Livro   I Congresso Ibero Americano ABOP   Rev04 (com marcadores)
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Livro I Congresso Ibero Americano ABOP Rev04 (com marcadores)


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ares, decidi romper com tudo que fizera até então. Trabalhei em eventos, 
como garçonete em um restaurante, assistente administrativa em uma 
empresa de networking, monitora em acampamento e consegui até um 
trabalho no Perú. Em paralelo, continuava escrevendo. Aceitei todas as 
experiências, pois queria conhecer um pouco de cada coisa e me encontrar.\u201d 
\u2013 B10, 25 anos.
O contraste entre o trabalho ideal e o real
Para alguns jovens, a independência chega cedo e é preciso crescer sem 
o auxílio dos pais, corroborando a afirmação de Oliveira et. al (2012) de que 
não se pode generalizar a Geração Y. Entretanto, os dados demonstraram que 
mesmo para aqueles que não possuem o financiamento dos pais, a necessida-
de de trabalhar não se torna um motivo para que abandonem o objetivo de se 
realizarem profissionalmente.
\u201cHoje eu moro em um lugar legal e tenho uma situação confortável. Mas 
assumi cedo a minha independência e tive que aprender a adequar o meu 
estilo de vida em cada momento. Se for preciso abrir mão de algumas coi-
sas não haverá problema.\u201d \u2013 B9, 23 anos.
 \u201cMuitos sacrifícios financeiros tiveram que ser feitos e a vida social aca-
bou sendo deixada de lado para que fosse possível arcar com os custos ini-
ciais.\u201d \u2013 B11, 24 anos.
\u201cPor cerca de dois anos, tive muito trabalho. Eram 3 ao mesmo tempo. Foi 
um período muito difícil, cheguei a dormir 3 horas por noite para conse-
guir dar conta de tudo.\u201d \u2013 B12, 28 anos.
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A dificuldade da Geração Y em esperar se faz presente em alguns relatos, 
confirmando o que Hassler (2008) afirma sobre a necessidade do reconheci-
mento instantâneo e da necessidade de valorização dos resultados relacionados 
ao trabalho. Quando não são reconhecidos ou valorizados por seus líderes, os 
jovens encerram um ciclo rapidamente, buscando novas oportunidades de em-
prego ou iniciando projetos próprios. Para essa geração, mudar de um trabalho 
para outro em um curto espaço de tempo não é algo prejudicial para a carreira. A 
mudança é tida como uma forma de experimentar oportunidades até encontra-
rem um trabalho com o qual se identifiquem (Robbins & Wilner, 2001).
\u201cNão me via dependendo de um emprego com um salário fixo para o res-
to da vida. Para ter mais liberdade, maior desenvolvimento profissional e 
uma renda melhor, eu sabia que seria preciso me dedicar para um projeto 
pessoal em algum momento.\u201d \u2013 B13, 26 anos.
\u201cEu sinto que me libertei. Aquela vida de trabalhar em empresa não me 
cabia mais, estava doente. Foi uma mudança de rumo. \u2013 B16, 31 anos. 
\u201cSempre deixamos muitas coisas pelo caminho. Mas é importante que isso 
aconteça pra que a gente valorize o caminho percorrido. Parece clichê, né? 
Mas eu adoro um desafio! Gosto de tudo que me movimenta, me provoca, 
me tira do eixo.\u201d \u2013 B17, 26 anos.
O jovem da Geração Y, por esperar engajar-se com temas socialmente 
relevantes por meio do trabalho, quando se vê em um ambiente que não valo-
riza isso, sente-se insatisfeito e procura alternativas que possam suprir esse 
desejo, dentro ou fora da organização. A dedicação a uma causa foi observada 
em oito depoimentos do Blog.
\u201cDecidi \u201cme perder\u201d para me surpreender, para descobrir no que eu real-
mente sou bom, em como eu posso contribuir para a minha comunidade e 
para o mundo serem melhores.\u201d \u2013 B3, 25 anos. 
\u201cEu quero continuar contribuindo para a construção de um mundo mais 
justo e para a formação de talentos e futuros líderes que também tenham 
esta visão.\u201d \u2013 B8, 30 anos.
\u201cMudar o mundo é igual retirar uma baleia que está encalhada na areia da 
praia. Você jamais conseguirá sozinho, mas se você se unir a outras pesso-
as, pode ter certeza de que vai dar certo.\u201d \u2013 B14, 25 anos. 
Apesar de estarem cientes de que, para alcançarem o trabalho ideal é pre-
ciso sair da zona de conforto e persistir, apareceram nos depoimentos algu-
mas dificuldades, relacionadas à escolha por carreiras não tão convencionais, 
tais como a pressão pelo êxito e pela independência financeira, impostas es-
pecialmente pela sociedade e pelos familiares. 
Livia Antonelli, Samantha de Toledo Martins Boehs
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 \u201cEnfrentei algumas barreiras, principalmente o preconceito por deixar de 
lado uma trajetória de carreira tradicional. Também tive que sair muitas 
vezes da zona de conforto e superar as dificuldades iniciais do negócio.\u201d \u2013 
B14, 25 anos.
\u201c(...) Enfrentar a visão e o preconceito dos amigos e da sociedade com a 
minha nova carreira exigiu muita persistência.\u201d \u2013 B1, 27 anos.
 \u201cConvencer a minha família de que era isso o que eu queria fazer não foi 
nada fácil, principalmente por todos os anos dedicados à faculdade, preci-
sei ter muita paciência para superar a pressão e conseguir a compreensão 
e o apoio deles.\u201d \u2013 B15, 24 anos.
Os depoimentos dos jovens no Blog 20 e POUCOS, 20 E TANTOS, retra-
tam uma juventude que se sente feliz em um trabalho que possa conseguir 
realizar-se, ter segurança, autonomia e independência, relacionar-se com os 
outros e dar sentido à vida. No Blog é possível encontrar relatos sobre a feli-
cidade e realização dos jovens nas áreas em que atuam. 
\u201cTenho 20 e poucos anos e o privilégio de dizer que trabalho com o que 
amo.\u201d \u2013 B6, 24 anos. 
 
\u201cHoje a minha principal motivação é fazer o que eu amo. Encontrei uma 
forma de fazer o jornalismo da maneira que eu acredito. Mesmo tendo que 
fazer coisas que não gosto, a diferença é que agora eu consigo ver significa-
do no que eu faço.\u201d \u2013 B12, 28 anos.
Considerações finais
Os resultados da pesquisa demonstram que o jovem dessa geração tem 
buscado o autoconhecimento, a reflexão sobre o que gosta de fazer e sobre 
os objetivos para o futuro, considerando como trabalho ideal aquele que 
possibilita o desenvolvimento de habilidades e competências, o exercício da 
criatividade, a utilização dos talentos, a troca de experiências e o trabalho em 
equipe, corroborando com estudos anteriores sobre o tema (Arnett, 2004; 
Rumblesperger & Tonelli, 2011; Vasconcelos et. al, 2010). 
Neste estudo, nota-se que a Geração Y deseja contribuir para a constru-
ção de um mundo melhor por meio do trabalho, engajando-se com temas 
relevantes para a sociedade. E que acima de tudo, o jovem dessa geração, 
possui a necessidade de amar o trabalho que realiza para que, ao sentir-se 
parte de um projeto maior, consiga se dedicar verdadeiramente ao universo 
em que está inserido. 
Diante desse contexto, ao compreender as motivações, os elementos de 
satisfação e realização no trabalho, bem como o que realmente engaja e retém 
os jovens, as organizações, gestores e profissionais da área de gestão de pes-
soas estarão melhor habilitadas para promoverem intervenções e mudanças 
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nas práticas de gestão de pessoas e nas relações líder-liderado, que se por um 
lado atendem às necessidades de carreira da Geração Y, por outro, melhoram 
as relações de trabalho e consequentemente a eficácia organizacional. \uf06e
REFERÊNCIAS
Arnett, J. J. (2004). Emerging Adulthood: The Winding Road from Late Teens trough the Twenties. Londres, Inglaterra: Oxford University Press. 
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 229p.
Bendassolli, P. F. (2009). Psicologia e Trabalho: Apropriações e Significados. São Paulo: Cengage Learning.
Blog 20 E POUCOS, 20 E TANTOS. Disponível em: <http://20epoucos20etantos.com/>. Acesso frequente durante todo o período do estudo.
Borges, L. O. de; Alvez-Filho, A. A. (2003). A Estrutura fatorial do Inventário do Significado e Motivação do Trabalho, IMST. Avaliação 
Psicológica, 2(2), 123-143. Recuperado em 10 de julho de 2014, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-
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BOX 1284. All work and all play. Recuperado em 17 setembro de 2014, de <http://vimeo.com/44130258>. Acesso em: