Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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a excluir a exploração de outras 
alternativas (foreclosure tendência a excluir escolhas).
Os jovens que realizam escolhas outorgadas, normalmente provêm de con-
textos familiares demasiado apoiantes deixando pouco espaço para pro-
cesso de autonomia e exploração do mundo, gerando dependência entre os 
vários elementos da família. Estes sujeitos normalmente não se deixam 
questionar porque têm medo da exploração, são pouco autônomos e tem 
uma grande necessidade de aprovação social, por isso jogam sempre no 
seguro e garantido pelos significativos (Fernandes, 2014, p. 91). 
 Finalizando a combinação entre exploração e investimento, temos ainda 
jovens que nem exploram nem investem em uma carreira profissional, nos 
quais percebemos então a ausência de projetos profissionais (difusão). 
Algumas vezes podem apresentar algumas preferências profissionais, mas 
dão a impressão de que podem desistir facilmente se forem confrontados 
com outras opções. São sujeitos pouco motivados e descomprometidos com 
as escolhas e investimentos profissionais (Fernandes, 2014, p. 91).
A revisão da literatura indica ainda que moças e rapazes se comportam de 
maneira diferente no que diz respeito à exploração e investimento vocacio-
nais. Estudos como os de Faria, Taveira e Saavedra (2008) e Hutz e Badargir 
(2006) apresentam as meninas com maior indecisão, ansiedade e inseguran-
ça, o que pode leva-las a \u201cserem menos favoráveis à exploração, o que poderia 
assim comprometer seu processo decisório (Taveira, 2000), ou levá-las a ex-
plorar mais que os rapazes (Gonçalves, 2008) como uma forma de compensar 
essa insegurança\u201d (Fernandes, 2012, p. 90). Sobre a exploração vocacional, 
Sparta (2003) esclarece que \u201cas meninas dão mais importância às escolhas 
profissionais do que os rapazes e acreditam que explorando direta e indire-
tamente os mundos de formação e do trabalho irá ajudá-las no processo de 
escolha\u201d (citado em Fernandes, 2012, p. 150). 
Nesse mesmo sentido seguem os estudos de Neiva (2003) ao afirmar que 
as meninas \u201crealizam ações de exploração vocacional de forma mais autôno-
ma, responsável e independente, não se sentindo tão pressionadas como os 
rapazes em relação aos seus pares e significativos, na construção das suas 
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escolhas profissionais\u201d (citado em Fernandes, 2012, p. 151). A investigação 
de Fernandes (2012), realizada com jovens finalistas do ensino médio da ci-
dade de Manaus também encontrou diferenças entre meninos e meninas nas 
dimensões Foreclosure-SIG e Difusão.
Método
Esse estudo teve um caráter exploratório, transversal e quantitativo. Os 
dados coletados por meio de instrumento próprio, descrito a seguir, foram 
analisados com recurso à estatística descritiva e da Análise de Variância 
Univariada \u2013 ANOVA, com apoio do software estatístico SPSS. Diante dos 
objetivos deste trabalho, as variáveis dependentes (ou seja, aquelas que po-
dem sofrer alterações em função das variáveis independentes) em estudo 
foram as do desenvolvimento vocacional (investimento, exploração, difusão, 
floreclosure tendência a excluir escolhas e floreclosure em relação aos significa-
tivos-SIG). A variável independente em estudo foi o sexo. 
A amostra dessa pesquisa foi composta de 218 alunos, que frequentam o 
ensino médio de uma escola da rede pública no município de Humaitá-AM, 
de ambos os sexos (43 % do sexo masculino e 57 % do sexo feminino) com 
idades entre 15 e 24 anos.
No que diz respeito aos procedimentos, foi feito o contato com a escola 
prevista para a realização da pesquisa para pedir autorização para a aplicação 
do questionário, a mesma reservou o mês de abril para que esta coleta pudes-
se ser feita, os alunos foram informados sobre a mesma e no dia previamente 
combinado, os mesmos foram convidados a preencher o questionário, em 
sala e horário de aula, no qual descreveram suas opiniões a respeito das pro-
postas no questionário.
Instrumento
A fim de avaliar como os adolescentes constroem, exploram e inves-
tem nas suas escolhas profissionais, utilizamos a Escala de Exploração e 
Investimento Vocacional \u2013 EEIV-BR (Fernandes, Gonçalves & Oliveira, 
2014). Essa escala é um instrumento de autorrelato composto por 28 itens 
respondidos de acordo com uma escala do tipo likert de 6 pontos sendo(1) 
Discordo totalmente, (2) Discordo raramente, (3) Discordo às vezes, (4) 
Concordo raramente e (5) Concordo às veze, (6) Concordo totalmente, que 
operacionaliza o desenvolvimento vocacional nas seguintes dimensões: 
exploração, investimento, investimento sem exploração (Floreclosure- ten-
dência para a exclusão de opções e/ou investimentos outorgados) e ausên-
cia de exploração de investimento (difusão vocacional).
1. Exploração Vocacional: avalia os momentos de procura, questiona-
mento, moratória vocacional, na qual o adolescente se sente confrontado 
com várias possibilidades e alternativas face à escolha profissional (Campos 
& Coimbra, 1991). Um exemplo de item desta subescala é: \u201cNão conheço os 
cursos superiores existentes, mas isso não me incomoda\u201d.
Ueslana Azarak Moreira, Karen Cibely da Silva Morais, Greicy Oliveira Nascimento, Fabiana Soares Fernandes
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2. Investimento: avalia o processo psicológico em que o sujeito parte para 
a ação, ou seja, pela exploração do investimento o adolescente reconstrói o 
investimento atual (Campos & Coimbra, 1991). Um exemplo de item desta 
subescala é: \u201cDepois de ter falado com vários profissionais e de ter explorado 
informações, penso que sei o rumo a dar a minha vida profissional.\u201d
3. Difusão: este processo vocacional caracteriza aqueles sujeitos que 
nem exploram nem investem; face à construção de um projeto profissional 
estão indiferentes (Marcia, 1996 apud Fernandes, Gonçalves & Oliveira, 
2014). Ausência de projetos (os diffusers). Um exemplo de item desta su-
bescala é: \u201cTenho dificuldades em fazer escolhas quando disponho de vá-
rias opções\u201d.
4. Foreclosure, Tendência a Excluir Escolhas: é um processo que caracte-
riza o sujeito que faz investimentos sem ter realizado comportamentos de 
exploração vocacional; tendência a excluir a exploração de outras alternati-
vas (Blustein, Ellis, & Devenis, 1989 apud Fernandes, Gonçalves & Oliveira, 
2014). Um exemplo de item desta subescala é: \u201cAcho que existe um único 
projeto profissional adequado para mim\u201d.
5. Foreclosure, em Relação aos Significativos: caracteriza o sujeito que faz 
investimentos sem ter realizado comportamentos de exploração vocacional, 
procurando realizar os projetos outorgados pelos outros significativos como 
pais, professores e amigos. Um exemplo de item desta subescala é: \u201cAcho que 
o único curso e profissão que quero são aqueles que os meus pais sempre 
valorizaram\u201d.
Resultados
No que diz respeito à etapa do desenvolvimento vocacional em que 
se encontram os jovens de Humaitá, constatamos que a maioria está em 
Investimento (M=4.25). A segunda maior média demonstra que os alunos 
estão na dimensão Exploração (M=3.20), isto é, ainda estão buscando in-
teirar-se mais com as possiblidades de formação profissional. Na sequência 
temos as dimensões Foreclosure Tendência a Excluir Escolhas (M=2.98), e 
Foreclosure em Relação aos Significativos (M=2.12). Um menor número de 
alunos encontra-se em \u201cDifusão\u201d (M=1.95). Conforme pode ser observado 
na figura abaixo.
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Sobre se o sexo influencia o desenvolvimento vocacional constatou-se o 
resultado estatisticamente significativo em relação às dimensões Difusão e 
Foreclosure em relação aos Significativos (Traço Pillai = .15; F(6,3116)=6,33; 
p < .001; \u3b7²p = .158; \u3c0 = .99), apontando para uma maior Difusão apresen-
tada pelo sexo masculino (M=2.35) e também na dimensão Foreclosure em 
relação aos Significativos (M=2.30). 
Discussão