Nocoes de Igualdade Racial e de Genero
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Nocoes de Igualdade Racial e de Genero


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o inciso estabelece que o crime em questão será sujeito à pena de reclusão. A reclusão é 
uma modalidade de pena privativa de liberdade que comporta alguns regimes prisionais, quais sejam: o 
fechado, o semiaberto e o aberto. 
 
XLIII- a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática de 
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes 
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se 
omitirem; 
 
O inciso em questão tem por objetivo vetar alguns benefícios processuais aos praticantes de crimes 
considerados como repugnantes pela sociedade. Os crimes explicitados pelo inciso são: tortura, o tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os hediondos. 
 
LXIV- constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, 
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; 
 
Este inciso demonstra o caráter inafiançável e imprescritível da ação de grupos, armados, civis ou 
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Como já foi explicitado anteriormente, o 
cometimento de tais crimes não são submetidos ao pagamento de fiança, para que o sujeito praticante 
do mesmo possa aguardar em liberdade eventual sentença condenatória. Não obstante, a prática de tais 
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ações se caracteriza como imprescritíveis, ou seja, o Estado não possui um tempo delimitado para 
apuração dos fatos, podendo levar anos para solucionar o caso. 
 
XLV- nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano 
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra 
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
 
Neste inciso estamos diante do princípio da personalização da pena. Preliminarmente, para melhor 
compreensão do inciso é necessário explicitar que estamos diante de responsabilidades nos âmbitos civil 
e penal. 
No âmbito penal, a pena é personalíssima, ou seja, deverá ser cumprida pelo sujeito praticante do 
delito, não podendo ser transferida a seus herdeiros. Esta assertiva se justifica pelo fato de que se o 
condenado falecer, de acordo com o artigo 107 do Código Penal, será extinta sua punibilidade. 
Todavia, quando tratamos de responsabilidade no âmbito civil, a interpretação é realizada de maneira 
diversa. De acordo com o inciso supracitado, a obrigação de reparar o dano e a decretação de perdimento 
de bens podem se estender aos sucessores do condenado e contra eles executadas, até o limite do valor 
do patrimônio transferido. Isso ocorre pelo fato que no âmbito civil a pena não possui o caráter 
personalíssimo. 
 
XLVI- a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição de liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
 
Este inciso expressa o princípio da individualização da pena. Desta maneira, além do princípio da 
personalização da pena, há o emprego da individualização no cumprimento da pena, pois é necessário 
que exista uma correspondência entre a conduta externalizada pelo sujeito e a punição descrita pelo texto 
legal. 
Nesse passo, o inciso XLVI traz, em seu bojo, as espécies de penas admissíveis de aplicação no 
Direito Pátrio. São elas: 
a) privação ou restrição de direitos 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos. 
Assim, o inciso apresenta um rol exemplificativo das penas admissíveis no ordenamento jurídico 
brasileiro, para, posteriormente, no inciso subsequente expressar as espécies de penas vedadas. 
 
XLVII- não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
 
Aqui estamos diante do rol taxativo de penas não passíveis de aplicação no ordenamento jurídico 
brasileiro. São elas: 
- Pena de morte: em regra, não será admitida sua aplicação no Direito Pátrio. Porém, a própria alínea 
\u201ca\u201d demonstra a possibilidade de aplicação de tal pena nos casos de guerra declarada. 
- Pena de caráter perpétuo: Não é admissível sua aplicação, pois uma das características inerentes 
da pena é o caráter de provisoriedade. 
- Pena de trabalhos forçados: Essa espécie de pena proíbe o trabalho infamante, prejudicial ao 
condenado, em condições muito difíceis. No entanto, é importante salientar que a proibição de trabalhos 
forçados não impede o trabalho penitenciário, utilizado como sistemática de recuperação. 
- Pena de banimento: A pena de banimento consiste na expulsão do brasileiro do território nacional. 
Tal pena é proibida pela nossa Constituição sem qualquer ressalva. 
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- Pena cruel: Essa espécie de pena é vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro. Todavia, a 
definição de crueldade é complexa, haja vista se tratar de questão subjetiva, pois cada pessoa pode 
atribuir um conceito diverso a tal expressão. 
 
XLVIII- a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do 
delito, a idade e o sexo do apenado; 
 
De acordo com o inciso supracitado a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, devendo-se 
levar em conta critérios, como: natureza do delito, idade e sexo do apenado. Um exemplo a ser citado é 
o da Fundação CASA, para onde são destinados os adolescentes que cometem atos infracionais. 
 
XLIX- é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; 
 
A tutela do preso cabe ao Estado. Assim, sua integridade física e moral deve ser preservada, sob pena 
de responsabilização do Estado pela conduta dos seus agentes e dos outros presos. O fato de estar preso 
não significa que ele poderá receber tratamento desumano ou degradante. 
É importante salientar que este inciso é um desdobramento do princípio da dignidade da pessoa 
humana, pois, independentemente do instinto criminoso, o preso é uma pessoa que possui seus direitos 
protegidos pela Carta Magna. 
 
L- às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos 
durante o período de amamentação; 
 
Neste inciso não se busca a proteção dos direitos da presidiária, mas sim dos filhos, pois, como é 
cediço, é de extrema importância à alimentação das crianças com leite materno, bem como a convivência 
com a mãe nos primeiros dias de vida. 
 
LI- nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, 
praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; 
 
O presente inciso demonstra a impossibilidade de extradição do brasileiro nato. Em hipótese alguma 
o brasileiro nato será extraditado. Contudo, o brasileiro naturalizado, poderá ser extraditado desde que 
ocorram as seguintes situações: 
 
Antes da naturalização Depois da naturalização 
- prática de crime comum -- 
- comprovado envolvimento em tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins 
- comprovado envolvimento em tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins. 
 
LII- não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; 
 
Este inciso traz as únicas hipóteses em que o estrangeiro não será extraditado, quais sejam: O 
cometimento de crime político ou de opinião. É importante não confundir a expressão \u201ccrime político\u201d com 
a expressão \u201ccrime eleitoral\u201d. Essa diferenciação é de extrema importância, pois crimes políticos são 
aqueles que atentam contra a estrutura política de um Estado, enquanto os crimes eleitorais são