Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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o ingresso no mercado de trabalho 
vem marcado com a ideia de que o trabalho é o fato social que, mais claramente, 
evidencia a exclusão social. Não somente pelas filas cotidianas de desemprega-
dos nas ruas, ou nas telas de televisão, mas, também, porque existe uma forte 
identificação com o projeto da sociedade, para o qual o trabalho assalariado 
se caracteriza como central porque é um trabalho protegido. Protegido, por-
que prevê férias, décimo terceiro, seguro desemprego, aposentadoria \u2013 o que, 
de certa forma, tranquiliza. Assim, para se manterem incluídos socialmente, 
adolescentes buscam, sem muito questionar, cursos de qualificação e requali-
ficação para o trabalho. Isto, segundo Frigotto (2005), representa uma ilusão, 
pois esses cursos geram, atualmente, muito mais uma promessa de empregabi-
lidade do que a garantia de uma vaga ou posto de trabalho. 
Escolha profissional na adolescência | 83-90
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 Os ideais de felicidade que são vinculados e a realização profissional são 
elementos muito fortemente presentes na escolha profissional. Esses ele-
mentos são extremamente complexos porque o projeto pessoal nem sempre 
está adequado ao mercado de trabalho. O ideal de realização no trabalho vai 
muito além dos interesses pessoais como satisfação financeira, status social, 
porque há toda uma dimensão social que implicada na vida do sujeito. É pos-
sível verificar no grupo esse aspecto, pois 83,3% dos adolescentes da amostra 
afirmam ser a realização profissional o fator mais importante para escolha 
de uma profissão, sobrepondo-se à influência familiar e financeira. Isso é re-
levante, na medida em que esse aspecto, muitas vezes, é desmerecido nas 
discussões, pois se aposta muito na dedução de que é o campo financeiro ou 
econômico que decreta as escolhas. 
Por fim, importa destacar que a escolha profissional envolve muitos as-
pectos. É preciso estar atento, pois há elementos que a escola pode explo-
rar mais e, acima de tudo, é importante reconhecer de que a adolescência 
pressupõe compreensão e acolhimento, atitudes que podem estar mais for-
temente presentes no mundo adulto favorecendo a escolha profissional dos 
adolescentes.
Considerações finais
A Sensibilização para a Escolha Profissional na Adolescência é um projeto de 
extensão que desenvolve atividades sobre a escolha profissional na adoles-
cência junto às escolas de ensino médio e, desse modo, analisa os fatores im-
plicados nesse momento da vida, aprimorando assim, de modo significativo, 
o conhecimento sobre o mundo do trabalho, favorecendo assim uma escolha 
profissional mais adequada. 
Partimos do pressuposto que a escolha profissional implica considerar 
inúmeros aspectos, mas a adolescência e o trabalho são determinantes. 
Neste sentido, percebemos que os fatores como: a falta de clareza sobre a 
carreira, os medos e as dúvidas, as exigências para o ingresso no mercado de 
trabalho, os ideais de felicidade que são vinculados, a realização profissional, 
entre outros preocupam os adolescentes. Há muitas opções no campo pro-
fissional, e isso têm criado ainda mais dificuldades de escolha para alguns; 
para outros a gama de possibilidades favorece a decisão, pois alarga a pro-
babilidade de acertar na escolha das aspirações. Assim, uma alternativa que 
desencadeamos é aprofundar os conhecimentos através de oficinas, palestras 
e discussões, modos esses, que auxiliem na escolha que favorece a realização 
pessoal e profissional.
É desafiador, porém, segundo Marques (1995), as condições básicas da 
aprendizagem se dão, no concreto da história, na realidade inscrita no aqui 
e agora da vida cotidiana. Mais do que das abstrações da ciência, os conhe-
cimentos emergem do interior da experiência vivida no espaço onde esta-
mos. Portanto, a base da existência humana é, efetivamente, aprender as 
lições mais simples da vida. Saber viver e conviver com os contextos sociais, 
culturais, religiosos, políticos exige aprender e reaprender todos os dias. 
Hedi Maria Luft, Juliane Mittelstadt Boaventura, Silvia Cristina Segatti Colombo
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Estar aberto às provocações, assumindo os desafios que a prática profissional 
e existencial apresenta. 
A escolha profissional é elemento identificatório daí entende-se e se jus-
tificam os sentimentos de medo e dúvida que os adolescentes enfrentam e 
convivem neste processo de escolha. A amostra possibilitou criar estratégias 
de mobilização junto as escolas, no sentido de estas compreenderem a rele-
vância do trabalho de formação dos alunos e, a necessidade de um processo 
de orientação permanente, em relação à escolha profissional. Portanto, o tra-
balho de orientação profissional nas escolas possibilita uma maior referência 
de informações aos adolescentes no sentido destes ter mais referenciais para 
uma escolha mais satisfatória. \uf06e 
REFERÊNCIAS
Albornoz, Suzana (2004). O que é trabalho? 6.ed. São Paulo: Brasiliense.
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www.psicologianova.com.br/adolescencia-para-winnicott-tjsp/> 
Rassial, Jean-Jacques. (1997). A passagem do adolescente: da família ao laço social. Porto Alegre: Artes e Ofícios.
SUCESSO NA TRANSIÇÃO
UNIVERSIDADE-TRABALHO:
UMA PROPOSTA PSICOSSOCIAL
PARA PESQUISA E INTERVENÇÃO
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PARTE 1
INVESTIGAÇÕES E ENSAIOS TEÓRICOS
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Marina Cardoso de Oliveira1, Lucy Leal Melo-Silva2, Maria do Céu Taveira3
1 Psicóloga e professora do curso de Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Doutora em Psicologia (FFCLRP-
USP). Pesquisa temas associados à transição universidade-trabalho e sucesso na carreira. Tem artigos publicados na Revista Brasileira de 
Orientação Profissional e Avaliação Psicológica. mco.uftm@gmail.com
2 Psicóloga, docente da Graduação e da Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto 
(FFCLRP-USP). Membro da Associação Brasileira de Orientadores Profissionais (ABOP) e da International Association Educational 
Vocacional Guidance (IAEVG). Editora da Revista Brasileira de Orientação Profissional. Autora de livros na área da Orientação Profissional 
e Formação em Psicologia. Pesquisadora CNPq. lucileal@ffclrp.usp.br
3 Psicóloga, docente da Graduação e Pós-Graduação em Psicologia da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Portugal. 
Seus interesses de pesquisa incluem exploração de carreira, ajustamento de carreira, e eficácia de intervenções de carreira. Suas 
pesquisas têm sido publicadas em revistas como Journal of Vocational Behaviour, Educational Review e Social Indicators Research. 
mceuta.cunha@gmail.com
O presente estudo focaliza diferentes possibilidades de transição na carreiraa.