Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 1
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 1


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do grupo.
Todos os integrantes da equipe devem ter assegurado o direito
de participar dos processos de produção e divulgação da informa-
ção. Em um hospital, por exemplo, cada profissional deve ser in-
centivado a registrar no prontuário do paciente as ações executadas
e a ler as anotações anteriores, de modo a acompanhar a evolução
dos fatos ocorridos.
Um grupo de profissionais efetivamente integrado, no qual
todos se sintam igualmente importantes, produzindo e receben-
do informação, fazendo parte da rede de comunicação, traz mai-
or satisfação individual e, conseqüentemente, melhor participa-
ção no cotidiano do trabalho.
Nos expressamos todo o tem-
po, mesmo sem utilizarmos
palavras. Repare nas pessoas a
sua volta e veja como a postura,
a posição dos braços e mãos, a
boca e o olhar indicam como
elas se sentem: se estão felizes,
preocupadas, cansadas....
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 3 Psicologia Aplicada
Flexibilizar \u2013 tornar-se flexível,
apto para variadas coisas; ter
flexibilidade, destreza, agilidade.
Nessa profissão, a prática deve
ser sensível a determinados
valores. A idéia de perfeição, de
gosto pelo trabalho bem feito e
acabado, e o respeito pelo ou-
tro são valores que devem estar
dentro do ideário da Enferma-
gem.
3.3 A flexibilização do papel do
auxiliar de enfermagem
O atual auxiliar de enfermagem, além de continuar exercendo
as atividades diretamente relacionadas ao paciente, mantendo com
o mesmo um vínculo estreito, não mais pode ser imaginado \u2013 como
antes se pressupunha - como uma pessoa submissa, cumpridora de
escalas, plantões e determinações de forma reflexa, alheia ao proces-
so que envolve a doença (e não só esta, mas, principalmente, as ques-
tões de saúde), o paciente, o hospital ou qualquer outro local em
que exerça sua atividade.
O olhar sobre a doença mudou. Hoje, busca-se a saúde. Essa
redefinição de enfoque fez com que o auxiliar de enfermagem também se
deslocasse de seu local tradicional - o hospital - e se fizesse presente nas
escolas, clubes esportivos e demais espaços onde se promova a saúde.
Dessa forma, pode-se dizer que houve uma flexibilização no papel
do auxiliar de enfermagem, ou seja, o profissional do início do século
XXI, longe de ser o executor de tarefas \u201cdomésticas\u201d de caráter feminino
(predominante no século XVIII), é um ser crítico, consciente, capaz de
refletir sobre os limites de sua ação e de intervir em prol do cliente de
acordo com os recursos existentes. Para isso, espera-se que seja uma pes-
soa criativa e atenta às transformações do mundo moderno, já que co-
nhecer a realidade é requisito fundamental para que sua intervenção possa
tornar-se realmente eficaz. Deve, ainda, perceber sua co-responsabilida-
de social a partir do papel que desempenha - que não se resume ao de um
simples cuidador, mas de alguém que interage e modifica a situação de
saúde-doença de sua comunidade através de suas ações.
4- O AUXILIAR DE ENFERMAGEM E O OUTRO
Entre todos os integrantes da equipe de saúde envolvida com
um sujeito que precise de uma atenção diferenciada \u2013 um curativo,
monitoramento das funções vitais, auxílio para alimentação, asseio,
dispensação de medicamentos e afins -, compete ao auxiliar de enferma-
gem executar grande número de tarefas. Conseqüentemente, passa a maior
parte do tempo com a pessoa. É ele quem conhece a família do paciente,
suas visitas e com quem, por sua vez, estabelece vínculos.
Para que esse contato, essa troca que se estabelece, possa ocorrer
do modo mais tranqüilo e aprazível para ambas as partes, algumas ques-
tões, presentes na relação, devem ser consideradas \u2013 as quais, devido à
agitação do quotidiano, não sobra tempo para reflexão.
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4.1 O corpo
A Enfermagem detém a permissão social e cultural para tocar
o corpo do outro, nele realizando cuidados íntimos como desnudar,
limpar, amarrar, banhar, secar, alimentar, injetar, raspar, vestir, etc.
- nesses momentos, mesmo que não se aperceba, expressa seu siste-
ma de valores, conseqüência de sua cultura, de sua realidade.
Quando falamos de cultura,
estamos nos referindo aos pa-
drões de comportamento, cren-
ças e normas de uma socieda-
de, comunidade ou grupo social.
No nosso dia-a-dia, nas nossas
relações, reproduzimos os pa-
drões culturais.
Anatomoclínica \u2013 ciência que
estuda as doenças a partir dos
sinais expressos no organismo,
no corpo.
Capitalismo \u2013 regime socio-
político-econômico no qual
os meios de produção
constituem propriedade
privada.
É importante lembrar que o corpo do paciente é o objeto concre-
to de atenção durante os procedimentos realizados pela equipe de En-
fermagem e não deve ser tratado como um objeto de ação
despersonalizado, sem passado nem história.
A idéia que temos do corpo relaciona-se diretamente com os valo-
res socioculturais a ele atribuídos; deste modo, poderá ser compreendido
de modo diferenciado pelas pessoas. O próprio conceito de beleza física,
por exemplo, varia não só entre diferentes povos mas também entre di-
ferentes épocas.
 Assim, sua percepção resulta de nossa cultura específica, de nossa
simbolização dos conceitos de pessoa, sexualidade, dentre outros. No
decorrer da história, a cultura deixou marcas e atribuiu, em relação ao
corpo, significados que variaram de acordo com as diferentes épocas e
sociedades \u2013 os conceitos de certo ou errado, por exemplo.
Ao final do século XVIII e início do XIX, o corpo passa a ser
também um objeto da Medicina, com o nascimento da clínica e a com-
preensão do organismo como local de produção da doença que atinge os
seres humanos. O corpo ganha cada vez maior grandeza. A Medicina,
originada na anatomoclínica, é uma medicina do corpo, das lesões e
doenças, do que é visível.
A partir da Revolução Industrial e do advento do capitalismo, o
homem adquire um valor econômico implícito a seu próprio ser,
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haja vista que seu corpo físico torna-se como que uma metáfora de
uma máquina, extrapolando o aspecto meramente individual e passando a
representar uma força de trabalho vital, fazendo-se portanto necessário
mantê-lo sadio para a produção exigida pelos novos tempos.
4.2 O cuidado do corpo e suas
relações com a equipe de
enfermagem
O cuidado do corpo por parte do pessoal de enfermagem inclui a
manipulação do paciente mediante procedimentos e técnicas do ato de
cuidar. Nesse processo, além dos sentidos utiliza-se também a intuição, a
percepção e a sensibilidade, criando uma linguagem corporal própria na
qual, pela forma de tocar, olhar e cuidar do corpo do outro, o profissio-
nal expressa seus valores, conceitos, receios, preconceitos e temores.
Tomar consciência dos próprios temores, preconceitos, dúvi-
das e limites em relação ao seu próprio corpo e ao do paciente é fun-
damental para que se estabeleça uma relação na qual esse corpo - ob-
jeto do cuidado - se personifique, ganhe uma identidade, deixe de ser
apenas um objeto que precisa de cuidados para pertencer a uma pes-
soa que também tem seus próprios preconceitos, dúvidas, timidez e
vergonha, principalmente nos momentos de contato mais íntimo.
Ao prover as necessidades físicas do indivíduo, algo além do
próprio cuidado está em jogo. É possível estabelecer-se uma relação
de solidariedade na qual, mediante a percepção de suas dificuldades,
dúvidas e temores o profisssional coloca-se à disposição para ouvi-lo.
Há muita insegurança por parte das pessoas no momento da
hospitalização e na própria experiência da doença. Muitas vezes, não
sabem ao certo o que lhes vai acontecer. A ansiedade faz-se presente,
principalmente em procedimentos cirúrgicos que representam ameaça à
integridade corporal ou que comprometam a autonomia - como nos
casos de colostomia, mastectomia e amputações. Nesse último exem-
plo, é importante compreender que não é um simples membro que vai
ser extirpado em troca