Nocoes de Igualdade Racial e de Genero
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Nocoes de Igualdade Racial e de Genero


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do júri somente é competente para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, cabendo ao 
juízo monocrático ou singular o julgamento dos crimes culposos. 
Crime doloso, segundo o Código Penal, é aquele onde o sujeito praticante da conduta lesiva quer que 
o resultado lesivo se produza ou assume o risco de produzi-lo. Já, o crime culposo, é aquele onde o 
sujeito ativo praticante da conduta agiu sob imprudência, negligência ou imperícia. 
Como característica dessa instituição está à plenitude de defesa. A plenitude de defesa admite a 
possibilidade de todos os meios de defesa, sendo caracterizado como um nível maior de defesa do que 
a ampla defesa, defendida em todos os procedimentos judiciais, sob pena de nulidade processual. 
Outra característica importante acerca da instituição do Tribunal do Júri é o sigilo das votações. No dia 
do julgamento em plenário, após os debates, o juiz presidente do Tribunal do Júri efetua a leitura dos 
quesitos formulados acerca do crime para os sete jurados, que compõe o Conselho de Sentença, e os 
questiona se estão preparadas para a votação. Caso seja afirmativa a resposta, estes serão 
encaminhados, juntamente com o magistrado até uma sala onde será realizada a votação. Neste ato, o 
juiz efetua a leitura dos quesitos e um oficial entrega duas cédulas de papel contendo as palavras sim e 
não aos jurados. Posteriormente, estas são recolhidas, para que seja possível chegar ao resultado final 
do julgamento. É importante salientar que essa característica de sigilo atribuída à votação deriva do fato 
que inexiste possibilidade de se descobrir qual o voto explicitado pelos jurados individualmente. Isso 
decorre que inexiste qualquer identificação nas cédulas utilizadas para a votação. 
A última característica referente à instituição do Tribunal do Júri diz respeito à soberania dos 
veredictos. Essa característica pressupõe que as decisões tomadas pelo Tribunal do Júri não poderão 
ser alteradas pelo Tribunal de Justiça respectivo. No entanto, um entendimento doutrinário atual considera 
a possibilidade de alteração da sentença condenatória prolatada no Tribunal do Júri, quando estiver 
pairando questão pertinente aos princípios da plenitude de defesa, do devido processo legal e da verdade 
real. 
 
XXXIX- não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; 
 
Esse princípio, muito utilizado no Direito Penal, encontra-se bipartido em dois subprincípios, quais 
sejam: subprincípio da reserva legal e subprincípio da anterioridade. 
O primeiro explicita que não haverá crime sem uma lei que o defina, ou seja, não será possível imputar 
determinado crime a um indivíduo, sem que a conduta cometida por este esteja tipificada, ou seja, prevista 
em lei como crime. Ainda o subprincípio da reserva legal explicita que não haverá pena sem cominação 
legal. 
Já, o subprincípio da anterioridade, demonstra que há necessidade uma lei anterior ao cometimento 
da conduta para que seja imputado o crime ao sujeito ativo praticante da conduta lesiva. Outrossim, não 
será possível a aplicabilidade de pena, sem uma cominação legal estabelecida previamente. 
Não teria sentido adotarmos o princípio da legalidade, sem a correspondente anterioridade, pois criar 
uma lei, após o cometimento do fato, seria totalmente inútil para a segurança que a norma penal deve 
representar a todos os seus destinatários. 
O indivíduo somente está protegido contra os abusos do Estado, caso possa ter certeza de que as leis 
penais são aplicáveis para o futuro, a partir de sua criação, não retroagindo para abranger condutas já 
realizadas. 
A lei penal produz efeitos a partir de sua entrada em vigor, não se admitindo sua retroatividade 
maléfica. Não pode retroagir, salvo se beneficiar o réu. 
 É proibida a aplicação da lei penal inclusive aos fatos praticados durante seu período de vacatio. 
Embora já publicada e vigente, a lei ainda não estará em vigor e não alcançará as condutas praticadas 
em tal período. 
Vale destacar, entretanto, a existência de entendimentos no sentido de aplicabilidade da lei em vacatio, 
desde que para beneficiar o réu. 
 
Vacatio refere-se ao tempo em que a lei é publicada até a sua entrada em vigor. A lei somente será 
aplicável a fatos praticados posteriormente a sua vigência. 
 
XL- a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; 
 
Nesse caso estamos diante da irretroatividade da lei penal. Como é possível perceber, o inciso em 
questão veda expressamente a retroatividade da lei penal. Todavia, a retroatividade, exceção 
expressamente prevista, somente será possível no caso de aplicação de lei benéfica ao réu. 
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Cabe ressaltar que o réu é o sujeito ativo praticante da conduta criminosa. No caso específico deste 
inciso estamos diante de aplicação de leis penais no tempo. A critério exemplificativo, imaginemos: o 
artigo 121, caput, do Código Penal explicita que o indivíduo que cometa o crime de homicídio (matar 
alguém) terá contra si aplicada pena de 6 a 20 anos. Um indivíduo que cometa essa conduta na vigência 
desta lei terá contra si aplicada a pena supracitada. Agora, imaginemos que após a realização de tal 
conduta seja publicada uma lei que aumente o limite de pena a ser aplicada aos praticantes do crime de 
homicídio para 10 a 30 anos. Essa lei poderá retroagir e atingir a situação processual do indivíduo que 
cometeu o crime sob a égide da lei anterior mais benéfica? A resposta é negativa. Isso ocorre pelo fato 
de que não é possível a retroatividade de lei maléfica ao réu. 
Agora, imaginemos que após a realização da conduta criminosa haja a superveniência de uma lei que 
reduza a pena aplicada ao sujeito ativo praticante do crime de homicídio para 1 a 3 anos ou determine 
que a prática de tal conduta não será mais considerada como crime pelo ordenamento jurídico. Tal lei 
poderá retroagir? A resposta é afirmativa. Isso ocorre pelo fato de que a existência de lei mais benéfica 
ao réu retroagirá. 
 
XLI- a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 
 
Este inciso garante que a lei punirá qualquer conduta discriminatória que atente contra os direitos e 
liberdades fundamentais. Todavia, como é possível perceber há necessidade da existência de uma lei 
que descreva a punição aos sujeitos praticantes dessas condutas, tendo em vista a obediência ao 
princípio da legalidade. 
 
XLII- a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de 
reclusão, nos termos da lei; 
 
Atualmente, um dos grandes objetivos da sociedade global é a luta pela extinção do racismo no mundo. 
A nossa Constituição no inciso supracitado foi muito feliz em abordar tal assunto, haja vista a importância 
do mesmo dentro da conjectura social do nosso país. 
De acordo com o inciso XLII, a prática de racismo constitui crime inafiançável, imprescritível e sujeito 
à pena de reclusão. O caráter de inafiançabilidade deriva do fato que não será admitido o pagamento de 
fiança em razão do cometimento de uma conduta racista. Como é cediço, a fiança consiste na prestação 
de caução pecuniária ou prestação de obrigações que garantem a liberdade ao indivíduo até sentença 
condenatória. 
Outrossim, a prática do racismo constitui crime imprescritível. Para interpretar de maneira mais eficaz 
o conteúdo do inciso supracitado é necessário entendermos em que consiste o instituto da prescrição. A 
prescrição consiste na perda do direito de punir pelo Estado, em razão do elevado tempo para apuração 
dos fatos. Assim, o Estado não possui tempo delimitado para a apuração do fato delituoso, podendo o 
procedimento perdurar por vários anos. Cabe ressaltar que existem diversas espécies de prescrição, 
todavia, nos ateremos somente ao gênero para uma noção do instituto tratado. 
Ademais,