Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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para que o número da son-
da de aspiração seja adequado, evitando traumatismo ao cliente. Além
disso, a oxigenação, sempre que necessário, deve ser assegurada, atra-
vés da utilização de máscara de ressuscitação manual (ambú).
Durante o procedimento, verificar possíveis alterações clíni-
cas decorrentes da hipoventilação, como cianose de extremidades,
diminuição da saturação de oxigênio (que pode ser monitorada com
a utilização do oxímetro de pulso), alteração do nível de consciên-
cia, sangramento ou arritmia cardíaca.
No tocante à aspiração nasal, oral e endotraqueal, alguns as-
pectos devem ser lembrados, tais como: nunca aspirar por um perí-
odo superior a 15 segundos (se houver a necessidade de repetir a
aspiração, o cliente deve receber oxigênio anteriormente); utilizar a
sonda de aspiração uma única vez, desprezando-a ao término do
procedimento; após cada aspiração, realizar a limpeza do recipiente
de coleta de secreção, desprezando seu conteúdo e lavando-o em
água corrente; trocar o recipiente de coleta de secreção e do inter-
mediário de látex a cada 24 horas - sempre lembrando de registrar a
data e hora da próxima troca.
Após cada procedimento, o ambiente deve ser mantido orga-
nizado e registrado, em prontuário, o aspecto, coloração, odor e
quantidade da secreção aspirada.
5- DISFUNÇÕES DIGESTÓRIAS
Todas as pessoas necessitam de nutrientes essenciais para
sobreviver. Esses nutrientes provêm da metabolização dos alimen-
tos realizada no sistema gastrointestinal.
A degradação dos nutrientes passa pelas seguintes etapas:
ingestão - o alimento vai da boca para o tubo digestivo; digestão - a
quebra do alimento se inicia na boca (enzima amilase salivar), conti-
nua no estômago (suco gástrico) e termina no intestino delgado por
intermédio de seus sucos; os nutrientes são absorvidos pela corren-
te sangüínea, onde serão utilizados pelas células ou armazenados
pelo organismo; os resíduos não utilizados serão transformados em
fezes, que serão excretadas.
Caso haja alteração em algum dos órgãos do sistema digestório,
a pessoa pode desenvolver alguma das seguintes doenças:
Esse procedimento deve ser
realizado com rigorosa técni-
ca asséptica.
Por que adoecemos dos ór-
gãos responsáveis pela di-
gestão?
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5.1 Gastrite
É um distúrbio inflamatório da mucosa gástrica. Seu aparecimento
ocorre de forma súbita, podendo ser de curta duração, tornar-se crônica
ou ainda evoluir para uma úlcera.
A gastrite aguda, freqüentemente, é causada por agressores
com ação direta na mucosa gástrica. Entre eles estão: medicamentos
como antiinflamatório e aspirina, álcool, fumo, enzimas digestivas
do duodeno, alimentos condimentados, frituras, gorduras e frutas
ácidas, situações de estresse em pessoas muito nervosas ou então
hospitalizadas.
As gastrites crônicas estão mais relacionadas com a presença
do Helicobacter pylori.
Entre as manifestações clínicas, destacam-se: dor epigástrica,
vômitos, náuseas, eructação, pirose após as refeições, digestão difí-
cil e demorada e até a anorexia. E em casos mais extremos, pode
apresentar hemorragia digestiva.
O diagnóstico pode ser feito através da endoscopia, com rea-
lização de biópsia e de radiografia contrastada. O tratamento está
baseado na utilização de antiácidos que atuam na acidez gástrica.
Nos casos mais graves, além dos antiácidos, são administrados medi-
camentos que bloqueiam a secreção do suco gástrico. Se a gastrite
for causada pelo H. pylori, deverá ser indicada a antibioticoterapia.
Além de administrar os medicamentos prescritos, a equipe de
enfermagem deverá orientar o cliente no tocante a:
! ingerir dieta branda e fracionada, com ausência de alimen-
tos irritantes à mucosa gástrica;
! desenvolver atividades físicas com a finalidade de reduzir o
estresse;
! evitar a ingestão de álcool, de café e o uso do tabaco.
5.2 Úlceras Pépticas
Essas úlceras são definidas como lesões erosivas com perda de
tecidos. Caracterizam-se por surtos de ativação e períodos de calmaria,
com evolução crônica. As áreas mais acometidas são as do estôma-
go e do duodeno.
A úlcera duodenal constitui a forma predominante de úlcera
péptica. Está associada à hipersecreção de ácido e pepsina pelo estô-
mago que, ao chegar ao duodeno, gera as erosões. Já a úlcera gástri-
O Helicobacter pylori é uma
bactéria que está presente em
grande número de clientes
com gastrite e úlcera
duodenal. Ela vive abaixo da
camada de muco (tipo de
saliva que os órgãos do apa-
relho digestivo produzem)
para se protegerem da ação
ácida do estômago. Encontra-
se nos alimentos (frutas, ver-
duras e legumes) que devem
ser bem lavados ou cozidos,
antes de serem consumidos, e
na água. Quanto mais baixa
a condição socioeconômica,
maior a incidência de infecção
da bactéria.
Eructação \u2013 É a eliminação de
gases por via oral, sendo po-
pularmente conhecido como
\u201carroto\u201d.
Pirose - É a sensação de quei-
madura na região gástrica.
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 Assistência Clínica
ca está relacionada ao aparecimento de uma lesão, devido à deficiência
dos fatores de proteção da mucosa gástrica contra a ação do ácido clo-
rídrico.
Tanto as úlceras duodenais quanto as gástricas resultam da
interação de fatores genéticos, ambientais (fumo, álcool, café, áci-
do acetilsalicílico, da presença da bactéria Helicobacter pylori) e de
fatores emocionais (estresse, emoções, ansiedade, manifestações
da vida afetiva).
De todos os sintomas da úlcera, a dor é o mais freqüente,
levando o indivíduo a procurar assistência. Manifesta-se através de
uma dor em queimação e corrosiva - tipo cólica - relacionada, quase
sempre, à alimentação.
Na úlcera gástrica, a dor inicia-se no epigástrio e irradia-se para
o rebordo costal. A presença do alimento no estômago causa a dor,
enquanto que os vômitos podem aliviá-la.
A dor na úlcera duodenal irradia-se para o flanco direito e acon-
tece quando a pessoa está com o estômago vazio. A ingestão de
alimentos alivia o sintoma. Outras manifestações clínicas que po-
dem ser observadas são: náusea e vômito. Em casos mais graves,
observa-se hemorragias nas fezes (melena) ou vômitos
(hematêmese).
Diferenças entre Úlcera Duodenal e Gástrica
DUODENAL GÁSTRICA
Idade 30 a 60 anos Acima dos 50 anos
Secreção ácida Hipersecreção Normal ou hipossecreção
Freqüência Mais Menos
Abrangência Todas classes sociais Nível econômico baixo
Estado nutricional Nutrido Desnutrido
Presença de vômitos Incomuns Comuns
Presença de
hemorragias
Melena Hematêmese
Episódios de dor 2 a 3 horas após refeições 30 minutos a uma hora após a refeição
Ingestão de
alimentos
Alívio da dor Não melhora ou há aumento da dor
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Com a realização da endoscopia, o diagnóstico pode ser confir-
mado.
O tratamento medicamentoso da úlcera péptica consiste na
redução da acidez gástrica até a cicatrização da úlcera e na erradicação
da bactéria H. pylori, quando esta estiver presente.
A equipe de enfermagem deverá orientar o cliente a:
! fazer o mínimo de 4 refeições diárias, em intervalos regula-
res, mastigando bem os alimentos;
! evitar frituras, condimentos (pimenta, alho, cebola), refri-
gerante, café, chá e bebida alcoólica e uso do tabaco;
! modificar o estilo de vida, visando diminuição do estresse ;
! não fazer uso de comprimidos sem prescrição ;
! observar a presença de sangue nas fezes e nos vômitos.
5.3 Hepatite
É uma doença que consiste na inflamação do fígado e pode ser
causada por um vírus ou por substâncias tóxicas. As manifestações
clínicas gerais da pessoa com hepatite referem-se: à fadiga, anorexia
(falta de apetite), enjôo, vômitos, icterícia, colúria (urina escura) e
fezes acólicas (esbranquiçadas).
Existem tipos diferentes de hepatite. Entre eles, a hepatite viral
e a por substâncias tóxicas.
5.3.1 Hepatites virais