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na imprensa local e 
nacional, o que resultou no comparecimento maciço de jornalistas. a entrega das obras de revitalização 
do Terminal novo Rio ganhou uma ampla cobertura, sendo repercutida pelos principais veículos de 
comunicação do País. Um número considerável de emissoras de televisão brasileiras exibiu reportagens 
sobre a revitalização do terminal. destacam-se ainda as matérias veiculadas nos sites do Ministério do 
Turismo, Governo do estado e da coderte, além da imprensa especializada. 
entre as principais veiculações obtidas na imprensa escrita local e nacional, se destacam duas 
matérias de capa (manchetes) no jornal O Globo e matéria de página inteira na revista Veja Rio, além de 
matéria no Jornal do commercio (07/11/2009) e nota no jornal O dia (08/11/2009). Painéis de exposição, 
reproduzindo a história do Terminal Rodoviário novo Rio, com fotos do \u2018antes e do depois\u2019 da revitalização, 
permanecem em exibição para a população, no setor de embarque superior do terminal. Para a realização 
do lançamento, as áreas envolvidas \u2014 direta ou indiretamente \u2014 com a gestão do Terminal novo Rio 
(Operação, Recursos Humanos, Manutenção e administração) foram mobilizadas. Uma enquete realizada 
entre fevereiro e março de 2010 trouxe resultados que superaram as expectativas da empresa; nos quesitos 
pesquisados (Limpeza, segurança e comunicação Visual), os índices de aprovação ultrapassam os 80%.
5 7M A R K E T I N G E C O M U N I C A Ç Ã O \uf038 O U T U B R O / 2 0 1 3 \uf038
ágora era a praça do mercado, era também o espaço onde se proferiam discursos, onde tinha lugar a votação do 
ostracismo \u2013 recurso que condenava ao exílio qualquer cidadão com potencial para se tornar um tirano \u2013 homens 
livres discutiam ideias, julgamentos, física, tragédias, feitos de heróis...
\u201cna ágora, criadas pelos que estavam em condições de participar, realizavam-se inúmeras e 
diversificadas atividades concorrentes, num caos quase completo. Havia danças religiosas no terreno 
descoberto e regular, chamado orkhestra; atividades financeiras transcorriam em mesas postas ao sol, 
onde banqueiros sentavam-se de frente para seus clientes. (...) Os pórticos eram palco para comer e 
negociar, tecer mexericos e cumprir obrigações religiosas (...)\u201d 5
era o local onde não apenas fazia-se o mercado, mas este se fundia à política. Homens livres exerciam na 
ágora seus principais direitos: mercado e política.
a cidade se desenvolvia e se conformava em paralelo com o amadurecimento da democracia, e a política, 
atividade privilegiada da pólis, se produzia a partir da participação popular. assim entendidos, os mármores do 
Parthenon expressam, em seus corpos nus, o orgulho de uma sociedade que espelhava em sua cidade os ideais 
estéticos, políticos e filosóficos de homens livres. \u201ca evolução da democracia ateniense deu forma às superfícies 
e às proporções da ágora, pois o movimento possível em espaços simultâneos favorecia uma participação mais 
intensa.\u201d 6
O que os gregos prezavam nas atividades da ágora era aquilo que as formas tirânicas de governo 
desprezam: a pluralidade da voz. a voz da rua é plural, vários falam simultaneamente sobre assuntos diversos, 
uns concordam, enquanto outros discordam, há debate, disputa, barganha. deste burburinho emergia certo 
tipo de justiça, certo tipo de governo, certo tipo de mercado, onde uma única voz não conseguia se sobrepor às 
diversas vozes, consonantes ou não.
\u201ca assembléia de todos os cidadãos ainda se realizava no mesmo lugar, para debater e votar as 
penas de ostracismo; os tribunais transbordavam de pessoas; as ruas em torno expandiam-se com o 
comércio. ela deixou de ser apenas o espaço dominante da voz; sua diversidade tornou-a incontrolável 
pela voz do poder.\u201d 7
avançando mais no tempo, e amparado no trabalho de e.P.Thompson 8, a economia das Multidões, podemos 
observar que a praça do mercado não havia mudado de lugar nas sociedades pré-capitalistas. Thompson está 
investigando os motins da fome no século XViii na inglaterra e descobre que a praça é o local onde se acomodam 
as tensões:
\u201cMas se o mercado era o ponto em que os trabalhadores mais freqüentemente se sentiam expostos à 
exploração, era também o ponto (...) em que eles podiam mais facilmente se organizar. ir ao mercado 
(ou \u201cfazer as compras\u201d) se torna cada vez mais impessoal na sociedade industrial desenvolvida. na 
Grã Bretanha e na França do século XVIII (e em algumas partes do sul da Itália, no Haiti, na Índia rural 
ou na África da atualidade) o mercado continuava a e uma conexão tanto econômica quanto social. era 
o lugar onde ocorriam centenas de transações: as notícias eram dadas, os rumores e boatos corriam 
por toda parte, discutia-se política (se é que se discutia) nas estalagens ou vendas de vinho ao redor 
da praça do mercado. O mercado era o lugar onde as pessoas, por serem numerosas, sentiam por um 
momento que tinham grande força.\u201d 9
O mercado, em sua dimensão econômica, política e sobretudo social, é o espaço urbano de distensão, 
\uf038 A N T p \uf038 s é R i e C A d E R N O s T É C N I C O s \uf038 V O L U M e 1 15 8
a arena onde se acomodam as tensões. Mais que isso, o historiador identifica uma economia moral, que 
prevalecia nas relações de mercado nas sociedades pré-capitalistas. e quando ocorrem os motins, levantes ou, 
modernamente, as manifestações, o que a multidão reclama é a moralização do mercado, conforme o costume.
\u201cé certamente verdade que os motins eram provocados pelo aumento dos preços, por maus 
procedimentos dos comerciantes ou pela fome. Mas essas queixas operavam dentro de um consenso 
popular a respeito do que eram práticas legítimas e ilegítimas na atividade do mercado, dos moleiros, 
dos que faziam o pão, etc. (...) O desrespeito a estes pressupostos morais, tanto quanto a privação 
real, era o motivo habitual para a ação direta.\u201d 10
Afinal, será que estas realidades são tão diferentes das que vivemos atualmente? O que a multidão \u2013 no 
Brasil, egito ou Turquia \u2013 está pedindo, reclamando, exigindo nas ruas não é voz política, moralização do mercado 
e respeito aos costumes da sociedade?As experiências podem parecer distantes no tempo e no espaço, mas 
continuam ressoando, e podem interessar a um jornalista de olhos abertos e ouvidos atentos. 
Bem, estamos tentando entender a opinião pública, e talvez seja interessante conhecer um pouco de sua 
história e de suas manifestações; que pistas podemos encontrar que nos ajudem em nossa investigação? Trata-se 
de desvendar um mistério que se recria e se reinventa. não por acaso, as primeiras declarações das autoridades 
públicas, no início das manifestações de junho, eram sempre as de que estavam \u201ctentando entender\u201d: entender 
as manifestações, entender que respostas dar...
Onde está a praça do mercado em nossos dias? Ela se tornou intangível, dissolveu-se, pulverizou-se. Quem sabe 
se tornou invisível, seguindo o rastro de um mercado e uma política, que se dissociaram. O mercado de bens 
de consumo se virtualizou. Hoje o mercado, o shopping, a loja onde você consome e consuma o ato de comprar 
não é o lugar onde se realiza a venda. a venda se realizou remotamente, em casa, no carro, no celular. enquanto 
caminha nas ruas, se vive a experiência sensorial do consumo, através de rádio, televisão, internet, mídia , do 
e-commerce...
O que se vendem são sonhos, desejos, aspirações, não bens. Os bens são a expressão tangível do sonho de 
ter um carro e ser bem sucedido, do desejo de se destacar como uma celebridade, quando frequenta o lugar da 
moda, da aspiração de posicionamento social a partir da associação a bens, lugares e grifes. carlos drummond 
de andrade 11, com sua imensa sensibilidade de poeta, observa o processo de etiquetação do homem:
\u201cem minha calça está grudado um nome
Que não