Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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custos implicados (Cohen 
& Franco, 2012; Costa & Castanhar, 2003; Rebolloso et al., 2008). 
Apesar da distinção conceitual entre eficiência e eficácia, Cohen e Franco 
(2012) apontam que não é possível dissociar um critério de outro, pois como 
os recursos sociais são limitados, é esperado aumentar a eficiência de pro-
gramas sociais do mesmo modo que é almejado incrementar a eficácia na 
consecução dos objetivos. Mesmo assim, os autores alertam para o fato de 
ser comum a ausência de controle e do uso de metodologias de avaliação. Na 
prática, isso impede que os gestores optem pelas alternativas mais econômi-
cas para alcançar os objetivos, deixando de efetuar o acompanhamento que 
permita reorientar um programa ou projeto quando julgarem que os objeti-
vos não estão sendo atingidos.
O momento em que se realiza a avaliação de um programa define distin-
tos tipos e propósitos da avaliação. A Tabela 1 apresenta alguns dos prin-
cipais tipos, objetivos, funções e estratégias metodológicas de avaliação 
referentes a cada um desses momentos. Apesar dessa divisão, ressalta-se 
que a avaliação é uma atividade permanente que acompanha todas as fases 
da política pública (Carvalho, 2003) ou de um programa social, cujas etapas 
estão interligadas e são interdependentes (Stufflebeam & Shinkfield, 2007; 
Rebolloso et al., 2008).
Avaliação de programas sociais de trabalho | 15-28
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TABELA 1
Tipo, Objetivo, Função e Metodologia de Avaliação de Programas
Nota. Adaptado de Aguilar & Ander-Egg (1994); Cohen & Franco (2012); Fernández-Ballesteros (1996); Rebolloso et al. (2008); Rossi, Lipsey & Freeman (2004); 
Stufflebeam & Shinkfield (2007)
Tipo Objetivo Função Metodologia
Contexto e
necessidades
Conhecer a realidade social 
e identificar o problema; 
identificar e priorizar 
necessidades
-
Observações; entrevistas 
individuais e em grupo; 
consulta a documentos 
Concepção teórica e 
metodológica
Identificar provável êxito do 
programa
Reformular ou não a 
proposta
Consulta a documentos 
e literatura científica; 
entrevistas; observação
Processo
Verificar se execução ocorre 
como planejado
Melhorar o programa
Entrevistas; observação; 
questionários
Resultado
Verificar se os resultados 
esperados foram obtidos
Decidir sobre a continuação 
ou não do programa
Entrevistas, questionários
Impacto
Identificar relação entre 
causa (programa) e efeito 
(resultados do programa)
Decidir sobre a continuação 
ou não do programa
Desenho experimental, 
quase experimental ou não 
experimental
O que a literatura científica nacional informa sobre a avaliação de 
programas sociais de trabalho destinados aos jovens?
A fim de contextualizar o surgimento dos programas sociais de trabalho 
destinados aos jovens na última década, é preciso lembrar que a virada do mi-
lênio suscitou a discussão sobre o papel estratégico da juventude no desen-
volvimento social e econômico sustentável (Organização das Nações Unidas, 
2003). Neste contexto, o trabalho representa um padrão de integração social 
e um meio de obter recursos em direção à conquista de autonomia e eman-
cipação dos jovens (Organização Internacional do Trabalho, 2008). Ao en-
contro dessa posição, o Brasil assume que o Estado tem o dever de garantir o 
acesso aos meios que permitirão o desenvolvimento integral dos jovens a fim 
de promover o desenvolvimento da sociedade tanto no presente quanto no 
futuro (Conselho Nacional de Juventude, 2006). 
No que tange à oferta de condições que favoreçam o ingresso dos jovens 
brasileiros no mercado de trabalho, diferentes programas foram sido implan-
tados a partir de 2003 (Gonzalez, 2009), momento em que iniciou o processo 
de institucionalização das políticas de juventude brasileiras (Brenner, Lânes 
& Carrano, 2005; Conselho Nacional de Juventude, 2011). De lá para cá, os 
principais programas sociais de trabalho executados em âmbito nacional são: 
(a) Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE), extinto 
em 2008; (b) Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), que 
entre 2007-2008 foi reformulado e transformado no ProJovem Integrado; 
e (c) Aprendizagem Profissional (Conselho Nacional de Juventude, 2011; 
Organização Internacional do Trabalho, 2009; Silva & Andrade, 2009). A se-
guir, descreve-se sinteticamente cada um deles.
O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) foi um 
dos programas de maior destaque do governo federal nos anos 2000. A im-
plantação do PNPE teve início no final de 2003 e seu encerramento aconteceu 
Ângela Carina Paradiso, Jorge Castellá Sarriera
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quatro anos depois. O objetivo principal era proporcionar aos jovens entre 
16 e 24 anos de idade a oportunidade de obter a primeira experiência de tra-
balho formal através da oferta de vagas de trabalho subsidiadas (Ministério 
do Trabalho e Emprego, 2005). 
Em 2005 a inclusão social dos jovens consolidou-se como dimensão nor-
teadora da Política Nacional de Juventude. O Programa Nacional de Inclusão 
de Jovens (ProJovem), implantado nesse ano, foi considerado um dos princi-
pais programas destinados à população jovem com baixa escolaridade e ren-
da (Secretaria Nacional de Juventude, 2010). Entre os anos 2007 e 2008 esse 
programa foi reestruturado e foi criado o ProJovem Integrado, o qual passou a 
comportar quatro modalidades denominadas de ProJovem Adolescente (15-
17 anos), Urbano, Trabalhador e Campo (18-29 anos). Exceto o ProJovem 
Adolescente, os demais programas do ProJovem Integrado articulam ob-
jetivos voltados à escolarização, qualificação profissional e/ou inserção no 
mercado de trabalho. O ProJovem Urbano tem como objetivo oportunizar 
a conclusão do ensino fundamental e oferecer qualificação profissional. O 
ProJovem Trabalhador visa à qualificação profissional a fim de preparar o 
jovem para o mercado de trabalho e para ocupações alternativas geradoras de 
renda, bem como busca fomentar a visão do empreendedorismo juvenil. O 
ProJovem Campo oferece qualificação profissional inicial em produção rural 
e estimula a conclusão ao menos do ensino fundamental (Conselho Nacional 
de Juventude, 2011). 
Por fim, a Lei da Aprendizagem (Brasil, 2005) regulamentou o contrato 
de trabalho especial entre o jovem aprendiz (entre 14 e 24 anos de ida-
de) e o empregador, com duração máxima de dois anos. De acordo com o 
texto da lei, a Aprendizagem Profissional pretende preparar o jovem para 
desempenhar atividades profissionais e, ao mesmo tempo, desenvolver sua 
capacidade de lidar com diferentes situações no mundo trabalho. A forma-
ção dos aprendizes deve estar sob a coordenação de entidades formadoras 
qualificadas para esse fim. A função do empregador é proporcionar ao jo-
vem aprendiz formação técnico-profissional através de atividades teóricas 
e práticas sistematicamente organizadas em tarefas de complexidade pro-
gressiva, desenvolvidas no ambiente de trabalho (Brasil, 2005; Ministério 
do Trabalho e Emprego, 2011). 
O Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), através da Comissão 
de Acompanhamento de Políticas e Programas (CAPP), divulgou um balanço 
das políticas de juventude brasileiras entre 2003-2010 (Conselho Nacional 
de Juventude, 2011) em que reconhece a ausência de informações específicas 
sobre a avaliação dos programas executados. Aliás, uma das recomendações 
finais do Conselho para as políticas na área do trabalho é a necessidade de 
\u201caperfeiçoar o sistema de informações sobre a situação social da juventude, 
bem como o monitoramento e avaliação das políticas\u201d (Conselho Nacional de 
Juventude, 2011, p. 46). 
A limitação de tempo relativo à execução dessas políticas \u2013 implantadas a 
partir de 2003 \u2013 pode explicar a escassez de estudos de avaliação consisten-
tes (Conselho Nacional de Juventude, 2006, 2011; Sposito, Silva & Souza, 
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