O paciente psiquiátrico   Van Den Berg
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O paciente psiquiátrico Van Den Berg


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Le rêve éveillé 
en psychothérapie, (Paris, 1945, pág. 338), e 
Psychanalyse et rêve éveillé dirige (Bar-le-Duc, 
1947, pág. 93), estudos esses que (embora o autor 
não o percebesse), apóiam-se num princípio 
terapêutico de Binswanger, ou seja, que o devaneio 
não é somente resultado de um desejo insatisfeito, 
mas deve ser considerado também como “tentativa de 
agir” e, portanto, como ato de autoterapia. O leitor 
poderá encontrar os pontos de vista de Binswanger 
sobre o assunto (certamente influenciado pelas 
investigações do seu conterrâneo A. Maeder) em 
Traum und Existem (Neue Schweizer Rundschau, 
1930), artigo este reproduzido no livro de Bins-
wanger: Ausgewühlte Vortrüge und Aufsãtze (T. I., 
Berna, 1960). O já mencionado Medard Boss, em seu 
livro nunca assaz louvado Der Traum und seine 
Auslegung (Berna, 1953, pág. 239), apresentou 
compreensiva fenomenologia do sonho e das suas 
interpretações. 
 Um discípulo de Boss escreveu um dos 
primeiros tratados de psicoterapia fenomenológica; 
trata-se da Daseinsanaly-tische Psychoterapie 
(Berna, 1963, pág. 142), de G. Condrau, em cujo 
título aparece (não pela primeira vez em meu sumá-
rio) a palavra Daseinsanalyse. A palavra Dasein, no 
sentido muito significativo de estar ai, ou de estar 
com as coisas, foi tomada de Heidegger. A palavra 
Daseinsanalyse foi cunhada por Binswanger e 
significa: análise, descrição da existência da pessoa 
sã e da pessoa doente, como existência que se realiza 
lá no mundo. 
Minha lista está bem longe de ser completa. Especial-
mente os holandeses, que se têm mostrado tão ativos 
no campo da fenomenologia, não foram bastante 
mencionados por mim. Deixando de me referir cada 
vez às suas respectivas obras (o leitor poderá 
encontrá-las facilmente), citarei os nomes dos 
psicólogos e dos psiquiatras holandeses que de-
sempenharam papéis importantes no 
desenvolvimento da fenomenologia. Entre os 
psicólogos encontramos, ao lado do já mencionado 
Buytendijk, B. J. Kouwer, M. J. Langeveld. 
 D. J. van Lennep e J. Linschoten. Entre os 
psiquiatras (dos quais já mencionei Riimke e Van der 
Horst), figuram P. Th. Hugenholtz, A. Hutter, A. D. 
Janse de Jonge, E. Verbeek e E. L. K. Zeldenrust. 
Faço questão de mencionar um estudo deste último, 
que pertence de direito ao terreno coberto pelo 
presente livro: E. L. K. Zeldenrust, Over het wezen 
der hysterie (Utrecht, 1954, pág. 180) e que é a única 
monografia fenomenológica, aliás bem escrita, sobre 
a histeria. 
 O leitor que estiver interessado numa lista 
mais completa de autores estrangeiros, acompanhada 
de bons comentários, poderá consultar o trabalho de 
Herbert Spiegelberg, The Phenomenólogical 
Movement, (Haia, 1960, dois volumes, num total de 
735 págs.). Muita importância deve ser atribuída à 
publicação dessa obra em inglês. Fornece ao leitor 
americano (o inglês tem demonstrado, até agora, 
pouco interesse na fenomenologia) os meios para se 
manter informado, rapidamente e muito bem, sobre o 
que a Europa tem a apresentar nesse campo, agora 
que os Estados Unidos estão se interessando por 
esses assuntos. A fenomenologia norte-americana é, 
realmente, de outra natureza que a européia: menos 
filosófica e mais sócio-psicológica em suas 
aplicações. Ao leitor que estiver interessado na 
situação da fenomenologia nos Estados Unidos 
recomendo, em primeiro lugar, um trabalho que 
parece ter poucas ligações com a fenomenologia; 
trata-se de Mind, Self and Society (Chicago, 1934, 
pág. 401), por G. H. Mead, estudo que revela, em 
muitos trechos, um modo de pensar fenomenológico. 
Depois disso, o leitor poderá consultar alguns dos 
trabalhos de Karen Horney, sem relação direta com o 
que se chama oficialmente fenomenologia, por exem-
plo, New ways in Psychoanalysis (Londres, 1939, 
pág. 305), que servirá de introdução para a obra de 
um psiquiatra norte-americano muito notável: H. S. 
Sullivan, Conceptions o/ Modem Psychiatry (Nova 
Iorque, 1940). Para demonstrar a existência, nos 
Estados Unidos, de um interesse crescente na 
psiquiatria e na psicoterapia fenomenológica (ou 
existencial), mencionarei dois periódicos: The 
Journal of Existential Psychiatry (primeiro ano de 
publicação em 1960) e Review of Existential 
 
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Psychology and Psychiatry (primeiro ano em 1961), 
ambos editados por A. van Kaam; a estes, pode ser 
acrescentada terceira publicação, que não concerne 
diretamente à psicologia e à Psicopatologia 
fenomenológicas como tais, mas que publica, 
ocasionalmente, artigos referentes a esses assuntos: 
trata-se da revista Philosophy and Phenomenological 
Research (fundada em 1940), editada por Marvin 
Farber. Finalmente, também nos Estados Unidos, foi 
publicado um trabalho coletivo: The 
Phenomenological Problem, editado por A. E. 
Kuenzli (Nova Iorque, 1959, pág. 321).Poderia 
deixar este sumário nesse pé, se não fosse o desejo de 
afirmar, mais uma vez, que a psicologia e a 
psicopatologia fenomenológicas se apoiam ambas 
sobre um fundamento filosófico, muito bem 
considerado e consciente. Citarei, portanto, mais dois 
trabalhos em que tal fundamento está clara e 
habilmente explicado: W. Luypen, Existentiele 
fenomenolugie (Utrecht, 1959, pág. 376) e S. 
Strasser: Fenomenologie en cmpinsche vienskunde 
(Arnhem, 1982, pág. 327). finalmente, para terminar 
meu sumário, mencionarei mais um trabalho, que 
coloca a fenomenologia no quadro geral de cultura 
histórica, a que pertence: O. F. Bollnow, 
Existenzphilosophie (Stuttgart, 1949, pág. 125). 
 Eis o meu breve sumário da literatura relativa 
a este assunto; embota cuidadosamente composto, 
deve ser, com certeza incompleto, quanto mais não 
seja pela possível omissão de alguns autores. Por 
isso, desejo terminar estas linhas apresentando 
minhas desculpas aos poucos esquecidos — e os 
meus agradecimentos a todos os autores. 
 
JJUUSSTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO 
Em 1954, a pedido do falecido Professor Dr. H. J. 
Pos, escrevi um pequeno trabalho sobre 
Psicopatologia fenomenológica, destinado aos 
leitores norte-americanos. O opúsculo foi publicado 
em 1955, nas American Lcctures Senes, pelo editor 
Thomas, de Illinois, sob o título de The 
Phenomenological Approach to Psychiatry. Deste 
livro apareceu uma tradução italiana em 1961, 
editada por Bompiani, Milão, sob o titulo de 
Fenomenologia e Psichiatria. Esgotadas as edições 
em 1963, os direitos autorais voltaram para mim. 
Depois de consultar o meu editor, resolvi publicar 
este estudo em holandês. Reli o velho texto, emendei-
o e percebi que uma recompilação geral se tornara 
necessária. Alguns trechos já não eram apropriados, 
outras passagens requeriam o acréscimo de algumas 
frases. Dai resultou um texto inteiramente novo, em 
que se reconhece, porém, o conteúdo da antiga edição 
norte-americana. A bibliografia também foi posta em 
dia, na medida do possível. 
Mais uma vez, sou grato ao editor pela cuidadosa e 
elegante apresentação desta obra.