Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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Livro I Congresso Ibero Americano ABOP Rev04 (com marcadores)


DisciplinaOrientação Profissional651 materiais4.229 seguidores
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com desenvolvimento e performance de pessoas. Autora do Blog 20 E POUCOS, 20 E 
TANTOS. liviaantonelli@gmail.com
2 Psicóloga (UFMG), mestre em Administração (UFPR) e Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Docente 
do Departamento de Administração Geral e Aplicada da UFPR. Atua como Psicóloga Organizacional e leciona nas áreas de Gestão de 
Pessoas e Comportamento Humano. profsamantha.toledo@gmail.com
Pessoas que nasceram entre 1978 e meados de 1990 integram a denomina-
da Geração Y e são caracterizadas, segundo Oliveira, Piccinini e Bitencourt 
(2012), por um conjunto de comportamentos relacionados ao ritmo de mu-
dança, elevada interatividade, rapidez no acesso à informação e entendimen-
to de mundo. A Geração Y, diferente das gerações anteriores, Geração X e 
Baby Boomera, que viveram em uma conjuntura mais estável, nasceu e cresceu 
em um mundo em que a tecnologia avança de maneira acelerada propiciando 
o surgimento de um maior número de profissões e áreas de atuação no mer-
cado, o que diversifica as possibilidades de decisão relacionadas à carreira. 
Pesquisa realizada pela agência brasileira Box 1284 (2011), revelou 
que grande parte dos jovens que podemos caracterizar como da Geração 
Y, teve uma educação privilegiada, em escolas particulares de referência. 
Além disso, tiveram acesso a algumas oportunidades como o intercâmbio 
a A Geração X é constituída pelos nascidos de 1968 a 1978. Valorizam a qualidade de vida, horários flexíveis de trabalho e 
independência, preferem trabalhar sozinhos. A geração Baby Boomer é formada pelos nascidos de 1946 a 1967. Caracterizam-se 
por seguirem os valores tradicionais relacionados ao cumprimento de suas obrigações em relação à carreira. São leais à organização 
e valorizam o casamento, a educação e criação dos filhos. (Veloso, Silva & Dutra; 2011).
Trabalho apresentado no I Congresso Ibero-Americano de Orientação de Carreira da ABOP / XII Simpósio Brasileiro de
Orientação Vocacional & Ocupacional, realizado de 16 a 19 de setembro de 2015 em Bento Gonçalves-RS, Brasil
Livia Antonelli, Samantha de Toledo Martins Boehs
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e a facilidade ao acesso de informações (proporcionado pela internet). 
Muitos jovens da Geração Y são fluentes em até cinco idiomas, valorizam 
a diversidade, preocupam-se com questões sociais e acreditam nos direitos 
individuais. Eles também costumam ser mais criadores do que receptores, 
formar redes para alcançar objetivos e priorizar a vida pessoal em relação às 
questões profissionais (Rumblesperger & Toneli, 2011; Vasconcelos, Merhi, 
Goulart & Silva, 2010). 
No Brasil, a Geração Y não pode ser generalizada. De acordo com Oliveira, 
Piccinini & Bitencourt (2012), para muitos brasileiros o ensino superior 
ainda é um privilégio e a inserção digital um desafio. Dessa forma, o Brasil 
apresenta dois perfis de jovens da Geração Y: aqueles que, pela necessidade 
econômica, buscam a partir do trabalho prover recursos para si e/ou para a 
família, e outro, formado por jovens sem necessidade econômica iminente, 
interessados em constituir uma base sólida para a carreira. Em comum, esses 
jovens entendem a educação como importante para o futuro, buscam conci-
liar o estudo, a formação profissional e o trabalho, tanto em situações em que 
são privilegiados pelas condições econômicas de seus familiares, quanto pela 
necessidade e desejo de construir uma autonomia financeira.
Acostumados aos restaurantes \u201cfast-food\u201d, serviços 24 horas, fácil acesso 
à comunicação e ao compartilhamento de informações, a qualquer hora, de 
qualquer lugar, a Geração Y não aprendeu a esperar. Desta maneira, ao se de-
pararem com a realidade, muitos precisam do reconhecimento instantâneo, 
o que nem sempre é possível no ambiente de trabalho, gerando decepção e 
frustração com os desafios que lhes são apresentados (Hassler, 2008). 
Esses jovens estão inseridos nas organizações e divergem das gerações 
anteriores em relação aos motivos que levam a trabalhar, não considerando 
o principal fator para a busca e permanência no emprego apenas a seguran-
ça financeira. Segundo Vasconcelos et. al (2010), para os jovens, o trabalho 
é mais do que uma fonte econômica, deve também ser provedor de satisfa-
ção e aprendizado. 
Hassler (2008), afirma que 80% dos jovens americanos de 20 e poucos 
anos estão insatisfeitos com a vida e que os desapontamentos são decorrentes, 
principalmente, da carreira ou escolha profissional, dos relacionamentos e da 
situação financeira. A insatisfação está relacionada às altas expectativas em 
encontrar um emprego ideal e também aos desafios e situações indesejadas 
que surgem na carreira. Os jovens da Geração Y buscam encontrar um traba-
lho ideal, que tenha propósito, significado e que propicie a realização pessoal. 
Entretanto, ao se depararem com as adversidades e os contrastes entre o ideal 
e o real, os jovens se frustram, trocam de curso, de área de trabalho e, na maio-
ria das vezes, deixam os empregos visando novas oportunidades de trabalho 
em outras organizações ou de maneira independente. Esses comportamentos 
acabam propiciando percepções negativas sobre os jovens dessa geração. 
Rumblesperger e Tonelli (2011) argumentam que referências negativas 
à Geração Y no ambiente organizacional estão relacionadas à inexperiência, 
conflitos e desentendimentos, seja como superior ou subordinado. Segundo 
os autores, a arrogância e o individualismo também são características 
Significado do trabalho e geração | 123-131
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presentes nesses jovens, uma vez que para eles o ambiente competitivo tor-
nou-se comum, aliado ao espírito de urgência. 
Para Vasconcelos et. al (2010), a mudança de comportamento provocada 
pela Geração Y altera significativamente os critérios de carreira, promoção, es-
tabilidade e vínculo profissional, aspectos valorizados pelas gerações anteriores. 
O presente capítulo tem como objetivo compreender os elementos valo-
rizados e o significado do trabalho para a Geração Y a partir da análise dos 
depoimentos de 18 jovens dessa geração extraídos do Blog \u201c20 E POUCOS, 
20 E TANTOS\u201d.
Significado do trabalho e Geração Y 
As primeiras pesquisas sobre o sentido do trabalho iniciaram na década 
de 70, a partir dos estudos de Hackman e Oldhan (1975), dois psicólogos 
que relacionaram a qualidade de vida ao sentido do trabalho. Para eles, um 
trabalho que apresenta sentido deve ser importante, útil e legítimo para 
quem o executa. Nessa mesma linha, Morin (2001), ressalta três característi-
cas fundamentais que contribuem para dar sentido ao trabalho: a variedade 
das tarefas (que possibilita a utilização das competências do indivíduo), a 
identidade do trabalho (percepção da realização de uma tarefa do começo ao 
fim, responsabilizando-se pelo resultado do seu trabalho) e o significado do 
trabalho (a capacidade do trabalho ter um impacto significativo sobre o bem-
-estar ou sobre o trabalho de outras pessoas, de modo que contribua para a 
organização e para o ambiente social). 
Em 1987, os pesquisadores do grupo MOW (Meaning of Work International 
Research Team), foram os precursores na realização de estudos em diferentes 
países para identificar o significado que os indivíduos atribuem ao trabalho. 
Pesquisas realizadas pelo grupo MOW (1987) e por Morin (2001) demons-
tram que a maioria das pessoas, mesmo que tivesse condições para viver o 
resto da vida confortavelmente, continuaria a trabalhar. Isto porque o tra-
balho, além de ser fonte de sustento, é um meio de possibilitar o relaciona-
mento com os outros, de se sentir como parte integrante de um grupo, de ter 
ocupação e objetivo na vida. 
Para Borges e Alves-Filho (2003), o significado do trabalho tem uma 
perspectiva cognitiva, com três naturezas principais: subjetiva, uma vez que 
apresenta uma variação individual, refletindo a história de cada um; sócio-
-histórica, pois