Sistema Único de Saúde
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poderia ter um destino: a privatização. A começar 
pela assistência médico-hospitalar, cujo espólio 
\u201d 
deveria ser apropriado pelo seguro-saúde privado, 
no sentido de promover um corte na capitalização 
precária da saúde no sentido de uma organização 
mais tipicamente capitalista do complexo médico-
empresarial. [8] 
Ressalta-se que a discussão não era apenas para privatizar 
o modelo existente até então no regime militar. Os 
neoliberais também se oporiam à previsão do SUS na esfera 
constitucional, durante a Assembleia Constituinte que 
resultou na Constituição de 1988.[8] 
A contraposição à privatização e a Reforma 
Sanitária[editar | editar código-fonte] 
O movimento da Reforma Sanitária nasceu no meio 
acadêmico no início da década de 1970 como forma de 
oposição técnica e política ao regime militar. Nesse 
contexto destacaram-se nessa luta também figuras do 
âmbito político como Sérgio Arouca, David 
Capistrano e Gilson de Carvalho. 
Prof. Sérgio Arouca, presidente da 8ª CNS, realizada em 
março de 1986 e um dos líderes e grandes entusiastas da 
Reforma Sanitária da década de 1980. 
Em 1979, o General João Baptista Figueiredo assumiu a 
presidência com a promessa de abertura política e, de fato, 
a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados promoveu, 
no período de 9 a 11 de outubro de 1979, o I Simpósio 
sobre Política Nacional de Saúde, que contou com 
participação de muitos dos integrantes do movimento e 
chegou a conclusões altamente favoráveis ao mesmo. 
Entretanto o grande acontecimento para a consolidação do 
direito à saúde tal como é visto hoje ainda estava por vir. 
Hésio Cordeiro elucida: 
\u201c Decidiu-se convocar a VIII Conferência Nacional 
de Saúde, através de decreto presidencial, 
marcando-se sua realização para 17 a 21 de 
março de 1986, em Brasília. A conferência seria 
precedida de pré-conferências e reuniões 
estaduais preparatórias a serem realizadas em 
todo o país e seriam elaborados documentos 
técnicos que serviriam de base para estas 
reuniões prévias e de teses a serem debatidas na 
VIII CNS. Para a presidência da VIII CNS foi 
designado o prof. Antônio Sérgio da Silva Arouca, 
presidente da Fiocruz, ficando a vice-presidência 
com o dr. Francisco Xavier Beduschi, 
superintendente da SUCAM e Guilherme 
Rodrigues da Silva, da FMUSP foi designado 
relator geral. Os temas propostos foram: 'Saúde 
\u201d 
como Direito', 'Reformulação do Sistema Nacional 
de Saúde' e 'Financiamento do Setor'. 
 
Plenária da 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 
março de 1986, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. 
Foram ao todo 1.000 delegados com direito a voto e cerca 
de 3.000 participantes. A 8ª Conferência Nacional de Saúde 
foi um marco na história do SUS por vários motivos. Ela foi 
aberta por José Sarney, o primeiro presidente civil após o 
regime militar, e foi a primeira CNS a ser aberta à 
sociedade; além disso, foi importante na propagação do 
movimento da Reforma Sanitária, muito em função do 
relatório final da Conferência ter servido como base para os 
debates na Assembleia Constituinte, visto que 
representavam demandas do movimento popular. 
Além disso, a 8ª CNS resultou na implantação do Sistema 
Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), um convênio 
entre o INAMPS e os governos estaduais, mas o mais 
importante foi ter formado as bases para a seção Da 
Saúde (artigo 196 até o artigo 200) da Constituição de 
1988. 
A Constituição de 1988 foi um marco na história da saúde 
pública brasileira ao definir, como já mencionado, a saúde 
como "direito de todos e dever do Estado". 
A implantação do SUS foi realizada de forma gradual: 
primeiro veio o SUDS, com a universalização do 
atendimento; depois a incorporação do INAMPS ao 
Ministério da Saúde, com o Decreto nº 99.060 [10] e por fim 
a Lei Orgânica da Saúde, nº 8.080,[4] que fundou e 
operacionalizou o SUS. 
Em poucos meses foi lançada a lei nº 8.142,[11] que 
imprimiu ao SUS uma de suas principais características: o 
controle social, ou seja, a participação dos usuários 
(população) na gestão do serviço. O INAMPS só foi extinto 
em 27 de julho de 1993 pela Lei nº 8.689.[12] O sistema de 
saúde no século XXI viria a ajudar a projetar o Medicare nos 
EUA.[13] 
Acesso ao SUS 
O SUS deve ser entendido como um processo em marcha 
de produção social da saúde, que não se iniciou em 1988, 
com a sua inclusão na Constituição Federal, nem tampouco 
tem um momento definido para ser concluído. Ao 
contrário, resulta de propostas defendidas ao longo de 
muitos anos pelo conjunto da sociedade e por muitos anos 
ainda estará sujeito a aprimoramentos. Segundo a 
legislação brasileira, a saúde é um direito fundamental do 
ser humano, cabendo ao poder público (União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios) garantir este direito, através 
de políticas sociais e econômicas que visem à redução dos 
riscos de se adoecer e morrer, bem como o acesso 
universal e igualitário às ações e serviços de promoção, 
proteção e recuperação da saúde. 
O acesso universal (princípio da universalidade), significa 
que ao SUS compete atender a toda população, seja através 
dos serviços estatais prestados pela União, Distrito Federal, 
Estados e Municípios, seja através dos serviços privados 
conveniados ou contratados com o poder público. 
O acesso igualitário (princípio da equidade) não significa 
que o SUS deva tratar a todos de forma igual, mas sim 
respeitar os direitos de cada um, segundo as suas 
diferenças, apoiando-se mais na convicção íntima da justiça 
natural do que na letra da lei.[14]