tornar se pessoa carl rogers
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tornar se pessoa carl rogers


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tenha pouca relação com os interesses e com o trabalho de vocês. Se assim
for, lamento-o. Mas sinto-me parcialmente reconfortado pelo fato de que todos os que trabalham no campo
das relações pessoais e que tentam compreender a ordem fundamental nesse domínio estão comprometidos no
mais crucial empreendimento do nosso mundo atual. Se estivermos tentando refletir para compreender o
nosso trabalho como administradores, professores, orientadores educacionais e orientadores profissionais,
psicoterapeutas, então estaremos trabalhando no problema que será determinante para o futuro desse planeta.
Porque não é das ciências fisicas que o futuro depende. É dc nós que ele depende, de nós que tentamos
compreender e lidar com as interações entre os homens \u2014 que procuramos criar relações pessoais de ajuda. Por
isso, espero que as questões que levantei a mim mesmo lhes sejam de algum préstimo para compreender e
para alcançar algumas perspectivas sobre o que farão para facilitar o crescimento nas suas relações.
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Capítulo 4
O que sabemos da psicoterapia
\u2014objetiva e subjetivamente
Na primavera de 1960 fui convidado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia para o seu programa
\u201cLeaders ofAmerica \u201c, patrocinado pelo Cal Tech YMCA, que promove a maioria dos programas culturais
para o Instituto. Pediram-me que falasse, durante um dos quatro dias da minha visita, numa reunião da
faculdade. Era dificilfalar de psicoterapia de uma forma que tivesse sentido para os cientistas fisicos e
pareceu-me que um sumário dos resultados de pesquisa em psicoterapia cumpriria essa função. Por outro
lado, desejava tornar bem patente que a relação subjetiva pessoal é também uma parte fundamen tal da
mudança terapêutica. Por isso, procurei focalizar esses dois aspectos. Introduzi algumas alterações no
artigo, mas no essencial mantém-se tal como o apresentei na conferênciadoCalTech.
Fiquei muito feliz pelo fato de a apresentação er sido bem recebida, mas agradou-me muito mais que,
posteriormente, algumas pessoas que tinham passado por experiências de terapia e que leram o manuscrito
ficassem altamente entusiasmadas com a descrição (na segunda parte do artigo) da experiência interior do
processo terapêutico por parte do cliente. Isso foi gratificante, pois tenho uma particular preocupa ção em
captar o modo como o cliente sente e encara o tratamento.
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Corno poderei ajudar os outros?
Tornar-se pessoa
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No campo da psicoterapia, realizaram-se progressos consideráveis na última década na mensuração
dos resultados da terapia no que se refere à personalidade e ao comportamento do cliente. Nos
últimos dois ou três anos, assistiu-se a progressos suplementares na identificação das condições que
estão na base das relações terapêuticas que criam a terapia e facilitam o desenvolvimento da pessoa
no sentido de uma maturidade psicológica. Em outras palavras, progredimos na determinação dos
ingredientes de uma relação que promovem o crescimento pessoal.
A psicoterapia não substitui a motivação para esse desenvolvimento ou crescimento pessoal. Este
parece ser inerente ao organismo, tal como encontramos uma tendência semelhante no animal
humano para se desenvolver e atingir a maturidade fisica, dadas certas condições mínimas
favoráveis. A terapia, no entanto, desempenha um papel extremamente importante na libertação e
no processo de facilitação da tendência do organismo para um desenvolvimento psicológico ou para
a sua maturidade, quando essa tendência se viu bloqueada.
Conhecimento objetivo
Vou procurar resumir, na primeira parte deste capítulo, o que sabemos das condições que facilitam
o crescimento psicológico, definir o que sabemos sobre o processo e as características do
crescimento psicológico. Vou tentar explicar o que quero dizer quando falo de resumir o que nós
\u201csabemos\u201d. Pretendo dizer que me limitarei às afirmações sustentadas em provas experimentais
objetivas. Falarei, por exemplo, das condições do crescimento psicológico. Para cada afirmação
feita, poderia citar um ou vários estudos mostrando que se verificaram alterações no indivíduo em
presença dessas condições, alterações que não se produziram quando essas condições estavam
ausentes, ou presentes em menor grau. Segundo a expressão de um pesquisador, progredimos na
identificação dos agentes primários que
provocam uma alteração que facilita a evolução da personalidade e do comportamento no sentido de
um desenvolvimento da pessoa. Naturalmente, é necessário acrescentar que esse conhecimento,
como todo conhecimento científico, não pode deixar de ser hesitante e certamente incompleto e que,
sem dúvida alguma, terá de ser modificado, em parte contrariado e completado por um laborioso
trabalho futuro. No entanto, não há qualquer razão para lamentar esse conhecimento limitado, mas
duramente conquistado e que nós hoje possuímos.
Gostaria de apresentar este conhecimento