Nocoes de Igualdade Racial e de Genero
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Nocoes de Igualdade Racial e de Genero


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pois, através dele busca-se assegurar o conhecimento de informações 
relativas à pessoa do impetrante, constante de registros ou banco de dados de entidades governamentais 
ou de caráter público. 
Não obstante, o habeas data é utilizado para a retificação de dados do impetrante, sempre que não se 
prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 
 
LXXIII- qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo 
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, 
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; 
 
Neste inciso estamos diante da Ação Popular, efetivo instrumento processual utilizado para anulação 
de atos lesivos ao patrimônio público e para a defesa de alguns interesses de extrema importância como 
o meio ambiente. 
Tal instrumento, regido pela Lei nº 4.717/65, confere legitimidade de propositura ao cidadão, imbuído 
de direitos políticos, civis e sociais. Este remédio constitucional, cuja legitimidade para propositura, é do 
cidadão, visa um provimento jurisdicional (sentença) que declare a nulidade de atos lesivos ao patrimônio 
público. 
Quando o inciso em questão explicita que qualquer cidadão poderá ser parte legítima para proporá a 
ação popular, é necessário ter em mente que somente aquele que se encontra no gozo dos direitos 
políticos, ou seja, possa votar e ser votado, será detentor de tal prerrogativa. 
Existe um grande debate na doutrina sobre um eventual conflito de aplicabilidade entre a ação popular 
e a ação civil pública. 
A ação civil pública, explicitada pela Lei nº 7.347/85, é um instrumento processual tendente a tutelar 
interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos. Neste caso, a Lei da Ação Civil Pública, dispõe, 
em seu artigo 5º, um rol de legitimados à propositura da ação, como por exemplo: a União, os Estados, 
os Municípios, o Distrito Federal, o Ministério Público, dentre outros. Desta maneira, se formos analisar 
minuciosamente o conteúdo disposto no artigo 5º, podemos perceber que o cidadão individualmente 
considerado, detentor de direitos políticos, não é legitimado para a propositura de tal ação. Assim, não há 
que cogitar de conflito entre essas ações, pois, indubitavelmente, ambas se completam em seus objetos. 
 
LXXIV- o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem 
insuficiência de recursos; 
 
De acordo com o inciso supracitado será dever do Estado à prestação de assistência jurídica integral 
e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. Desta maneira, com a finalidade de atender 
aos indivíduos mais necessitados, a própria Constituição em seu artigo 134, trata da Defensoria Pública, 
instituição especificamente destinada a esse fim. De acordo com o artigo 134, a Defensoria Pública é 
instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em 
todos os graus, dos necessitados, na forma do artigo 5º, LXXIV. 
 
LXXV- o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além 
do tempo fixado na sentença; 
 
Este inciso consagra o dever de indenização do Estado no caso de erro judiciário e de prisão além do 
tempo fixado na sentença. Aqui estamos diante de responsabilidade objetiva do Estado, ou seja, 
comprovado o nexo de causalidade entre a conduta e o resultado danoso, será exigível a indenização, 
independentemente da comprovação de culpa ou dolo. 
 
LXXVI- são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: 
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a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito; 
 
Conforme explicita o inciso em tela, a Constituição garante aos reconhecidamente pobres a gratuidade 
do registro civil de nascimento e da certidão de óbito. É importante salientar que a gratuidade somente 
alcança aos reconhecidamente pobres. 
 
LXXVII- são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data e, na forma da lei, os atos 
necessário ao exercício da cidadania; 
 
Este inciso expressa a gratuidade das ações de habeas corpus e habeas data, além dos atos 
necessários ao exercício da cidadania, como por exemplo, a emissão do título de eleitor, que garante ao 
indivíduo o caráter de cidadão, para fins de propositura de ação popular. 
 
LXXVIII- a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do 
processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 
 
Visando combater a morosidade do Poder Judiciário, este inciso trouxe ao ordenamento jurídico 
brasileiro a garantia de razoabilidade na duração do processo. Como é possível perceber, a duração 
razoável do processo deverá ser empregada tanto na esfera judicial, como administrativa, fazendo com 
que o jurisdicionado não necessite aguardar longos anos à espera de um provimento jurisdicional. Não 
obstante, o inciso em questão ainda denota que serão assegurados os meios que garantam a celeridade 
da tramitação do processo. 
 
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 
 
O parágrafo em tela demonstra que os direitos e garantias fundamentais constantes no bojo de toda a 
Carta Magna passaram a ter total validade com a entrada em vigor da Constituição, independentemente, 
da necessidade de regulamentação de algumas matérias por lei infraconstitucional. 
 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do 
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República 
Federativa do Brasil seja parte. 
 
O parágrafo 2º explicita que os direitos e garantias expressos em toda a Constituição não excluem 
outros decorrentes do regime e dos princípios adotados, ou dos tratados internacionais em que o Brasil 
seja parte. Desta maneira, além dos direitos e garantias já existentes, este parágrafo consagra a 
possibilidade de existência de outros decorrentes do regime democrático. Não obstante, o parágrafo 
supracitado não exclui outros princípios derivados de tratados internacionais em que o Brasil seja 
signatário. Quando o assunto abordado diz respeito aos tratados, cabe ressaltar a importante alteração 
trazida pela Emenda Constitucional nº 45/04, que inseriu o parágrafo 3º, que será analisado 
posteriormente. 
 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. 
 
Este parágrafo trouxe uma novidade inserida pela Emenda Constitucional nº 45/04 (Reforma do 
Judiciário). A novidade consiste em atribuir aos tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos o mesmo valor de emendas constitucionais, desde que sejam aprovados pelo rito necessário. 
Para que as emendas alcancem tal caráter é necessária à aprovação em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos membros. Contudo, cabe ressaltar que este 
parágrafo somente abrange os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Assim, os 
demais tratados serão recepcionados pelo ordenamento jurídico brasileiro com o caráter de lei ordinária, 
diferentemente do tratamento dado aos tratados de direitos humanos, com a edição da Emenda nº 45/04. 
 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha 
manifestado adesão. 
 
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Este parágrafo é outra novidade inserida ao ordenamento jurídico pela Emenda Constitucional nº 
45/04. Nos moldes do parágrafo supracitado o Brasil