APRENDIZAGEM INFANTIL
266 pág.

APRENDIZAGEM INFANTIL


DisciplinaPsicomotricidade3.179 materiais11.409 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Do total de estudos ECR para avaliar Intervenções para 
Melhorar os Resultados das Crianças, quatro se destacam: o 
Projeto Abecedário (1971 - presente, o Projeto CARE (1977 - 
presente), o Programa de Desenvolvimento e Saúde Infantil 
(oito instituições) (1984-2005) e os Estudos de Orfanatos 
Romenos (1991-1994). A palestra do prof. Ramey discorreu 
sobre cada um deles. 
A pergunta-chave de pesquisa para o projeto (ABC) alfabético 
é se o dano cumulativo de desenvolvimento em crianças de 
alto risco pode ser prevenido ou significativamente reduzido 
através de educação infantil sistemática e de alta qualidade \u2013 
desde o nascimento até a entrada do jardim de infância e/ou 
desde o jardim de infância até o segundo grau?
O estudo de Transição K-2 do Programa Abecedário tem foco 
individualizado em atividades acadêmicas e de aprendizagem 
na escola e em casa, ênfase em leitura, matemática e 
escrita, professores bem preparados em casa e na escola 
(12 crianças/famílias por professor), desenvolvimento de 
um currículo individualizado e documentado suplementar 
para cada criança, atenção explícita e ação relevante para 
a situação familiar, se necessário, acampamentos de verão 
com experiências academicamente relevantes (Ramey e 
Ramey, 1999).
As principais conclusões do Projeto Abecedário, de 18 meses à 
idade adulta, foram: melhorias na inteligência (qI), habilidades 
de leitura e matemática, ascendência acadêmica, número de 
anos na escola, incluindo o colégio e emprego de tempo 
integral. Menores índices de repetência, de necessidade de 
educação especial, de gravidez na adolescência, tabagismo e 
uso de drogas e de depressão na adolescência. E, além destes, 
Academia Brasileira de Ciências \u2013 Aprendizagem Infantil 155
notaram-se mais benefícios para as mães dessas crianças 
(educação, emprego).
O Projeto CARE foi um ECR concebido para replicar o Projeto 
Abecedário (ABC) com um grupo de tratamento adicional 
para testar a eficácia de programa de visitas domiciliares de 
grande intensidade durante cinco anos para que as mães 
utilizassem o currículo abecedário em casa. Este programa 
mostra um aumento do qI, inclusive acima da média entre o 
primeiro e segundo ano do projeto.
O Programa de Saúde Infantil e Desenvolvimento (PSID) 
foi projetado para replicar o Projeto Abecedário aplicado a 
crianças prematuras, de gestação de baixo e com peso ao 
nascer <2500g. Foi realizado em oito instituições (N = 985 
crianças/famílias), com intervenção modificada de acordo 
com os fatores de risco biológico e cuja intervenção precoce 
durou apenas três anos. Os resultados com efeitos positivos 
(* p <0,01) no PSID aos 12 meses foram não significativos; 
aos 24 meses houve efeito positivo no desenvolvimento 
cognitivo, redução dos problemas de comportamento, 
melhoria do vocabulário e de linguagem receptiva; aos 
36 meses os benefícios dos 24 meses permaneceram e se 
acrescentaram melhoras no comportamento adaptativo 
e pró-social, raciocínio, melhoras no ambiente domiciliar, 
no comportamento interativo materno e na resolução de 
problemas maternos (Ramey 1999, adaptado de Gross, Spiker 
e Haynes, 1997).
Ao analisar os vários ECR notam-se benefícios diferenciais 
(entre os estudos) na intervenção precoce: a maioria das 
crianças que mais beneficiaram tinha mães com qI abaixo 
de 70, mães com baixos níveis de educação, indicadores de 
baixo prognóstico ao nascimento (PI, Apgar, baixo peso ao 
nascer) e são filhos de mães adolescentes (Martin, Ramey 
e Ramey, 1990 American Journal of Public Health; Ramey e 
Ramey, 2000).
Os estudos de orfanatos romenos foram projetados para 
reproduzir o Projeto ABC, e modificados para atender às 
necessidades das crianças que tinham privação extrema 
prolongada de aprendizagem e socioemocional. Foi realizado 
em duas diferentes faixas etárias e parte de um programa de 
capacitação na Romênia, em parceria com universidades. Os 
resultados mostram que todas as crianças podem aprender, 
quando têm acesso à experiência em ambientes de resposta 
Academia Brasileira de Ciências \u2013 Aprendizagem Infantil 156
precoce ao contexto, cuidados de alta qualidade para o 
desenvolvimento socioemocional e necessidades de saúde e 
desafios bem dosados de aprendizagem em vários domínios.
Por outro lado, sem exposição adequada a essas experiências 
positivas precocemente, as crianças vão ficar para trás em seu 
desenvolvimento potencial. A intervenção precoce, por si só, 
não é suficiente para superar todos os riscos da vida dessas 
crianças. Se a experiência precoce não é seguida por mais 
suportes adicionais, os benefícios podem sofrer erosão em 
muitas crianças.
As principais conclusões desses estudos mostram que todas 
as crianças podem aprender (apesar de privação de casa ou 
riscos biológicos) que as intervenções mais precoces que 
atendem a cuidados de saúde, aprendizagem com resposta 
contextualizada (linguagem, social, emocional, cognitivo) 
podem levar a grandes benefícios \u2013 com maiores benefícios 
para as famílias que realizam menos estímulos (mais 
carentes). E mais: a manutenção dos benefícios a longo prazo 
dependerá, em parte, das experiências subsequentes.
Dia 17/12/2009 - 15:15-16:15 
Effective Early Interventions for Biologically Vulnerable 
Children: The Importance of Dosage - sHaron ramey
A profesora Sharon Ramey começou a palestra listando 
fundamentos científicos para a nova \u201cEducação Científica\u201d: 
investigação sobre a neuroplasticidade (modelos animais); 
estudos de privação extrema (orfanatos, privação materna, 
isolamento); os projetos de demonstração naturalista e 
estudos longitudinais; os ensaios clínicos randomizados 
(ECR) para testar a eficácia da \u201ccriança completa\u201d de ensino 
e das intervenções para alterar o curso da vida; tratamentos 
tradicionais e \u201ctratamentos\u201d inovadores.
Os ensaios clínicos randomizados (ECR) que realizamos incluem: 
1) Projeto Abecedário (ABC); 2) Projeto CARE; 3) Programa 
de Desenvolvimento e Saúde Infantil (oito instituições); 
4) Estudo de orfanatos romenos; 5) Terapia intensiva de 
contenção induzida pediátrica (paralisia cerebral); 6) Estudo de 
demonstração nacional de transição (31 instituições); 7) Teste 
de currículos e treinamento pré-jardim da infância; 8) Estudos 
do sistema e de estudos estaduais que escalam.
Academia Brasileira de Ciências \u2013 Aprendizagem Infantil 157
A experiência mostra que há alguns princípios de intervenção 
precoce EFICAz: 1. Timing (início, duração, offset); 2. 
Intensidade (por dia/semana/mês/ano (s); 3. Experiências de 
aprendizagem direta; 4. Maior amplitude de serviços/suporte; 
5. Levar em conta as diferenças individuais; 6. Manutenção do 
ambiente. A seguir, cada um destes será mais bem exposto.
O princípio do tempo é importante. Sabemos que o 
momento que a intervenção começa e o momento que 
termina influencia significativamente a magnitude dos 
efeitos. A teoria do desenvolvimento neurológico e pesquisa 
são fundamentais para a compreensão das características 
importantes do sistema nervoso central que se desenvolve 
rapidamente em determinadas idades.
O desenvolvimento em fases anteriores estabelece condições 
para as fases posteriores, e, desta maneira, práticas clínicas 
têm adiantado o início de tratamentos (o princípio é muito 
semelhante ao que acontece em teratologia, onde os efeitos 
são mais intensos quanto mais precoce a criança é exposta).
Há algumas observações que sustentam o princípio do 
tempo. Derivam de estudo de comparações cruzadas, e 
de meta-análises de mais de 25 intervenções na primeira 
infância. Geralmente efeitos mais duradouros e maiores 
ocorrem quando a intervenção começa mais cedo e dura mais 
tempo. A confirmação também vem de experiências com 
animais. Entretanto, há uma limitação: variáveis de confusão 
inerente aos ensaios clínicos randomizados começam mais 
cedo, continuam