Caso Clinico Herpes Genital PENVIR
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Caso Clinico Herpes Genital PENVIR


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HERPES GENITAL
Caso clínico
Caso clínico
Herpes Genital
O herpes genital ou herpes febril é uma doença 
infectocontagiosa sujeita a recidivas, tendo como 
agentes etiológicos duas cepas diferentes do vírus 
herpes simples (HSV), o tipo 1 (HSV-1) 
e o 2 (HSV-2).
Transmissão
A transmissão ocorre predominantemente pelo contato sexual 
(inclusive orogenital), podendo também ser transmitido da mãe 
para o filho durante o parto.
O paciente suscetível (primeiro contato com o vírus) desenvolve a 
infecção primária, subclínica em cerca de 90% dos pacientes. Quan-
do aparente, a infecção primária no paciente imunocompetente é, 
geralmente, benigna e autolimitada. O vírus dirige-se, então, para 
os tecidos nervosos entrando em latência nos gânglios sensoriais. 
Fatores desencadeantes (infecções febris, sol, menstruação, gripe, 
alergia, trauma, estresse psíquico ou físico etc.), por meio de meca-
nismos até hoje desconhecidos, reativam o vírus latente, causando 
infecção recorrente que pode ser clínica ou subclínica. 
Diagnóstico
É eminentemente clínico, atribuindo ao laboratório as situações 
mais duvidosas. Nesses casos, pode-se utilizar:
» Citologia \u2013 esfregaço da base da lesão vesicular; 
» Cultura \u2013 considerada diagnóstico definitivo da lesão, é feita 
por meio de imunodiagnóstico e análise do ácido nucleico;
» Sorologia \u2013 revela apenas se houve contato prévio com o 
vírus ou se há infecção ativa. A pesquisa de anticorpos pode 
ser feita com teste de imunofluorescência indireta, teste de 
hemoaglutinação, radioimunoensaio e ELISA;
» Imunodiagnóstico \u2013 realizado por meio de imunofluorescência 
e imunoperoxidase, com o objetivo de detectar o antígeno viral 
ainda em fases mais tardias quando as culturas já perderam 
sua positividade.
Agentes antivirais
Os agentes antivirais eficazes devem inibir eventos de replicação 
específicos dos vírus ou inibir preferencialmente os ácidos nucleicos 
destinados ao vírus (em vez daqueles destinados às células hos-
pedeiras) ou à síntese proteica. A descoberta de novos inibidores 
antivirais costuma ser vinculada a uma melhor compreensão dos 
eventos moleculares envolvidos na replicação viral.
Os fármacos antivirais podem ser classificados nos seguintes 
grupos:
» Inibidores de ácido nucleico viral \u2013 fanciclovir, 
aciclovir, ganciclovir, vidarabina, 
zidovudina entre outros;
» Inibidores da ligação ou penetração 
dos vírus nas células \u2013 amantadina;
» Interferon;
» Inibidores de protease;
» Terapia gênica.
A quantidade de fármacos antivirais aumentou muito na última 
década, principalmente como resposta à infecção pelo vírus da 
imunodeficiência humana e por suas sequelas. São usados nas se-
guintes indicações clínicas:
» Em episódios inicial e recorrente de herpes genital;
» No tratamento e na supressão de infecção por herpes simples 
em pacientes imunocomprometidos, como os que receberam 
fármacos imunossupressores ou após transplantes de 
medula óssea ou de órgãos; 
» Para uso supressor crônico em pacientes com recorrência 
frequente de herpes genital;
» Na terapia de infecção pelo vírus da varicela zóster em 
hospedeiros normais e imunocomprometidos;
» No tratamento da encefalite causada pelo vírus do 
herpes simples;
» No tratamento de herpes-zóster em hospedeiro normal.
Fanciclovir
O fanciclovir é um pró-fármaco (éster diacetil do penciclovir) sem 
atividade antiviral intrínseca. Depois de transformado em penciclo-
vir (9-[4-hidróxi-3-hidroximetilbutil-1] guanina), um análogo acícli-
co do nucleosídeo guanidina, é que surge sua ação antiviral.
O penciclovir tem espectro de ação e potência contra o HSV e 
vírus varicela zóster semelhantes aos do aciclovir. 
Dr. Charles Rosenblatt \u2013 CRM-SP 52.819
Mestre e Doutor em Urologia pela Clínica Urológica do HCFMUSP.
Urologista do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein,
Hospital São Luiz e Hospital Santa Paula.
O fanciclovir é convertido em penciclovir pela ação de esterases 
que removem as porções de éster acetílico e pela ação de aldeído 
oxidase ou xantina oxidase convertendo a porção 2-amina purina 
em uma porção guanínica.
Farmacocinética
A biodisponibilidade oral é de 77%, calculada pelos níveis plas-
máticos de penciclovir. Pouco ou nenhum fanciclovir é detectado no 
plasma ou na urina. A meia-vida de penciclovir em células infectadas 
por vírus da varicela zóster é de sete a 14 horas. O penciclovir tem 
concentrações inibitórias duas vezes maiores que a do aciclovir, ini-
bindo a síntese do vírus por meio de sua competição com a DNA poli-
merase viral e impedindo o alongamento da cadeia de DNA do vírus.
É um fármaco interessante porque, apesar de ser cem vezes 
menos potente que o aciclovir em inibir a DNA polimerase, man-
tém-se presente em concentrações muito maiores e por períodos 
muito mais longos nas celulas infectadas que o aciclovir. Trata-se 
de um pró-fármaco que originará o penciclovir, que carece de ati-
vidade antiviral intrínseca. 
O fanciclovir é bem absorvido via oral e rapidamente convertido 
após absorção intestinal. Não apresenta interações com alopurinol, 
digoxina, cimetidina, teofilina e zidovudina.
Discussão
O HSV é um vírus de DNA que possui como único hospedeiro 
o homem. A infecção com HSV é extremamente comum, e cerca 
de 90% da população é soropositiva para o anticorpo HSV. Não 
obstante, muitas infecções são subclínicas. A recorrência é uma 
de suas características e pode ter consequências visuais severas, 
especialmente acentuada em pacientes imunodeprimidos. Tanto o 
aciclovir quanto o fanciclovir são excelentes escolhas no tratamento 
do HSV. A eficácia clínica do aciclovir no tratamento e na profilaxia 
do HSV já está estabelecida. Porém, por causa de sua baixa bio-
disponibilidade (10% com 800 mg) e meia-vida curta (duas a três 
horas), torna-se necessário um regime de administração de cinco 
vezes ao dia para assegurar níveis plasmáticos adequados. Contu-
do, quando o vírus é tratado por longos períodos, pode não haver 
adequada proteção contra a reativação. 
Por conta dessas limitações, surgiram medicamentos alternativos 
que são tão eficazes clinicamente quanto o aciclovir, com o incremen-
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to da biodisponibilidade. Um tratamento que diminua a frequência de 
administração pode oferecer vantagens consideráveis.
Dada a semelhança da farmacocinética plasmática e a neces-
sidade de um