tornar se pessoa carl rogers
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tornar se pessoa carl rogers


DisciplinaPsicologia Humanista446 materiais2.263 seguidores
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entrar em contato com este eu real, subjacente a todo o meu comportamento
superficial? Como posso me tomar eu mesmo?\u201d
Por trás da máscara
O processo de tornar-se
Deixe-me tentar explicar o que quero dizer quando digo
que parece que a meta que o indivíduo mais pretende alcançar,
o fim que ele intencionalmente ou inconscientemente almeja, é
o de se tornar ele mesmo.
Quando uma pessoa me procura, perturbada por sua combinação única de dificuldades, constatei ser muito
válido ,tentar criar uma relação com ela na qual esteja segura e livre. E meu propósito compreender a maneira
como se sente em seu próprio mundo interior, aceitá-la como ela é, criar uma atmosfera de liberdade na qual
ela possa se mover, ao pensar, sentir e ser, em qualquer direção que desejar. Como ela usa esta liberdade?
Em minha experiência, a pessoa a utiliza para se tomar cada vez mais ela mesma. Começa a derrubar as falsas
frentes, ou as máscaras, ou os papéis, com os quais encarou a vida. Parece estar tentando descobrir algo mais
básico, algo mais verdadeiramente ela mesma. Primeiro, coloca de lado máscaras que até certo ponto está
consciente de estar usando. Uma jovem estudante descreve em uma entrevista de aconselhamento uma das
máscaras que vinha usando, e como não tinha certeza se, embaixo desta frente pacífica, agradável, haveria
algum eu real com convicções.
Estava pensando a respeito desse assunto de padrões. De alguma forma desenvolvi um tipo de jeito, acho, de \u2014
bem um hábito de tentar fazer com que as pessoas se sintam à vontade ao meu redor, ou fazer com que as
coisas corram tranqüilamente. Sempre tem que haver algum apaziguador por perto, do tipo panos quentes. Em
uma pequena reunião, ou uma festinha, ou algo eu poderia ajudar para que as coisas decorressem de maneira
agradável e parecer estar me divertindo. E, algumas vezes, me surpreenderia atacando uma idéia em que
realmente acreditava quando via que a pessoa envolvida ficaria bastante insatisfeita se eu não o fizesse. Em
outras palavras, eu simplesmente não era nunca \u2014 quero dizer, eu não me via nunca sendo clara e definida a
respeito das coisas. Agora a razão por que o fazia provavelmente era por estar fazendo tanto isto em casa. Eu
simplesmente não defendia as minhas próprias convicções, até mesmo não sei se tenho quaisquer convicções
para defender. Não tenho realmente sido honestamente eu mesma, ou na verdade não tenho sabido quem é
meu eu real, e estou simplesmente desempenhando um tipo de falso papel.
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Tornar-se pessoa ü processo de tornar-se pessoa
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Pode-se, neste excerto, vê-la examinando a máscara que vinha utilizando, reconhecendo sua insatisfação com
a mesma, e procurando saber como chegar ao verdadeiro eu que se encontra embaixo, se tal eu existe.
Nessa tentativa de descobrir seu próprio eu, o cliente tipicamente utiliza a relação para explorar, examinar os
vários aspectos de sua experiência, para reconhecer e enfrentar as contradições profundas que freqüentemente
descobre. Aprende quanto do seu comportamento, até mesmo dos sentimentos que vi- vencia, não é real, não
sendo algo que flui das reações genuínas de seu organismo, mas sim constitui uma fachada, uma frente, atrás
da qual está se escondendo. Descobre o quanto sua vida é guiada por aquilo que pensa que ele deveria ser, e
não por aquilo que é. Freqüentemente descobre que ele só existe em resposta às exigências dos outros, que
parece não ter nenhum eu próprio, e que está somente tentando pensar, e sentir e se comportar de acordo cofn-
a n\aneira que os outros acreditam que deva pensar, e sentir e se comportar.
Quanto a esse assunto, fico admirado em constatar quão acuradamente o filósofo dinamarquês, Soren
Kierkegaard, ilustrou o dilema do indivíduo há mais de um século, com um insight psicológico aguçado. Ele
destaca que o desespero mais comum é estar desesperado por não escolher, ou não estar disposto a ser ele
mesmo; porém, a forma mais profunda de desespero é escolher \u201cser outra pessoa que não ele mesmo\u201d. Por
outro lado \u201cdesejar ser aquele eu que realmente se é, constitui na verdade o oposto do desespero\u201d, e esta
escolha constitui a mais profunda responsabilidade do homem. À medida que leio alguns de seus escritos,
quase que sinto que ele esteve escutando algumas das afirmações feitas por nossos clientes ao buscarem e
explorarem a realidade do eu \u2014freqüentemente uma busca dolorosa e inquietante.
Essa exploração se torna até mais perturbadora quando se vêem envolvidos em remover as falsas faces que
não sabiam ser falsas faces. Começam a ingressar na tarefa assustadora de
explorar os sentimentos turbulentos e algumas vezes violentos dentro de si. Remover uma máscara que se
acreditava constituir parte de seu verdadeiro eu pode ser uma experiência profundamente perturbadora, porém
quando há liberdade para pensar, sentir e ser, o indivíduo se volta para tal meta. Algumas declarações de uma
pessoa que havia completado uma série de entrevistas psicoterapêuticas ilustram isso. Ela faz uso de muitas
metáforas ao contar como lutou para chegar ao âmago dela mesma.
Conforme vejo a situação hoje, estava descascando camada após camada de defesas. Eu as construía, as
experimentava e então as descartava quando permanecia a mesma. Não sabia o que se encontrava no fundo e
estava com muito medo de descobrir, mas eu tinha que continuar tentando. Primeiro senti que não havia nada
dentro de mim somente um grande vazio onde eu necessitava e desejava um núcleo sólido. Então comecei a
sentir que estava diante de uma parede de tijolos sólida, alta demais para subir e espessa demais para
atravessar. Um dia a parede se tornou translúcida, ao invés de sólida. Depois disso, a parede pareceu dissipar-
se mas, atrás dela, descobri um açude que represava águas violentas e turbulentas. Senti como se estivesse
retendo a força dessas águas e que, se eu abrisse um pequenino buraco, eu e tudo o que se encontrava ao meu
redor seríamos destruídos na torrente que, de sentimentos representados pela água que se seguiria. Finalmente
não pude mais suportar o esforço e deixei fluir. Tudo o que fiz, na verdade, foi sucumbir á autopiedade,
depois ao ódio e então ao amor completos e absolutos. Após essa experiência, senti como se houvesse saltado
uma margem e me encontrasse a salvo do outro lado, embora ainda cambaleasse um pouco em sua beira. Não
sei o que estava procurando ou para onde me dirigia, mas senti então como sempre senti toda vez que
realmente vivi, que eu estava me movendo para frente.
Acredito que isto representa muito bem a sensação de muitos indivíduos de que se a frente falsa, a parede, a
represa, não forem mantidas, então tudo será arrastado na violência dos sentimentos que ele descobre estarem
enclausurados em seu
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Tornar-se pessoa O processo de tornar-se pessoa
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mundo particular. Todavia, isso também ilustra a necessidade premente que o indivíduo sente de buscar a si
mesmo e de tornar-se ele próprio. Isso também começa a indicar a maneira pela qual o indivíduo determina a
realidade em si mesmo \u2014 quando ele vivencia plenamente os sentimentos que ele é num nível orgânico, da
mesma forma que esta cliente sentiu autopiedade, ódio e amor, então ele tem certeza de que está sendo uma
parte
de seu eu real.
A experiência de sentir
Gostaria de dizer algo mais a respeito dessa vivência de
sentir. É realmente a descoberta dos elementos desconhecidos do eu. O fenômeno que estou
tentando descrever é algo que acho bastante dificil de ser transmitido de alguma maneira que faça
sentido. Em nossas vidas cotidianas, há mil e uma razões para que não nos .detxemos experienciar
nossas atitudes plenamente, razões oriundas de nosso passado e do presente, razões que residem na
situação social. Experienciá-los livre e plenamente parece perigoso, potencialmente prejudicial.
Porém, na segurança e liberdade .da relação terapêutica, eles podem ser vivenciados plenamente,
claro que atéo limite daquilo que