Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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da
insulina
O envolvimento da pessoa é determinante no sucesso da tera-
pia. A sua aceitação da insulina e o aprendizado das técnicas de
automonitoração têm melhorado, em muito, o controle da doença.
Tanto o profissional de enfermagem, responsável pela medica-
ção, quanto o usuário que se auto-administra a insulina, devem seguir
algumas orientações básicas a fim de evitar complicações e alcançar
melhores resultados com a terapia.
Os cuidados referentes à administração de insulinas são:
! utilizar seringa descartável e apropriada para a administração
de insulina;
! manipular o frasco de insulina delicadamente, sem agitá-lo,
pois isso pode provocar alteração na ação do medicamento;
! manter a insulina sob refrigeração não muito intensa - entre
2º e 8ºC.
Antiglicemiantes orais são
medicamentos utilizados por
pessoas com diabetes do Tipo
2. Eles diminuem os níveis de
glicemia sangüínea, ajudando
a restabelecer o equilíbrio
glicêmico em situações nas
quais apenas a dieta e os
exercícios não foram suficien-
tes para fazê-lo. Eles não de-
vem ser utilizados pelas pes-
soas com diabetes do Tipo 1,
pois não substituem a insulina.
O diabético já que não deve
consumir açúcar, poderá
substituí-lo por adoçante.
Automonitoração - É a avaliação
dos níveis glicêmicos, realizada
através dos testes de glicosúria,
glicemia capilar e cetonúria,
pela própria pessoa diabética.
Caso a temperatura ambiente
não seja superior a 30ºC ou
inferior a 2ºC, o frasco de insu-
lina que estiver em uso pode-
rá ser mantido em temperatu-
ra ambiente por um período
de até seis semanas.
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Protetor da agulha
Bisel
Corpo da seringa
Êmbolo
Protetor do Êmbolo
Merecem destaque quatro orientações relacionadas à aplicação
da insulina:
! observar os locais apropriados para a aplicação;
! fazer o rodízio das áreas de aplicação, evitando o uso do mes-
mo local, antes de duas semanas, mantendo um espaço míni-
mo de três centímetros entre eles;
! inserir a agulha de insulina na posição de um ângulo de 90º,
após a realização de um leve pinçamento da pele, garantindo
que a insulina seja injetada no tecido subcutâneo;
! evitar o massageamento do local da aplicação.
O objetivo do rodízio das áreas de aplicação é evitar uma compli-
cação chamada de lipodistrofia, que é uma alteração da gordura subcutâ-
nea, causando depressão ou o aparecimento de massas no local afetado.
Face externa do braço
Região
glútea
Face anterior e
posterior da coxa
Local de Administração
Lavagem das mãos Assepsia
Homogeinização do líquido
Injeção de ar na seringa
Aspiração da insulina Retirada de bolha de ar
Retirada do protetor
Cuidados importantes para aspiração da insulina
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 Assistência Clínica
6.1.2 O cliente hospitalizado
A hospitalização é uma condição bastante freqüente na
vida dos diabéticos descontrolados, seja em decorrência das
complicações agudas, como a cetoacidose diabética ou o coma
hipoglicêmico, ou em função das complicações crônicas, como
as insuficiências renais, as doenças cardiovasculares e as in-
fecções.
O diabético não deve ser excluído das decisões de seu
tratamento. O enfermeiro responsável, certamente, deverá fa-
zer um planejamento que contemple suas opiniões. Uma boa
comunicação entre as diversas pessoas envolvidas (familiares,
equipe de enfermagem e nutricionista) pode facilitar o seu ajuste
ao tratamento, encontrando uma alternativa que lhe seja mais
favorável, enquanto estiver hospitalizado.
O portador de diabetes, que está habituado a fazer o seu pró-
prio controle, demonstra insegurança em transferir essa responsabi-
lidade para outras pessoas. A verificação da glicemia e a adminis-
tração da insulina poderão continuar sob sua responsabilidade, des-
de que o mesmo se encontre em condições para tal e que estas ações
sejam acompanhadas pela equipe de enfermagem e sob a supervi-
são do enfermeiro.
É preciso incentivá-lo, caso esteja em condições, a fazer cami-
nhadas pelo corredor ou pelas áreas de lazer do hospital, uma vez que
as dificuldades relativas à realização de exercícios físicos em ambiente
hospitalar, certamente, levarão a uma maior necessidade de insulina
em pessoas habituadas a fazê-los.
As internações geralmente ocorrem devido às complicações agu-
das. Dentre as mais comuns, destacam-se a hipoglicemia, a cetoacidose
e complicações crônicas em outros órgãos (renal, vascular periférica,
infarto agudo do miocárdio, infecções, dentre outras).
6.1.3 Complicações agudas
! Hipoglicemia \u2013 é uma complicação que ocorre com maior fre-
qüência no portador de diabetes do Tipo 1. Caracteriza-se pelo
nível baixo de açúcar no sangue (glicemia < 69mg/dl). Ela pode
ser decorrente do uso excessivo de insulina, da realização de
exercícios físicos não-habituais ou quando a quantidade de ali-
mentos ingeridos for insuficiente.
Nessa situação, a pessoa irá apresentar: tremores, sudorese in-
tensa, palidez, palpitações, fome, visão embaçada, convulsão, poden-
do chegar à perda da consciência e ao coma, caso não receba a quanti-
dade necessária de glicose.
Toda e qualquer situação que
fuja de nossa rotina é fonte de
ansiedade e estresse. Os dia-
béticos parecem, em geral,
mais suscetíveis a essas alte-
rações.
O jejum prolongado em dia-
béticos requer atenção espe-
cial na administração de insu-
lina para evitar hipoglicemia.
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Diante dessa situação, deve-se oferecer alimentos, de preferência
líquidos como laranjada ou até mesmo água com açúcar. Caso a pessoa
se encontre inconsciente, deverá ser hospitalizada para administração
de glicose endovenosa.
! Cetoacidose \u2013 é uma complicação que se caracteriza pelo
aumento dos níveis de glicose sangüínea (glicemia > que
300mg/dl). De um modo geral, ela é decorrente da insufici-
ência de insulina, ou de sua suspensão, e do uso concomitante
de agentes que causem hiperglicemia. Também pode estar
presente em quadros com infecções e distúrbios psicológi-
cos graves.
Nessa situação, a pessoa poderá apresentar: poliúria, polidipsia,
desidratação, rubor facial, náuseas, vômito, sonolência e hálito cetônico.
O controle é feito em hospitais, através da aplicação de insulina
intramuscular ou endovenosa, reposição de eletrólitos, uso de antibió-
ticos, entre outros.
6.1.4 Complicações crônicas
As complicações crônicas de maior ocorrência são:
! as decorrentes da arteriosclerose, sendo as mais comuns a
retinopatia, a nefropatia, o infarto agudo do miocárdio, o aci-
dente vascular cerebral e a doença vascular periférica;
! a neuropatia diabética que se apresenta de várias formas, cau-
sando alterações em alguns órgãos, como no coração (infarto
agudo do miocárdio, sem dor), na bexiga (bexiga neurogênica),
nos intestinos (constipação e diarréia), no estômago (dificulda-
de de mandar o alimento para o duodeno), no pênis (impotên-
cia sexual), nos membros inferiores (perda de sensibilidade tá-
til, térmica, pressória e dolorosa), em especial nos pés, propici-
ando o desenvolvimento de úlceras de pé, conhecidas também
como pé diabético.
! Cuidando do pé diabético:
! examinar os pés, diariamente, para identificar a presença
de deformidades, alterações na cor e na temperatura, au-
mento de calosidade, presença de edemas e de fissuras;
! cortar as unhas com tesouras retas, lixando os cantos;
! lixar a calosidade dos pés com lixa de madeira, nunca cortá-
los com gilete;
! lavar os pés com água morna e sabão neutro, secando-os bem,
principalmente, entre os dedos;
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 Assistência Clínica
! examinar a sensibilidade dos pés;
! passar cremes hidratantes nos pés, exceto entre os dedos;
! fazer exercícios com os pés, diariamente;
! usar sapatos confortáveis, de preferência fechados, de couro ma-
cio e se possível com meias de lã ou algodão, sem elásticos;