Nocoes de Igualdade Racial e de Genero
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Nocoes de Igualdade Racial e de Genero


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é o objeto da 
sucessão. Com a morte abre-se a sucessão, que tem por objetivo transferir o patrimônio do falecido aos 
seus herdeiros. É importante salientar que são transferidos aos herdeiros tanto créditos (ativo) como 
dívidas (passivo), até que seja satisfeita a totalidade da herança. 
Os herdeiros só respondem pelas dívidas de seu sucessor nas forças da herança. 
 
XXXI- a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em 
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável à lei 
pessoal do de cujus; 
 
Neste inciso estamos diante da sucessão de bens de estrangeiros situados no nosso país. A regra, 
conforme denota o inciso supracitado, é que a sucessão dos bens do estrangeiro será regulada pela lei 
brasileira. Todavia, o próprio inciso traz uma exceção, que admite a possibilidade da sucessão ser 
regulada pela lei do falecido, desde que seja mais benéfica ao cônjuge e aos filhos brasileiros. 
 
XXXII- o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; 
 
Este inciso traz, em seu conteúdo, a intenção do Estado em atuar na defesa do consumidor, ou seja, 
da parte hipossuficiente da relação de consumo. O inciso supracitado explicita que o Estado promoverá, 
na forma da lei, a defesa do consumidor. A lei citada pelo inciso entrou em vigor no dia 11 de setembro 
de 1990 e foi denominada como Código de Defesa do Consumidor, sob o nº 8.078/90. 
 
XXXIII- todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, 
ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de 
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade 
e do Estado; 
 
Aqui encontramos um desdobramento do direito à informação. Como é cediço é direito fundamental 
ao cidadão informar e ser informado. Desta maneira, todos têm direito a receber dos órgãos públicos 
informações de seu interesse ou de interesse coletivo ou geral. Para que seja efetivado o direito de 
informação, em caso de descumprimento, o ofendido poderá utilizar-se do remédio constitucional 
denominado habeas data, que tem por escopo assegurar o conhecimento das informações dos indivíduos 
que estejam em bancos de dados, bem como de retificar informações que estejam incorretas, por meio 
sigiloso, judicial ou administrativo. 
É importante salientar que as informações deverão ser prestadas dentro do prazo estipulado em lei, 
sob pena de responsabilidade. 
Todavia, o final do inciso supracitado traz uma limitação à liberdade de informação qual seja: a restrição 
aos dados cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. 
 
XXXIV- são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poder Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso 
de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento 
de situações de interesse pessoal; 
 
Preliminarmente, é importante salientar que tanto o direito de petição ao Poder Público, como o direito 
de obtenção de certidões em repartições públicas são assegurados, independentemente, do pagamento 
de taxas. Isso não quer dizer que o exercício desses direitos seja realizado gratuitamente, mas sim, que 
podem ser isentos de taxas para as pessoas reconhecidamente pobres. 
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A alínea \u201ca\u201d traz, em seu bojo, o direito de petição. Tal direito consiste na possibilidade de levar ao 
conhecimento do Poder Público a ocorrência de atos eivados de ilegalidade ou abuso de poder. 
Posteriormente, a alínea \u201cb\u201d trata da obtenção de certidões em repartições públicas. De acordo com a 
Lei nº 9.051/95 o prazo para o esclarecimento de situações e expedição de certidões é de quinze dias. 
Todavia, se a certidão não for expedida a medida jurídica cabível é a impetração do mandado de 
segurança e não o habeas data. 
 
XXXV- a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; 
 
Neste inciso encontra-se consagrado o princípio da inafastabilidade da jurisdição. Como explicita o 
próprio conteúdo do inciso supracitado, não poderão haver óbices para o acesso ao Poder Judiciário. 
Havendo lesão ou ameaça de lesão a direito, tal questão deverá ser levada até o Poder Judiciário para 
que possa ser dirimida. Quando a lesão acontecer no âmbito administrativo não será necessário o 
esgotamento das vias administrativas. Assim, o lesado poderá ingressar com a medida cabível no Poder 
Judiciário, independentemente do esgotamento das vias administrativas. Todavia, há uma exceção a essa 
regra. Tal exceção diz respeito à Justiça Desportiva, que exige para o ingresso no Poder Judiciário, o 
esgotamento de todos os recursos administrativos cabíveis. 
 
XXXVI- a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; 
 
Quando este inciso explicita que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a 
coisa julgada, a real intenção é a preservação da segurança jurídica, pois com a observância deste 
estaremos diante da estabilidade das relações jurídicas. Para um melhor entendimento, o conceito dos 
institutos supracitados estão dispostos no artigo 6º da LINDB (Lei de Introdução às Normas de Direito 
Brasileiro). São eles: 
- Direito adquirido: Direito que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo 
começo do exercício tenha termo prefixo ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem; 
- Ato jurídico perfeito: Ato já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou; 
- Coisa julgada: Decisão judicial de que não caiba mais recurso. 
 
Estes institutos são de extrema relevância no ordenamento jurídico brasileiro, pois eles garantem a 
estabilidade de relações jurídicas firmadas. Imaginemos se inexistissem tais institutos e uma lei que 
trouxesse malefícios entrasse em vigor? Estaríamos diante de total insegurança e anarquia jurídica, pois, 
transações realizadas, contratos firmados, sentenças prolatadas poderiam ser alteradas pela 
superveniência de um ato normativo publicado. Assim, com a existência de tais institutos jurídicos, uma 
lei posterior não poderá alterar o conteúdo de relações jurídicas firmadas, o que enseja ao jurisdicionado 
um sentimento de segurança ao buscar o acesso ao Poder Judiciário. 
 
XXXVII- não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
 
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 apresenta no inciso supracitado, a 
impossibilidade de adoção no ordenamento jurídico brasileiro, do juízo ou tribunal de exceção. São 
considerados juízos ou tribunais de exceção, aqueles organizados posteriormente à ocorrência do caso 
concreto. O juízo de exceção é caracterizado pela transitoriedade e pela arbitrariedade aplicada a cada 
caso concreto. Esse juízo ofende claramente ao princípio do juiz natural, que prevê a garantia de ser 
julgado por autoridade judiciária previamente competente. 
 
XXXVIII- é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude da defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; 
 
A instituição do Tribunal do Júri foi criada originariamente com o escopo de julgar os crimes de 
imprensa. Todavia, com o passar dos tempos, essa instituição passou a ser utilizada com a finalidade de 
julgar os crimes dolosos contra a vida. 
Os crimes contra a vida, compreendidos entre os artigos 121 a 128 do Código Penal, são os seguintes: 
homicídio; induzimento; instigação e auxílio ao suicídio; infanticídio e aborto. Cabe ressaltar que a 
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instituição