Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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de que forma estaria associado àquela 
atividade externa dos estudantes.
Após a seleção e análise dos onze trabalhos, optou-se pela construção 
de um quadro descritivo, visando a melhor compreensão das experiências 
neles relatadas, bem como permitiu analogias e inferências que resultaram 
na produção deste texto.
Programas de orientação profissional identificados
De acordo com o levantamento realizado pelas autoras, verificou-se a 
ênfase dos pressupostos teóricos no construtivismo, havendo também pro-
postas de programas baseados nas perspectivas sociohistórica, sociointera-
cionista e sociocognitiva. A teoria de Super, num modelo desenvolvimentista 
foi também utilizada em um dos relatos de experiências analisados.
Os modelos teóricos adotados se confundem com referenciais em edu-
cação, como o construtivismo, apesar da existência de teorias específicas em 
orientação profissional, a exemplo do enfoque decisional cognitivista e do 
enfoque psicodinâmico. Autoconhecimento, o mundo do trabalho e informa-
ção sobre as profissões são temas comuns aos programas analisados. 
Os relatos de experiências selecionados para este trabalho ocorreram 
na maioria tendo como público estudantes do Ensino Médio, observando-
-se também programas realizados desde a educação infantil até o ensino 
fundamental II. Assim, a faixa etária da maior parte dos participantes está 
compreendida entre 14 e 17 anos de idade. Estes estudantes são na maioria, 
oriundos das classes média e alta, sendo que um dos programas analisados 
tem como participantes jovens de diferentes classes sociais.
No que se refere aos Estados onde ocorreram os programas de Orientação 
Profissional, as autoras constataram uma concentração de publicações nas re-
giões Sul e Sudeste, sendo a maioria no Estado do Rio Grande do Sul. Cabe uma 
reflexão sobre de que forma estimular relatos de programas desenvolvidos nas 
demais regiões do país, de forma a fomentar a cultura da orientação profissio-
nal nas escolas brasileiras e legitimar o lugar do orientador nestas instituições.
continuação
Práticas de orientação profissional | 75-81
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No que se refere à duração dos programas, boa parte deles se estendeu 
por cerca de seis a sete meses, com encontros quinzenais, de 60 a 90 minu-
tos, perfazendo uma média de 25 horas no total. Os trabalhos foram reali-
zados na maioria em grupo, sendo que alguns adotaram a sistemática mista, 
priorizando atendimentos em grupo no primeiro momento e individual mais 
para o final do ano letivo.
Quanto ao formato dos programas de orientação, observaram-se varia-
ções tanto no que se refere à quantidade de alunos por grupo de trabalho, 
como nos tipos de atividades aplicadas, que iam desde dinâmicas de grupo, 
testes psicológicos e técnicas específicas, a contratação de palestrantes para 
pais e/ou alunos e atividades externas como visitas e entrevistas.
Os principais pontos de discussão levantados nos trabalhos analisados 
giram em torno do autoconhecimento, conhecimento do mundo do traba-
lho e do seu significado, estando aí incluídos os cenários econômico e social, 
além de informações sobre as profissões e processo decisório.
Verificou-se a condução dos trabalhos de Orientação Profissional por pro-
fissionais do Serviço de Orientação Educacional, sendo que em uma das esco-
las em parceria com o professor de ensino religioso e em outra por psicólogo 
externo à escola, no papel de coordenador do programa. Vale ressaltar ainda 
a participação do corpo docente em alguns programas de orientação voltados 
para atividades externas integradas a projetos de pesquisa e curriculares.
Sobre as referências às famílias, dentre os trabalhos analisados, uma es-
cola desenvolveu estratégias de ação para envolvimento dos pais no processo 
de escolha da profissão, tanto com relação ao apoio emocional, como auxílio 
nas pesquisas sobre as profissões e o diálogo permanente. Outra instituição 
de ensino abordou a importância da trajetória sociohistórica, entretanto, 
sem o envolvimento mais próximo da família. Um terceiro relato ressalta a 
expectativa de sucesso que os pais depositam nos filhos, mas também não 
mencionou ações que contemplem a participação da família no processo.
Em um dos trabalhos analisados observou-se o uso da terminologia 
\u201cComunidade Escolar\u201d como uma instância em que os pais foram inseridos 
no processo dando apoio a atividades práticas, a exemplo de parcerias para 
visitas a grandes indústrias e universidades.
Em todos os trabalhos analisados está presente a compreensão do papel 
exercido pela escola no processo decisório a ser vivido pelos alunos, rumo ao 
início da vida profissional: a escola tem um papel social a cumprir com seus 
alunos, contribui para o seu amadurecimento e visão crítica da realidade, é 
fonte de estímulo e motivação intrínseca dos alunos e deve ser um espaço 
social de suporte às ansiedades e conflitos nesta etapa de sua vida.
Tal constatação em relação ao papel da escola parece estar reforçada 
pela prescrição legal da Lei de Diretrizes e Bases \u2013 9.394/1996 (LDB) e do 
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil \u2013 Conhecimento de 
Mundo (RCNEI). Segundo essas proposições: é possível desenvolver, desde 
a infância, uma visão de mundo que propicie a construção paulatina do que 
vem a ser considerado adiante um projeto de vida; a escola deve estar vin-
culada ao mundo do trabalho; o papel do professor envolve a exploração de 
Sílvia Teles, Tatiana Lima, Celeste Maurício
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representações profissionais nas suas disciplinas; fatos e informações devem 
auxiliar a compreensão do aluno acerca dos cenários de trabalho.
Considerações finais 
A análise dos onze programas de Orientação Profissional permitiu às 
autoras uma imersão nas práticas adotadas nas instituições de ensino, de 
forma a visualizar o processo vivenciado pelos alunos, a partir do empenho 
dos profissionais e equipes em de fato propiciar aos jovens as condições para 
a maturação de escolhas.
Neste contexto, verifica-se no conjunto o papel do orientador educacio-
nal de alavancar os processos OP na escola, na organização das atividades, 
na articulação do modelo teórico, na viabilidade e formação de equipe de 
trabalho junto aos alunos. 
Ao apreender a dinâmica de funcionamento das propostas de trabalho, 
verificou-se a existência de programas que incluem atividades processuais 
dos jovens para a construção e produção de saberes na inter-relação com pes-
soas e processos. Um exemplo é a viagem feita por alunos, cuja programação 
incluiu tarefas curriculares ao mesmo tempo em que mantiveram contato 
com profissionais de diferentes empresas e indústrias e, ao retornarem pre-
param um simpósio interclasse para relatarem os conteúdos adquiridos e 
experiências vivenciadas. Um segundo exemplo refere-se ao exercício da es-
colha de alunos do ensino médio, desde a primeira série, quando devem op-
tar por disciplinas eletivas e realizar projetos científicos de interesse pessoal, 
lhes sendo facultado permanecer com o tema inicial ou realizar outra escolha 
por nova área de conhecimento. Tais programas apontam para uma natureza 
multidisciplinar ou transversal, de modo que possibilita ao aluno amadure-
cer no processo de decisão a partir não só de uma perspectiva construída 
subjetivamente, mas de estímulos provenientes de diversas direções do seu 
entorno, que lhe permitem protagonizar de forma mais concreta o momento 
vivenciado. Aos programas desta natureza as autoras optam por denominar 
de Programas Multidirecionais.
Por outro lado, constata-se a existência de outra categoria de programas, 
cujas atividades são organizadas de modo a municiar o aluno de informações 
e atividades que giram em torno da absorção de conteúdos, visando uma 
decisão mais racional, tendo como sentido único o aluno na sua subjetivida-
de; o processamento do que é proposto é dele e nele