Nocoes de Igualdade Racial e de Genero
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Nocoes de Igualdade Racial e de Genero


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\u2013 são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado 
o direito à indenização por dano material ou moral decorrente de sua violação; 
 
Os direitos da personalidade decorrem da dignidade humana. O direito à privacidade decorre da 
autonomia da vontade e do livre-arbítrio, permitindo à pessoa conduzir sua vida da forma que julgar mais 
conveniente, sem intromissões alheias, desde que não viole outros valores constitucionais e direitos de 
terceiro. 
A CF/88 protege a privacidade, que abrange: intimidade, vida privada, honra e imagem. 
A honra pode ser subjetiva (estima que a pessoa possui de si mesma) ou objetiva (reputação do 
indivíduo perante o meio social em que vive). As pessoas jurídicas só possuem honra objetiva. 
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O direito à imagem, que envolve aspectos físicos, inclusive a voz, impede sua captação e difusão sem 
o consentimento da pessoa, ainda que não haja ofensa à honra. Neste sentido, a súmula 403 do STJ: 
\u201cSúmula 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da 
imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais\u201d. 
 
Este direito, como qualquer outro direito fundamental, pode ser relativizado quando em choque com 
outros direitos. Por exemplo, pessoas públicas, tendem a ter uma restrição do direito à imagem frente ao 
direito de informação da sociedade. Também a divulgação em contexto jornalístico de interesse público, 
a captação por radares de trânsito, câmeras de segurança ou eventos de interesse público, científico, 
histórico, didático ou cultural são limitações legítimas ao direito à imagem. 
Por outro lado, o inciso em questão traz a possibilidade de ajuizamento de ação que vise à indenização 
por danos materiais ou morais decorrentes da violação dos direitos expressamente tutelados. Entende-
se como dano material, o prejuízo sofrido na esfera patrimonial, enquanto o dano moral, aquele não 
referente ao patrimônio do indivíduo, mas sim que causa ofensa à honra do indivíduo lesado. 
Não obstante a responsabilização na esfera civil, ainda é possível constatar que a agressão a tais 
direitos também encontra guarida no âmbito penal. Tal fato se abaliza na existência dos crimes de calúnia, 
injúria e difamação, expressamente tipificados no Código Penal Brasileiro. 
 
XI- a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento 
do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o 
dia, por determinação judicial; 
 
O conceito de casa é amplo, alcançando os locais habitados de maneira exclusiva. Exemplo: 
escritórios, oficinas, consultórios e locais de habitação coletiva (hotéis, motéis etc.) que não sejam abertos 
ao público, recebendo todos estes locais esta proteção constitucional. 
O referido inciso traz a inviolabilidade do domicílio do indivíduo. Todavia, tal inviolabilidade não possui 
cunho absoluto, sendo que o mesmo artigo explicita os casos em que há possibilidade de penetração no 
domicílio sem o consentimento do morador. Os casos em que é possível a penetração do domicílio são: 
 
Durante o dia Durante a noite 
Consentimento do morador Consentimento do morador 
Caso de flagrante delito Caso de flagrante delito 
Desastre ou prestar socorro Desastre ou prestar socorro 
Determinação judicial -- 
 
Note-se que o ingresso em domicílio por determinação judicial somente é passível de realização 
durante o dia. Tal ingresso deverá ser realizado com ordem judicial expedida por autoridade judicial 
competente, sob pena de considerar-se o ingresso desprovido desta como abuso de autoridade, além da 
tipificação do crime de Violação de Domicílio, que se encontra disposto no artigo 150 do Código Penal. 
Todavia, o que podemos considerar como dia e noite? Existem entendimentos que consideram o dia 
como o período em que paira o sol, enquanto a noite onde há a existência do crepúsculo. No entanto, 
entendemos não ser eficiente tal classificação, haja vista a existência no nosso país do horário de verão 
adotado por alguns Estados e não por outros, o que pode gerar confusão na interpretação desse inciso. 
Assim, para fins didáticos e de maior segurança quanto à interpretação, entendemos que o dia pode 
ser compreendido entre as 6 horas e às 18 horas do mesmo dia, enquanto o período noturno é 
compreendido entre as 18 horas de um dia até às 6 horas do dia seguinte (critério cronológico). 
 
XII- é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que 
a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; 
 
Este inciso tem por escopo demonstrar a inviolabilidade do sigilo de correspondência e das 
comunicações telegráficas, de dados e comunicações telefônicas. No entanto, o próprio inciso traz a 
possibilidade de quebra do sigilo telefônico, por ordem judicial, desde que respeite a lei, para que seja 
possível a investigação criminal e instrução processual penal. 
Para que fique mais claro o conteúdo do inciso em questão, vejamos: 
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- Sigilo de Correspondência: Possui como regra a inviolabilidade trazida no Texto Constitucional. 
Todavia, em caso de decretação de estado de defesa ou estado de sítio poderá haver limitação a tal 
inviolabilidade. Outra possibilidade de quebra de sigilo de correspondência entendida pelo Supremo 
Tribunal Federal diz respeito às correspondências dos presidiários. Visando a segurança pública e a 
preservação da ordem jurídica o Supremo Tribunal Federal entendeu ser possível à quebra do sigilo de 
correspondência dos presidiários. Um dos motivos desse entendimento da Suprema Corte é que o direito 
constitucional de inviolabilidade de sigilo de correspondência não pode servir de guarida aos criminosos 
para a prática de condutas ilícitas. 
- Sigilo de Comunicações Telegráficas: A regra empregada é da inviolabilidade do sigilo, sendo, 
porém, possível à quebra deste em caso de estado de defesa e estado de sítio. 
- Sigilo das Comunicações Telefônicas: A regra é a inviolabilidade de tal direito. Outrossim, a própria 
Constituição traz no inciso supracitado a exceção. Assim, será possível a quebra do sigilo telefônico, 
desde que esteja amparado por decisão judicial de autoridade competente para que seja possível a 
instrução processual penal e a investigação criminal. O inciso em questão ainda exige para a quebra do 
sigilo a obediência de lei. Essa lei entrou em vigor em 1996, sob o nº 9.296. A lei em questão, traz em 
seu bojo, alguns requisitos que devem ser observados para que seja possível realizar a quebra do sigilo 
telefônico. 
Isso demonstra que não será possível a quebra dos sigilos supracitados por motivos banais, haja vista 
estarmos diante de um direito constitucionalmente tutelado. 
A quebra desse tipo de sigilo pode ocorrer por determinação judicial ou por Comissão Parlamentar de 
Inquérito (CPI). 
O sigilo de dados engloba dados fiscais, bancários e telefônicos (referente aos dados da conta e não 
ao conteúdo das ligações). 
Quanto às comunicações telefônicas (conteúdo das ligações), existe uma reserva jurisdicional. A 
interceptação só pode ocorrer com ordem judicial, para fins de investigação criminal ou instrução 
processual penal, sob pena de constituir prova ilícita. 
 
XIII- é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer; 
 
Aqui estamos diante de uma norma de aplicabilidade contida. A norma de aplicabilidade contida possui 
total eficácia, dependendo, no entanto, de uma lei posterior que reduza a aplicabilidade