Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 1
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 1


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de melhor prognóstico, mas sim uma parte da
pessoa, com função e significados específicos. Tal medida requererá
um aprendizado para a convivência com a nova situação. Assim, ao
invés de vãs tentativas para reanimá-lo, tentando abafar o medo e até
mesmo a revolta, é mais aconselhável tentar entender sua tristeza e
estar disposto a escutá-lo, exercendo a solidariedade.
Durante a manipulação do corpo do paciente é compreensível a
ocorrência de um certo desconforto, estranheza. Muitas vezes, para
negar essas sensações, mantém-se uma distância emocional em relação ao
mesmo - por meio de uma padronização onde é visto como \u201cigual\u201d, no
pior sentido que isso possa ter no que se refere à perda da identidade.
Colostomia \u2013 cirurgia que con-
siste em se fazer uma abertura
no cólon (intestino grosso), per-
mitindo a comunicação com o
meio exterior.
Mastectomia \u2013 cirurgia de re-
moção parcial ou total da
mama.
Prognóstico \u2013 avaliação médica
baseada nas possibilidades
terapêuticas acerca da evolu-
ção de uma doença.
Metáfora \u2013 literariamente,
imagem figurada.
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Todos sentimos medo, vergonha, culpa, tristeza, alegria, amor.
Entretanto, nem tudo pode ser explicado pela razão. Sentimentos
são para ser sentidos, experimentados, respeitados. Ao aprender-
mos a lidar com eles, podemos nos conhecer e viver melhor.
Um auxiliar de enfermagem sensível, bom observador, conhe-
cedor de suas próprias emoções, limites e possibilidades possui me-
lhores condições para interagir junto aos pacientes e equipe.
É importante que o auxiliar de enfermagem, que com certeza
tem o mais freqüente contato íntimo com o paciente, esteja ciente de
que lhe é permitido interagir com a pessoa de quem está cuidando - e
que, apesar de a tarefa a ser executada não apresentar grande variação
em relação aos sujeitos assistidos, cada paciente deve ser respeitado em
sua individualidade.
O entendimento dessa proposta pode ser um elemento
facilitador para ambas as partes, propiciando ao paciente um trata-
mento mais humanizado e ao profissional um melhor desempenho.
4.3 Gênero
Quando se fala em gênero pensa-se, geralmente, em questões que
abordem as diferenças entre homens e mulheres e como as mesmas in-
terferem nas relações estabelecidas entre ambos os sexos. Dessa forma, a
masculinidade e a feminilidade são atribuições sociais demarcatórias de
diferenças, e não características fixas de homens e mulheres.
Muitas vezes, a identidade sexual não corresponde ao sexo bioló-
gico, ou seja, o fato de se nascer com um pênis ou vagina não define por
si só a identidade sexual masculina ou feminina. Essa identidade depen-
derá das representações provenientes da sociedade, das relações
estabelecidas na infância e de outras identificações daí decorrentes.
Esta identidade também é construída a partir do contexto cultural
que, por sua vez, também interfere na percepção da diferença sexual e na
atribuição de papéis para o homem e para a mulher. Isto significa dizer
que não existe uma essência masculina ou feminina e que cada cultura
define, em seu espaço, os conteúdos particulares dos gêneros.
E em que isso se reflete no trabalho das profissionais de enfermagem?
A partir da percepção e compreensão acerca das peculiaridades
decorrentes da relação de gênero, torna-se mais fácil compreender e
tentar lidar com os constrangimentos e vergonhas que envolvem os
cuidados íntimos com o corpo do outro. Essa tensão fica mais explicitada
quando o auxiliar de enfermagem é mulher e o paciente, homem \u2013 que,
muitas vezes, prefere não ser cuidado por uma mulher, pois isso o colo-
ca numa posição de submissão ao gênero feminino, embora a equipe de
enfermagem seja predominantemente constituída por mulheres.
A relação com o trabalho está
calcada em três pilares: res-res-res-res-res-
peitopeitopeitopeitopeito ao bem comum e ao
próximo, solidariedade solidariedade solidariedade solidariedade solidariedade e res-res-res-res-res-
ponsabilidadeponsabilidadeponsabilidadeponsabilidadeponsabilidade.
Reflita se o fato de ser homem
ou mulher proporciona algum
tipo de vantagem/privilégio no
campo profissional.
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 3 Psicologia Aplicada
As profissionais, por sua vez, muitas vezes neutralizam seu
próprio gênero reforçando o papel profissional, numa tentativa de
excluir a oposição masculino/feminino, acreditando que isso possa
ser fator facilitador no momento de lidarem com alguém do sexo
oposto. Entretanto, negar as diferenças e desconsiderar as questões
que envolvem as divergências de gênero, carregadas de preconceitos
e chavões, numa sociedade que determina padrões distintos a ho-
mens e mulheres, interfere diretamente na relação entre o auxiliar e
o paciente. Isto pode, inclusive, impedir o estabelecimento de uma
relação de confiança e troca que, sem dúvida, acrescentaria muito à
experiência particular de cada um dos envolvidos.
4.4 Sexualidade
A sexualidade abrange um campo variado e complexo, que
inclui o que é erótico (campo dos prazeres) e o que é sensual (as
sensações do corpo), dependendo da relação do sujeito consigo
mesmo e com o mundo.
As normas da civilização restringiram os prazeres sexu-
ais. A sexualidade, que se estendia a todo o corpo, reduziu-se a
uma atividade genital parcial, restrita à função reprodutora,
minimizando o espaço do erotismo e da fantasia.
De acordo com os historiadores, o progresso da civi-
lização fez com que os homens fossem disciplinando-se, de-
senvolvendo a gentileza, a cortesia, a urbanidade e também
aumentando o sentimento de vergonha e timidez em relação
aos outros, particularmente no tocante às funções corporais e
ao sexo. Assim, nesse processo civilizatório, a sexualidade trans-
feriu-se para trás da cena da vida social: isolando-se na família,
tornou-se o domínio mais íntimo da vida privada.
Surgida por volta de 1860, a palavra sexualidade passou a inte-
grar o vocabulário da Biologia e da Medicina em vista de seus resulta-
dos \u2013 fecundação, concepção, casamento, etc. No início do século XX,
o surgimento da Psicanálise mantém e reforça esse movimento de
medicalização da sexualidade, divulgando a idéia de Freud de que a
atividade sexual seria a expressão de um poderoso impulso de origem
biológica que o indivíduo buscaria de todas as maneiras, direta ou indi-
retamente, satisfazer \u2013 cujos limites seriam impostos pela sociedade.
A sexualidade é entendida como um fator de muita impor-
tância. A Antropologia possui numerosos trabalhos sobre o tema,
os quais atribuem relevante papel à atividade sexual dos povos
estudados, na tentativa de compreender a totalidade de determi-
nada cultura através dos seus hábitos sexuais, relacionamentos,
casamentos e parentescos.
Antropologia \u2013 ciência cujo ob-
jetivo é analisar o homem com
base em suas características
culturais, dentro do grupo no
qual está inserido.
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A sexualidade abrange sensa-
ções e emoções físicas e psíqui-
cas que variam de acordo com
a experiência de vida do sujeito.
O mais interessante é evidenciar que a idéia de sexualidade está
intimamente ligada à idéia de corpo, como fonte de diferentes sensa-
ções que vão do prazer à repulsa. Se é verdade não ser possível esque-
cer o ato sexual em si quando se fala sobre o assunto, por outro lado a
sexualidade não se esgota nele.
Ao se discutir a sexualidade no campo da Enfermagem, nota-se
que no ensino clássico ela é sempre referida à idéia de reprodução, sob
o ponto de vista clínico, patológico - uma visão médica cujo objetivo é
identificar uma possível doença para uma adequada intervenção.
O corpo, como já visto, é despossuído de sua sexualidade, de-
vendo ser tratado sob o ponto de vista higiênico. A Enfermagem
não vê a sexualidade como um sentimento que engloba todo o cor-
po. Ela a aborda sob o ponto de vista clínico, importante para a
avaliação geral