Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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de formação e qualificação profissional na área da saúde
tenham suas diretrizes revistas em cada realidade. Essa orientação vale mesmo
para os projetos que estão em execução, como é o caso do Profae. O importante
é que todos estejam comprometidos com uma educação e um trabalho de
qualidade. Esta compreensão e direção ganham máxima relevância nos cursos
integrantes do Profae, sejam eles de nível técnico ou superior, pois estão
orientadas ao atendimento das necessidades de formação do segmento de
trabalhadores que representa o maior quantitativo de pessoal de saúde e que,
historicamente, ficava à mercê dos "treinamentos em serviço", sem acesso à
educação profissional de qualidade para o trabalho no SUS. O Profae vem
operando a transformação desta realidade. Precisamos estreitar as relações
entre os serviços e a sociedade, os trabalhadores e os usuários, as políticas
públicas e a cidadania e entre formação e empregabilidade.
Sabe-se que o investimento nos recursos humanos no campo da saúde terá
influência decisiva na melhoria dos serviços de saúde prestados à população.
Por isso, a preparação dos profissionais-alunos é fundamental e requer material
didático criterioso e de qualidade, ao lado de outras ações e atitudes que causem
impacto na formação profissional desses trabalhadores. Os livros didáticos
para o Curso de Qualificação Profissional de Auxiliar de Enfermagem, já em
sua 3ª edição, constituem-se, sem dúvida, em forte contribuição no conjunto
das ações que visam a integração entre educação, serviço, gestão do SUS e
controle social no setor de saúde.
Humberto Costa
Ministro de Estado da Saúde
AAAAAssistência Clínicassistência Clínicassistência Clínicassistência Clínicassistência Clínica
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ÍNDICEÍNDICEÍNDICEÍNDICEÍNDICE
 1 Apresentação
 2 O Processo Saúde/Doença
2.1 Assistência de enfermagem e as
relações interpessoais com o
cliente, a família e a equipe
multidisciplinar
 3 Disfunções Cardiocirculatórias
3.1 Hipertensão arterial
3.2 Arritmias cardíacas
3.3 Angina
3.4 Infarto agudo do miocárdio
3.5 Edema agudo do pulmão
3.6 Doenças infecciosas do coração
 4 Disfunções Respiratórias
4.1 Enfisema
4.2 Bronquite Crônica
4.3 Asma
4.4 Pneumonia
4.5 Insuficiência respiratória
 5 Disfunções Digestórias
5.1 Gastrite
5.2 Úlceras pépticas
5.3 Hepatite
5.4 Hemorragia digestiva
5.5 Sangramento do estômago
5.6 Cirrose hepática
5.7 Pancreatite
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 Assistência Clínica
 6 Disfunções Metabólicas
6.1 Diabetes Melittus
6.2 Hipo e Hipertireoidismo
 7 Disfunções Urinárias
7.1 Retenção urinária
7.2 Incontinência urinária
7.3 Cistite
7.4 Urolitíase
7.5 Glomerulonefrite
7.6 Insuficiência renal aguda
 8 Disfunções Hematológicas
8.1 Anemia
8.2 Leucemia
8.3 Hemofilia
 9 Disfunções Neurológicas
9.1 Acidente vascular cerebral ou
 encefálico
9.2 Doenças degenerativas
9.3 Coma: alterações da consciência
10 Neoplasias
10.1 Orientações à pessoa em
 tratamento quimioterápico
11 Síndrome da Imunodeficiência Adquirida -
 Sida/Aids
11.1 Doenças oportunistas
11.2 Medicamentos anti-retrovirais
12 Cuidando da pessoa em estado terminal
13 Referências Bibliográficas
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFIdentificando a ação educativa
AAAAAssistência Clínicassistência Clínicassistência Clínicassistência Clínicassistência Clínica
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1- APRESENTAÇÃO
ste livro visa explicitar, aos alunos de qualificação pro-
fissional de nível médio \u2013 auxiliares de enfermagem -,
os principais conteúdos de Clínica Médica, consideran-
do que, na atualidade, fatores como o aumento da ex-
pectativa de vida e o avanço tecnológico aliado às inovações terapêuti-
cas, favorecem sobremaneira tanto o processo de reabilitação do doen-
te agudo como um melhor controle do doente crônico.
Para a elaboração do presente trabalho foram selecionadas algu-
mas patologias de acordo com as prioridades epidemiológicas. Ressal-
te-se que os textos não se limitaram a descrever apenas as disfunções
fisiológicas; seu entendimento buscou contemplar os aspectos
psicossociais imprescindíveis para o bom atendimento (sob a ótica de
se ver o ser humano em seu todo), já que a equipe de enfermagem se
propõe a cuidar do doente e não da doença.
Achamos pertinente que sua finalização fosse o capítulo \u201cAssistên-
cia ao Cliente Terminal\u201d, tema que se constitui em verdadeiro desafio para
os profissionais de saúde, por integrar parte de seu dia-a-dia.
Esperamos que o conteúdo apresentado possa favorecer o
embasamento teórico necessário para o oferecimento de uma assis-
tência de enfermagem efetivamente mais segura, bem como suscitar
reflexões no sentido de cuidar da forma mais digna possível, consi-
derando, nesse mister, as opções do cliente e sua família.
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 Assistência Clínica
2- O PROCESSO SAÚDE/DOENÇA
O conceito de doença, o seu significado para o homem e as
formas de abordá-la têm sofrido variações com o passar do
tempo. Assim, podemos agrupar os diversos conceitos em dois
grandes grupos: a concepção ontológica e a concepção dinâ-
mica.
A concepção ontológica relaciona o aparecimento da
doença a um poder externo, com existência independente, ca-
paz de penetrar no organismo sadio e provocar reações e lesões
fisiopatológicas. Baseia-se na existência de um único fator res-
ponsável pelo aparecimento da doença: a unicausalidade \u2013
ou seja, provocada por uma causa única.
Essa concepção surgiu no final do século XIX, com a
medicina moderna, a partir do desenvolvimento da clínica,
e sustentou a teoria dos germes ou das doenças infecciosas.
Nesse período procurava-se, para cada doença, o seu agen-
te específico (em geral, uma bactéria, vírus, protozoário ou
fungo). Sua aplicabilidade foi responsável pelo isolamento de vários
agentes microbianos, bem como definição das formas de transmis-
são e prevenção e tratamento, mediante uso de vacinas, antibióti-
cos, isolamento e quarentena.
A concepção dinâmica, por sua vez, procura explicar o apareci-
mento da doença a partir do desequilíbrio entre o organismo e o ambi-
ente, o qual traria alterações patológicas no homem. Contrariamente à
concepção ontológica, admite que este desequilíbrio pode ser causado
pela multicausalidade - ou seja, vários fatores ou causas associadas.
Entretanto, esse pensamento não é novo. Já na Grécia Anti-
ga, a doença era considerada como a perda de harmonia entre o
corpo e os elementos da natureza. Apesar de esta maneira de pensar
nunca ter deixado de existir, ressurge quando a teoria dos germes
não mais consegue explicar a causa de várias doenças não-infeccio-
sas - como as doenças crônicas, surgidas no início do século XX
com o processo de industrialização e urbanização, sem nenhuma
relação com os agentes microbianos.
A idéia de multicausalidade propõe a existência de um proces-
so interativo e de equilíbrio entre três elementos: o agente, o ho-
mem e o ambiente \u2013 nos quais o surgimento de um desequilíbrio
levaria à doença A partir desse entendimento, desenvolveu-se a no-
ção de risco, isto é, o risco que as pessoas estariam correndo de ter
esta ou aquela doença em função de sua exposição a este ou aquele
fator presente nelas mesmas, no ambiente ou no agente.
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Desta forma, várias doenças consideradas crônico-
degenerativas passaram a ser estudadas sob a perspectiva de con-
trole dos fatores de risco implícitos a cada uma delas, propondo
medidas preventivas relacionadas ao indivíduo (modificação dos
estilos de vida: dieta, exercício, etc.); ao agente (controle da produ-
ção de