves, 2006 p. 43).
O Investimento, como o próprio nome descreve, é investir em um \u201cque-
rer\u201d. O \u201cinvestimento\u201d é uma dimensão que leva o sujeito a arriscar e compro-
meter-se consigo próprio na relação que constrói com os segmentos da rea-
lidade do mundo físico e social. Como sublinha Costa (1996 apud Gonçalves, 
2006, p. 49), \u201cO investimento é intrapessoal, é algo consigo próprio, tendo 
mais a ver com o querer, com os significados é, portanto mais afetivo\u201d. 
Blustein, Ellis e Devenis (1989 apud Gonçalves, 2006, p. 51), definem:
o investimento vocacional como o resultado de um processo sequencial que 
precede as actividades de planeamento e exploração; ou seja o investimen-
to (commitment) refere-se, em geral, \u201ca um sentimento de vinculação forte 
a um conjunto de crenças, ideias e orientações futuras...ou seja, uma firme 
ligação a um objetivo vocacional em termos de preferências profissionais.
Campos e Coimbra (1991 apud Fernandes, 2012, p. 234) destacam, por-
tanto, que a exploração e o investimento são processos que se compreendem 
juntos, pois a exploração vocacional não só prepara e conduz o indivíduo 
a novos investimentos, como interage com este investimento permitindo 
que se construa uma relação entre os investimentos atuais e futuros desse 
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indivíduo, que vai, por conseguinte, transformar as relações dele com o mun-
do, promovendo assim, o desenvolvimento. Portanto, os dois processos fun-
cionam com um ciclo sem fim, porque um compreende o outro de forma a 
desenvolver a vida profissional do indivíduo.
Ao longo da construção dos projetos profissionais, o jovem, além passar 
por momentos de exploração ou de investimento, também poderá passar por 
momentos de investimento sem exploração (foreclosure), que se subdividem 
em indivíduos que investem em uma carreira sem ter explorado, ou seja, in-
vestem em escolhas outorgadas por pessoas que lhes são significativas com 
pais, professores ou amigos (foreclosure em relação aos significativos), ou 
simplesmente apresentam uma tendência