Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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a novos in-
vestimentos, como interage com este investimento permitindo que se cons-
trua uma relação entre os investimentos atuais e futuros desse indivíduo, 
que vai, por conseguinte, transformar as relações dele como o mundo, pro-
movendo assim, o desenvolvimento. (Fernandes, 2014, p.81).
Neste processo, o indivíduo é chamado para fazer explorações den-
tro das possibilidades que surgem através das profissões, utilizando de 
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seu autoconceito vocacional para assim tomar a decisão da carreira. Para 
Carvalho (1995 apud Moura 2011), o indivíduo deve ter conhecimento de si, 
levando em consideração suas aptidões, interesses, valores, medos, insegu-
ranças e expectativas, os quais irão fazer parte do processo de exploração de 
uma profissão. Nesse sentido, Bardagi (2010, p. 98) afirma que, 
autoconceito é um constructo próximo ao de identidade, o qual reúne as 
percepções que o sujeito possui sobre si mesmo e o qual organiza suas 
experiências ao longo da vida. O autoconceito é formado no desempenho 
dos diferentes papéis sociais e ocupacionais que cada um assume ao lon-
go da vida.
Para se investir em uma carreira, inicialmente o indivíduo explora a si 
mesmo e ao ambiente para poder fazer uma escolha, tomar uma decisão. A 
decisão da carreira é definida como a competência que um indivíduo possui 
em realizar escolhas e comprometer-se com uma dada direção educacional ou 
vocacional (Osipow, Carney & Barak, 
1976 apud Teixeira & Gomes, 2005). É a capacidade que a pessoa tem de 
identificar seus interesses dentro de certa profissão, traçando assim obje-
tivos profissionais e estratégias, planos aos quais quer alcançar (Teixeira & 
Gomes, 2005). Para dar base emocional a essas decisões, um construto tem 
sido estudado pela Psicologia Positiva, o otimismo.
A Psicologia Positiva é um termo recém criado dentro do campo psicoló-
gico científico, tendo um olhar voltado para o despertar de condutores como 
a resiliência, esperança, bem-estar subjetivo e otimismo (Rojas & Marin, 
2010, apud Ottati, 2014). Partindo dessa teoria, e conceituando o otimismo, 
podemos dizer que é um fenômeno psicológico distinto pelo fato de ter um 
olhar positivo para a realidade apesar de vê-la desfavorável. Scheier e Carver 
(1985 apud Cordeiro, Fernandes & Mascarenhas, 2014) definem o otimismo 
como uma disposição do indivíduo em avaliar as situações a que é exposto, 
\u201ccaracteriza-se por expectativas positivas generalizadas sobre eventos futu-
ros\u201d (p.364). Silva (2011) reforça essa teoria ao conceituar o otimismo como 
\u201cuma capacidade do indivíduo de julgar tudo da melhor maneira possível, 
como uma tendência para achar que as coisas irão ficar bem, de forma que 
o otimista, dentro desta concepção, torna-se uma pessoa mais esperançosa 
e ativa\u201d (p. 108). 
Esperar ter resultados positivos, desenvolver a habilidade de pensar que 
tudo vai dar certo no decorrer de uma situação negativa é uma reação que o 
otimista tem ao se deparar com eventos desgostosos e ruins, uma vez que 
acredita que tudo vai dar certo a seu favor. Desta maneira, se o ser humano en-
tender que o amanhã pode ser melhor, estará sendo otimista (Mascarenhas, 
Lira & Vieira, 2013). Em postura oposta temos o pessimista, que tem um 
olhar negativo diante de situações adversas, por acreditar que nada em sua 
vida dará certo (Cordeiro, Fernandes & Mascarenhas 2014). Apostar em um 
amanhã com realizações positivas é favorável e provedor, mas nem todas as 
pessoas tem um olhar positivo diante de um evento negativo, é claro, que se 
Josimar Maciel Cordeiro, Fabiana Soares Fernandes, Lenilda Molina Guerreiro Reis, Ueslana Azarak Moreira, Greicy Oliveira Nascimento
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todos aprendessem ser otimistas viveriam bem, esperariam sempre um ama-
nhã melhor, mas será que existe uma maneira de aprender a ser otimista? 
Com quem aprendemos a ser otimistas? 
Autores como Hasan e Power (2002 apud Weber, Brandenburg & Viezzer, 
2003) enfatizam que as pessoas em suas relações aprendem a ser otimistas 
primeiramente pela influência do comportamento dos pais. Desde sua in-
fância o ser humano tem a capacidade de desenvolver esse sentimento/com-
portamento positivo dependendo de que o ambiente onde ele está inserido 
contribua para isso. O otimismo, portanto, pode ser aprendido. O indivíduo 
pode ser educado para ser otimista de forma que \u201cmuitas vezes os pais são 
atuantes para criar o otimismo em seus filhos, os pais que entendem o fracas-
so de seus filhos e trabalham com fatores externos em vez de internos. Assim 
mostram a seus filhos uma forma adaptativa de encontrar desculpas para o 
problema\u201d (Cordeiro, Fernandes & Mascarenhas 2014, p.365).
Diante do exposto, percebemos que o otimismo é um condutor po-
sitivo, enquanto o pessimismo é um condutor negativo. Nesse sentido, 
Ottati (2014), referenciando Peterson (2000) afirma que: \u201co otimismo 
envolve componentes cognitivos, emocionais e motivacionais. Pessoas 
altas em otimismo tendem a ser mais perseverantes e bem-sucedidas, a 
apresentar mais bom humor e a experienciar melhor saúde física e men-
tal\u201d (p.21). Nessa perspectiva, se o otimismo torna o indivíduo mais 
perseverante, podemos acreditar que ele irá influenciar positivamente o 
desenvolvimento vocacional.
 
Método
Partindo da revisão da literatura apresentada, o objetivo desse estudo foi 
avaliar o desenvolvimento vocacional de estudantes do curso de licenciatura 
em Pedagogia da Universidade Federal do Amazonas, e analisar se o otimis-
mo influencia esse desenvolvimento.
Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e transversal com a 
participação de 97 alunos sendo 83.5 % do sexo feminino, com idades entre 
18 e 44 anos, que estão frequentando o 2º, 4º, 6º e 8º períodos do curso de 
licenciatura em Pedagogia em Humaitá-AM. 
Os dados coletados foram analisados com recursos à estatística descri-
tiva e da Análise de Variância Multivariada \u2013 MANOVA. Para a coleta dos 
dados foi utilizado parte do Students Career Construction Inventory \u2013 S.C.C.I. 
(Savickas, M. L., 2008; traduzido e adaptado à população Portuguesa por 
Rocha, Oliveira & Azevedo, 2009). Foram selecionados 14 itens voltados para 
o desenvolvimento da carreira, agrupados em duas dimensões \u201cPreocupação 
com a carreira-PC\u201d (implica nas minhas preocupações em relação ao futuro 
profissional, e tem afirmativas como: \u201cTenho consciência das escolhas educa-
cionais e profissionais que tenho de tomar\u201d e \u201cCuriosidade pela carreira-CC\u201d 
(implica na exploração do ambiente que me rodeia e tem afirmativas como: 
\u201cImagino como será o meu futuro\u201d), a serem respondidos com uma escala de 
6 pontos do tipo Likert. 
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O Otimismo foi avaliada a partir da Escala sobre Otimismo (Barros, 
1998) a qual apresenta 4 afirmações que o avaliado irá julgar em que grau 
concorda ou discorda, numa escala tipo likert de 5 pontos.
Resultados e Discussão
 
Em relação ao otimismo, percebemos que os estudantes apresentaram 
médias elevadas (M=4.31). Levando em conta que esse comportamento/
sentimento é promotor de bem estar físico e emocional, podemos deduzir 
que os universitários que participaram desse estudo estão emocionalmente 
bem, dispostos a seguir sua formação e com expectativas positivas quanto ao 
futuro profissional que os aguardam.
Da MANOVA realizada entre as dimensões do desenvolvimento vocacio-
nal (Preocupação com a Carreira e Curiosidade pela Carreira) e Otimismo 
detectou\u2013se uma relação estatisticamente significativa (p=.024) de forma 
que Otimismo as influencia positivamente. Entre os 81.31 % dos estudan-
tes com as maiores médias em Otimismo (entre 4 e 5), apresentaram níveis 
elevados de \u201cPreocupação com a Carreira\u201d, com pontuações médias compre-
endidas entre 4.97 e 5.42. De mesma foram essa influência