Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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de enfrentamento do estresse
para ajudar o cliente e a família a lidar com os fatores relaciona-
dos à doença;
8.3 Hemofilia
É um distúrbio do mecanismo de coagulação do sangue, que pode
resultar em incontroláveis hemorragias. Trata-se de uma deficiência
genético-hereditária, quase exclusiva do sexo masculino. A ocorrência
é de um caso em cada 10 mil habitantes.
Desde os primeiros meses de vida, o hemofílico é identifica-
do pelos sintomas hemorrágicos que apresenta. Um pequeno
traumatismo pode desencadear dor intensa, hematomas, episódios
hemorrágicos importantes em órgãos vitais, músculos e articula-
ções. A repetição das hemorragias nas articulações pode gerar se-
qüelas graves que afetam a mobilidade dos membros atingidos.
Muitas pessoas tornam-se inválidas pela lesão articular antes de se
tornarem adultos. Pode ocorrer hematúria e sangramento digestivo
espontâneo.
Existem dois tipos de hemofilia identificados:
! Hemofilia A - conhecida como clássica, atingindo cerca de 85%
das pessoas e caracteriza-se pela deficiência de fator VIII da
coagulação.
! Hemofilia B - também conhecida como fator Christma; atinge
15% das pessoas e caracteriza-se pela deficiência de fator IX
de coagulação.
Existem 14 tipos de fatores de
coagulação que são proteínas
existentes no sangue, que atu-
am juntas para impedir
extravasamento do sangue.
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 Assistência Clínica
As ações de enfermagem incluem:
! orientar quanto à não-ingestão de aspirina e administração
de injeções intramusculares;
! cuidar durante a higiene dentária para que não haja
sangramento;
! administrar analgésicos para aliviar a dor causada pelas he-
morragias das articulações;
! prevenir ou minimizar a dor causada por atividade física, in-
centivando o cliente a movimentar-se lentamente e a evitar
trauma nas articulações;
! oferecer talas, bengalas, muletas, pois são dispositivos de ajuda
e desviam o peso corporal das articulações afetadas;
! ficar atenta a sinais de choque hipovolêmico, como agitação,
ansiedade, confusão, palidez, pele fria e pegajosa, dor torácica,
oligúria, taquicardia e hipotensão;
! monitorizar sinais vitais;
! orientar quanto ao risco de hemorragias e as precauções ne-
cessárias a serem tomadas;
! esclarecer quanto à necessidade de modificar o ambiente do-
miciliar para prevenir o traumatismo físico.
Com freqüência, os hemofílicos necessitam de ajuda para superação
da condição crônica que restringe suas vidas. O hemofílico bem atendido e
bem orientado pode e deve ter uma vida normal, passando da condição de
eterno dependente, para a condição de cidadão ativo e produtivo.
9- DISFUNÇÕES NEUROLÓGICAS
9.1 Acidente vascular encefálico ou
cerebral
As doenças cérebro-vasculares estão entre as primeiras causas
de morte em todo o mundo. No Brasil, representam a terceira \u201ccausa
mortis\u201d, sendo os acidentes vasculares cerebrais (AVC), a principal
manifestação. O AVC, além de ser uma doença prevalente, apresenta
uma alta taxa de mortalidade, sendo a incapacidade permanente, que
às vezes pode ser regenerada, a principal seqüela.
O acidente vascular cerebral ou encefálico, popularmente co-
nhecido como \u201cderrame\u201d, é o resultado da insuficiência do supri-
Atividades físicas e esportes
sem contato, como a natação,
são incentivados, desde que
se observe a segurança ade-
quada.
O fluxo sangüíneo cerebral é
responsável pelo fornecimen-
to de oxigênio e nutrientes,
como a glicose, para que
ocorra um perfeito funciona-
mento cerebral.
Você tem experiência em cui-
dar de pessoas que tiveram
AVC? O que significa esta
doença?
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
mento sangüíneo a uma determinada área do cérebro. Ocorre devido a
um processo de evolução crônica de endurecimento da parede da arté-
ria, relacionado à arteriosclerose. O episódio agudo do AVC acontece
quando há interrupção do fluxo sangüíneo às células cerebrais por trom-
bose, embolia, hemorragia ou espasmo.
A trombose tem relação com a arteriosclerose, a aterosclerose
e a hipertensão arterial. A embolia cerebral costuma ser decorrente
de doenças cardíacas, arritmias, doenças das válvulas cardíacas, en-
tre outras. A hemorragia cerebral está relacionada à hipertensão, é
mais grave, apresentando evolução rápida com alterações da consci-
ência, podendo chegar ao coma e à morte.
O acidente vascular cerebral isquêmico ou transitório caracteri-
za-se por episódios súbitos da perda de função motora, sensitiva ou
visual com recuperação em 24 horas. A maioria tem duração de minu-
tos até uma hora, e a minoria pode durar mais de 4 horas. Entre os
principais sinais e sintomas, podemos destacar: parestesia (alteração da
sensibilidade), disfasia (dificuldade de fala), vertigens, diplopia (visão
dupla), zumbidos e cefaléia.
Os fatores de risco para o AVC são semelhantes aos da hi-
pertensão arterial, da angina e do infarto do miocárdio, tendo em
vista que a patologia básica é o ateroma. Esses dizem respeito à
história familiar e à idade, associados à hipertensão arterial, diabe-
tes, obesidade, tabagismo, colesterol alto e doenças cardíacas como
as arritmias.
O AVC é identificado quando o indivíduo apresenta déficit
neurológico de início abrupto, caracterizado por disfunções motoras,
sensitivas e autônomas, como: disartria, disfagia, diplopia,
desequilíbrio, perda do tônus postural e da consciência, cegueira tran-
sitória, parestesia, paresia, hemiplegia. Podem ocorrer, ainda, cefaléia
occipital grave, tonteira, vômitos, confusão mental e alteração da
memória.
As manifestações estão diretamente relacionadas com a exten-
são e a localização do acidente no cérebro.
O tratamento é feito mediante a utilização de trombolíticos, que
têm a finalidade de realizar a \u201cquebra\u201d dos êmbolos, de agentes
antiagregantes e de anticoagulantes, em casos dos AVC provocados por
trombose.
A intervenção cirúrgica deverá ser realizada quando houver um
comprometimento da estrutura por conta da compressão exercida pelo
hematoma, ou devido à impossibilidade de estancar a hemorragia cere-
bral. As opções cirúrgicas são: a endarterectomia das carótidas; dre-
nagem do hematoma para a descompressão e a clipagem de aneurisma
para a hemostasia.
Disartria \u2013 É a dificuldade na
articulação das palavras.
Paresia \u2013 É o enfraquecimento
da força muscular.
Hemiplegia \u2013 É a perda dos
movimentos voluntários em
um dos lados do corpo.
Ao pensar nas inúmeras fun-
ções do nosso corpo, e que
cada uma delas é controlada
por uma área do sistema ner-
voso central, podemos deduzir
que as conseqüências transi-
tórias e definitivas do AVC
dependem da área lesada e
da extensão da lesão.
Antiagregantes são drogas
que não permitem a agrega-
ção plaquetária, evitando a
formação de placas de
ateromas e anticoagulantes
são as que impedem a for-
mação de coágulos.
Endarterectomia \u2013 Consiste na
retirada de placas de
ateroma.
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 Assistência Clínica
Os exames realizados para confirmação e classificação do AVC
são: a angiografia, a tomografia computadorizada, a cintilografia, a pun-
ção lombar e o Dopller ultra-sônico de carótidas.
As ações de enfermagem são direcionadas de acordo com as
manifestações neurológicas apresentadas pelo cliente, com o grau de
comprometimento e com a resposta deste ao trata-mento.
De uma forma geral, o indivíduo com AVC precisa dos seguintes
cuidados:
! suporte emocional - os acompanhantes devem ser orientados
a não deixarem este cliente sozinho, e, para tanto, um plano
conjunto de assistência deve ser garantido, possibilitando a
continuidade dos cuidados a serem prestados no processo de
recuperação. Além da companhia, é fundamental repassar
confiança, otimismo, dar carinho. É importante que o cliente
participe do maior número de decisões possíveis sobre o en-
caminhamento do seu tratamento;
! prevenção de acidentes decorrentes da incapacidade
motora