Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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Livro I Congresso Ibero Americano ABOP Rev04 (com marcadores)


DisciplinaOrientação Profissional651 materiais4.225 seguidores
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de concentração em Psicologia em Saúde e Desenvolvimento 
pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP), sob orientação da Profa. Dra. 
Lucy Leal Melo-Silva. laumarangoni@gmail.com
2 Graduada e bacharel em Psicologia pela FFCLRP/USP; realizou a Capacitação Técnica no Hemocentro de Ribeirão Preto; Assistente de 
Recurso Humano da micro empresa online Self English; Mestranda pela FFCLRP em Psicologia em Saúde e Desenvolvimento, orientada 
pela. Lucy Leal Melo-Silva, na área de Orientação Profissional. alienelago@msn.com
3 Psicóloga; livre docente pela USP (Ribeirão Preto); docente na Graduação e Pós-graduação em Psicologia da FFCLRP/USP. É responsável 
pela área de Orientação Profissional na FFCLRP/USP, na qual desenvolve pesquisa, ensino e extensão. Membro da ABOP e da IAEVG. 
Coeditora da Revista Brasileira de Orientação Profissional. Pesquisadora CNPq. lucileal@ffclrp.usp.br 
O adolescente vivencia um processo de transitoriedade permeado por 
muitas dúvidas e angústias, em uma fase de vida cuja principal tarefa de 
desenvolvimento consiste na construção da identidade pessoal e profissio-
nal. Erikson (1994) descreve essa fase como um momento de ligação entre 
o passado e o futuro, entre o que se era (papéis e habilidades construí-
dos) e o que se gostaria de vir a ser. É um momento em que o jovem terá 
que confrontar-se com as mudanças biológicas e sociais (Bordão-Alves & 
Melo-Silva, 2008). A resolução positiva desse momento de crise resultaria 
em um crescimento saudável, possibilitando a continuidade para o está-
gio seguinte (Almeida & Pinho, 2008). A identidade profissional constitui 
um dos pilares da identidade pessoal (Bordão-Alves & Melo-Silva, 2008). 
Ambas seriam influenciadas pelas identificações feitas ao longo da vida 
pelo indivíduo, levando em conta tanto dimensões sociais (mercado de 
trabalho, expectativa da família) quanto dimensões individuais (preferên-
cias individuais, habilidades) sendo, assim, uma das principais tarefas de 
Trabalho apresentado no I Congresso Ibero-Americano de Orientação de Carreira da ABOP / XII Simpósio Brasileiro de
Orientação Vocacional & Ocupacional, realizado de 16 a 19 de setembro de 2015 em Bento Gonçalves-RS, Brasil
Laura de Oliveira Marangoni, Aliene Lago, Lucy Leal Melo-Silva
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desenvolvimento da adolescência (Almeida & Pinho, 2008, Bordão-Alves & 
Melo-Silva, 2008).
Diante da multiplicidade de profissões e das transformações constan-
tes no mundo em geral, o processo de construção da identidade pessoal 
(Almeida & Pinho, 2008) e, por conseguinte, a escolha da carreira, torna-se 
um processo complexo. Nesse ponto, a Orientação Profissional (OP) pode 
auxiliar os adolescentes quanto à tomada de decisões, a partir da promoção 
da capacidade de reflexão sobre influências, possibilidades, consequências e 
riscos, permitindo uma escolha autônoma e esclarecida (Melo-Silva, 2005; 
Jenschke, 2003; Almeida & Melo-Silva, 2006; Silva, Ourique, Oliveira, Reis, 
& Lassance, 2008). Contudo, assim como o mundo está se transformando 
constantemente, a OP também vem passando por mudanças tanto nos re-
ferencias teóricos que a embasam quanto em seus modelos de intervenção. 
Tais modificações têm o objetivo de acompanhar as transformações globais 
e de abarcar o processo de construção da carreira em sua totalidade. Atentos 
a estas transformações, Melo-Silva, Lassance e Soares (2004) salientam que 
teve um aumento na procura por intervenções na área de OP, sobretudo nes-
ta fase de transição entre Ensino Médio e Ensino Superior. A partir dessas 
crescentes demandas, também se faz necessário investir na avaliação de tais 
intervenções para a produção e compartilhamento de estratégias de qualida-
de e mais eficazes. Contudo, há falta de um modelo único de avaliação que 
seja aplicável a todas as práticas existentes (Alonso & Melo-Silva, 2013). Isso 
acontece, pois os programas de OP podem divergir quanto às especificidades 
culturais/sociais/regionais, aos objetivos e ao sistema metodológico (Alonso 
& Melo-Silva, 2013, Whiston e Buck, 2008).
Uma estratégia utilizada por muitos pesquisadores, como nota-se na li-
teratura, é utilizar os registros dos resultados finais das intervenções de OP 
como uma possibilidade de averiguar a eficiência da intervenção. Um exemplo 
desta estratégia foi utilizada por Almeida e Melo-Silva (2006) em um estu-
do no qual foram avaliadas as respostas a um instrumento misto (questões 
abertas e fechadas) de participantes de um processo de OP atendidos em um 
Serviço de Orientação Profissional entre os anos de 1994 e 2000. As pergun-
tas focalizavam a avaliação de três dimensões de análise: inputs, processos e ou-
tputs. Os inputs envolveriam as condições oferecidas pelo serviço (localização, 
local/sala de atendimento, inscrição no serviço, primeira entrevista, duração 
do atendimento, dentre outros aspectos); o processo abordaria as atividades 
desenvolvidas, a interação com o psicólogo-estagiário, a interação com os de-
mais participantes do grupo, dentre outras; e os outputs seriam aos resultados 
obtidos através da OP, ou seja, a maturidade, as influências percebidas para 
a tomada de decisão profissional e como o processo auxiliou na resolução de 
problemas e no desenvolvimento de habilidades para a organização da cons-
trução da carreira. Outro exemplo é a pesquisa de Moura, Sampaio, Gemelli, 
Rodrigues e Menezes (2005). A fim de avaliarem se o programa (comporta-
mental) foi eficiente, tais estudiosos utilizaram uma entrevista individual 
pós-OP que envolveu alguns instrumentos: EMEP, Inventário de Satisfação 
do Consumidor e Questionário de Avaliação do Programa. 
A eficiência da orientação profissional | 67-73
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Assim sendo, este estudo objetiva avaliar a eficiência da intervenção em 
Orientação Profissional (OP) a partir dos dados registrados em prontuá-
rios sobre a decisão de carreira de participantes egressos de um Serviço de 
Orientação Profissional (SOP) ao término de um processo de intervenção.
Método
Participantes
A população escolhida foi de egressos do Serviço de Orientação 
Profissional (SOP), do Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada (CPA), na 
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da 
Universidade de São Paulo (USP), entre os anos de 2004 a 2009. O deli-
neamento de tempo escolhido teve como base os objetivos do projeto de 
Mestrado, ao qual este recorte de pesquisa está vinculado. Além disso, fo-
ram definidos como critérios os egressos do processo de OP da modalidade 
Grupo, uma vez que o número é maior de egressos nesta modalidade e pela 
técnica grupal demonstrar melhor suporte psicológico a esse público-alvo 
por conta do processo de identificação e reconhecimento de seus problemas 
nos outros (Soares, Krawulski, Dias & D´Avila, 2007). Além disso, foram 
selecionados aqueles que na época da inscrição cursassem o Ensino Médio 
ou algum curso preparatório para vestibular. 
Caracterização do Serviço de Orientação Profissional e do processo 
em grupo
O Serviço de Orientação Profissional (SOP) é oferecido pelo Departamento 
de Psicologia, da FFCLRP/USP e seus atendimentos são realizados por es-
tagiários do 5º ano da graduação em Psicologia como parte das atividades 
de formação prática profissional. O processo de OP em Grupo tem duração 
aproximada de 10 a 12 sessões, sendo planejadas com base nos conteúdos 
emergentes de cada grupo, centrando-se principalmente em seis eixos temáti-
cos: vestibular, autoconhecimento, escolha, estudos, informação sobre as car-
reiras, mundo do trabalho e as formas de acesso à universidade. As técnicas 
de apresentação e aquecimento baseiam-se, sobretudo, em Soares-Lucchiari 
(1993) e Pelletier (1982). Contudo, algumas técnicas são criadas ou adaptadas 
pelos estagiários tendo em vista as especificidades de cada grupo (Melo-Silva, 
2005).