Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 1
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mente com o ar, penetrando no corpo através do nariz e ou boca,
pelo processo respiratório. Como exemplos, temos: vírus da gri-
pe, do sarampo e da catapora; bactérias responsáveis pela me-
ningite, tuberculose e difteria (crupe);
c) pele e mucosa (via transcutânea) \u2013 geralmente, os agentes in-
fecciosos penetram na pele ou mucosa dos hospedeiros através
de feridas, picadas de insetos, arranhões e queimaduras, rara-
mente em pele íntegra. Como exemplos, temos:dengue, doença
de Chagas e malária;
d) vagina e uretra (via urogenital) - os agentes infecciosos pene-
tram nos hospedeiros pelos órgãos genitais, por meio de se-
creções e do sêmen, nos contatos e relações sexuais. Assim
ocorre a transmissão da sífilis, gonorréia, AIDS, tricomoníase,
herpes genital e o papilomavírus humano.
As larvas de helmintos pene-
tram ativamente na pele de pés
descalços de pessoas que pi-
sam em solo contaminado por
fezes. Por sua vez, muitos
protozoários sangüíneos pene-
tram através de picadas de
vetores hematófagos, como
exemplo: o barbeiro - transmis-
sor da doença de Chagas.
Tomar banho em água contami-
nada com fezes (rios, lagos,
córregos, etc.) pode favorecer a
transmissão da esquistos-
somose (barriga d\u2019água), atra-
vés da pele.
Hematófagos - insetos que se
alimentam de sangue.
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 2 PPPPParasitologia e Microbiologia
3.7 Principais portas de saída ou vias
de eliminação dos agentes
infecciosos
Os agentes infecciosos, após penetrarem no hospedeiro, instalam-
se nos tecidos, cavidades ou órgãos que mais os beneficiam, multiplicam-
se e, depois, saem ou eliminam formas evolutivas (larvas, ovos ou cistos).
Para tal, utilizam-se das seguintes portas de saída ou vias de eliminação:
a) ânus e boca (via digestiva) - os agentes infecciosos saem, jun-
tamente com as fezes, pela via digestiva, através do ânus.
Estes são normalmente aqueles agentes que penetram por
via oral (boca), localizando-se, geralmente, na faringe e ór-
gãos do aparelho digestivo (principalmente nos intestinos).
Como exemplos: os vírus da hepatite A e as bactérias causa-
doras de diarréias (Entamoeba coli, Salmonella, Shigella), febre
amarela, febre tifóide, cólera, toxoplasmose, cisticerco de
Taenias sp., ovos de S. mansoni, A. lumbricoides, Enterobius (oxíuros)
e Trichuris, cistos de amebas e Giardias e larvas de Strongyloides.
São eliminados pela saliva, dentre outros, os vírus (herpes,
raiva, poliomielite) e bactérias (difteria);
b) nariz e boca (via respiratória) - os agentes infecciosos são
expelidos por intermédio de gotículas produzidas pelos me-
canismos da tosse, do espirro, de escarros, secreções nasais e
expectoração. Geralmente, esses agentes infectam os pulmões
e a parte superior das vias respiratórias. Temos como exem-
plos as seguintes doenças transmissíveis: sarampo, caxumba,
rubéola, catapora, meningite, pneumonia e tuberculose. Mui-
tas vezes, os agentes que se utilizam das vias respiratórias
vão para outros locais, causando diferentes manifestações
clínicas. É o caso do Streptococos pneumoniae, causador da pneu-
monia, que também pode provocar sinusite e otite;
c) pele e mucosa (via transcutânea) \u2013 normalmente, a pele se
descama como resultado da ação do meio ambiente, em fun-
ção de atividades físicas - como exercícios - e no ato de ves-
tir-se e despir-se. Os agentes infecciosos eliminados pela pele
são os que se encontravam alojados nela e que geralmente
são transmitidos por contato direto, e não pela liberação no
meio ambiente. Através da pele ocorre a saída de vírus (her-
pes, varicela, verrugas) e bactérias, como as que causam fu-
rúnculos, carbúnculos, sífilis e impetigo. Leishmanias respon-
sáveis por úlceras cutâneas e o Sarcoptes scabiei, pela sarna, tam-
bém utilizam a pele como porta de saída;
d) vagina e uretras (via urogenital) - os agentes infecciosos são
geralmente eliminados por via vaginal e ou uretral - durante
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a relação sexual ou contato com líquidos corpóreos contamina-
dos -, pelo sêmen (HIV, herpes, sífilis, gonorréia e Trichomonas
vaginalis), pelas mucosas (fungos) ou urina (febre tifóide e fe-
bres hemorrágicas; e a leptospirose, transmitida pela urina de
ratos e cães infectados.
Adicionalmente, existem ainda as seguintes vias de eliminação:
\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022 Eliminação pelo leite
Como o leite é produzido por uma glândula da pele, podemos aqui
considerar os microrganismos eliminados através dele. O leite humano raramen-
te elimina agentes infecciosos, mas isto pode vir a acontecer com os seguintes
(dentre outros): vírus da caxumba, da hepatite B, HIV e o HTLV1. Com o leite
de cabra e de vaca a eliminação é mais freqüente, principalmente nos casos de
brucelose, tuberculose, mononucleose, Staphylococcus sp., Salmonellas sp. e outros
agentes capazes de causar diarréias no homem.
\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022 Eliminação pelo sangue
Existem muitos agentes infecciosos que têm preferência por viver
no sangue e, assim, acabam saindo por seu intermédio quando de um
sangramento (acidentes, ferimentos) ou realização de punção com agu-
lhas de injeção, transfusões ou, ainda, picadas de vetores (insetos). Res-
salte-se que ao picarem o homem para se alimentar os mosquitos adqui-
rem adicionalmente muitos agentes infecciosos que serão posteriormen-
te levados para outros indivíduos quando voltarem a se nutrir.
3.8 Ações nocivas dos agentes
infecciosos e ectoparasitos sobre os
seres vivos
Embora grande parte das infecções não apresente sintomas, mui-
tas delas podem manifestar-se logo após a penetração do agente infecci-
oso (fase aguda). Outras, porém, vêm a se manifestar bem mais tarde,
permanecendo em estado de latência à espera de uma oportunidade,
como a baixa de resistência do hospedeiro. Como exemplo, temos o her-
pes, a varicela, a tuberculose e a doença de Chagas.
Em muitos casos, após a penetração do agente infeccioso há
um período de incubação que perdura desde a penetração do mi-
crorganismo até o aparecimento dos primeiros sinais e sintomas. É uma
fase \u2018silenciosa\u2019, ou seja, sem manifestações clínicas. Pode variar de um
agente infeccioso para outro, mas, geralmente, é bem menor que o perí-
odo de latência. Por exemplo, a incubação da rubéola é de duas a três
semanas; a da febre aftosa, de 2 a 5 dias; já o período de latência da
toxoplasmose pode durar muitos anos.
Sinal - o que pode ser visto,
medido.
Sintoma - são as queixas que a
pessoa refere, não podendo ser
medidas ou vistas por outra.
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 2 PPPPParasitologia e Microbiologia
Após o período de incubação ou logo após a fase aguda (quando
há muitos sintomas), a infecção pode acabar ou, em muitos casos, evo-
luir para um período chamado de fase crônica, no qual há uma diminui-
ção dos sintomas.
Citamos a seguir alguns exemplos de agentes responsáveis ou de
doenças por eles provocadas, juntamente com os sinais e sintomas:
- prurido (coceira) - ex.: oxiúros;
- feridas, lesões e úlceras - ex.: leishmaniose, bactérias,
ectoparasitos (miíase);
- manchas, edemas (inchaço), descamações, tumorações - ex.: fun-
gos, sarampo, escarlatina, meningite e doença de Chagas;
- vesículas (bolhas) - ex.: herpes e catapora;
- nódulos - ex.: carbúnculos;
- lesões papulosas, elevadas, avermelhadas e com intensa cocei-
ra - ex.: ectoparasitos (piolhos, carrapatos) e larvas migrans (bi-
cho geográfico).
3.8.1 Principais sinais e sintomas gerais
No mais das vezes, os sinais e sintomas gerais surgem após o perí-
odo de incubação. Assim, podemos citar: febre (sarampo, meningite),
tosse (tuberculose), dores de cabeça (cefaléia), queda da imunidade (queda
da resistência \u2013 no caso da AIDS), mal-estar, desidratação (cólera), enjô-
os, vômitos e cólicas (amebas), diarréia (infecção bacteriana), dores mus-
culares (mialgia) e insuficiência cardíaca (doença de Chagas), lesões e
necrose no fígado e icterícia (pele amarelada \u2013 no caso da hepatite),