Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
159 pág.

Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


DisciplinaCurso416 materiais336 seguidores
Pré-visualização47 páginas
acima de 65
anos; em pessoas com mais de 75 anos, a incidência é de 19%, e com
idade acima de 85 anos, essa porcentagem é de 47%6 .
A causa de seu aparecimento é desconhecida, porém vários fatores
de risco podem ser considerados, como a idade, relações familiares, fato-
res genéticos, traumatismo craniano, entre outros. O exame do cérebro
pós-morte é a única forma de se chegar a um diagnóstico definitivo
Alguns autores dividem a evolução clínica dessa doença em três
estágios, a saber:
! primeiro estágio - dura entre 1 a 3 anos e o distúrbio da memó-
ria é o primeiro sinal observado; a pessoa tem dificuldade de
aprender coisas novas, além de um comprometimento das lem-
branças passadas; pode apresentar tristeza, desilusão,
irritabilidade, indiferença; é capaz de desempenhar bem suas
atividades diárias no trabalho e em casa, porém não consegue
adaptar-se a mudanças;
! segundo estágio - dura entre 2 a 10 anos, podendo-se observar:
distúrbios de linguagem, como a afasia, e acentuado compro-
metimento da memória em relação a lembranças remotas e
recentes; desorientação espacial, indiferença em relação aos
outros, inquietação motora com marcha em ritmo compas-
sado. Nesse estágio, a deglutição torna-se prejudicada;
Neurotransmissor \u2013 É uma
substância liberada por célula
nervosa, de nervo ou músculo,
que transmite à outra célula
um impulso nervoso.
6 Black, 1996
Afasia \u2013 É a perda da capaci-
dade de se expressar e/ou de
compreender a linguagem
falada.
76
 Assistência Clínica
! terceiro estágio - dura de 8 a 12 anos; as funções intelectuais
apresentam-se gravemente deterioradas; há perda das habilida-
des virtuais e mentais, inclusive da fala; o movimento voluntá-
rio é mínimo e os membros tornam-se rígidos com a postura
fletida; apresenta incontinência urinária e fecal. A pessoa per-
de toda a habilidade para se autocuidar.
Por se tratar de uma doença que não tem cura, o tratamento
medicamentoso está relacionado ao controle de sinais e sintomas de-
correntes das alterações comportamentais, como a agitação e confusão
mental, com a utilização de haloperidol (Haldol®). Seus efeitos
colaterais, tais como agitação motora, sintomas parkinsonianos,
hipotensão ortostática, retenção urinária e sedação, deverão ser
monitorizados.
As ações de enfermagem estão diretamente relacionadas ao
grau de demência e dependência que o indivíduo apresenta. Deve-se
atentar para as alterações do pensamento, criando mecanismos que ati-
vem a memória, mantendo uma conversa simples e agradável e, se pos-
sível, proporcionar maneiras de orientá-lo em relação ao tempo com a
utilização de calendário e relógios.
É importante cuidar da segurança em relação ao risco de queda,
sendo necessário manter as camas baixas e com grades elevadas, as
luzes acessas durante a noite e livres as áreas para a deambulação.
Tais informações deverão ser repassadas aos familiares que irão
cuidar, em casa, do portador do mal de Alzeimer, pois a hospitalização
somente ocorrerá em casos de complicação do quadro clínico. É im-
portante orientá-los desde o momento da internação, solicitando, se
possível, que participem dos cuidados que estão sendo prestados, in-
tensificando o treinamento no instante em que a alta for programada.
A morte em pessoas com doenças demenciais está relacionada à
pneumonia, desnutrição e desidratação.
9.3 Coma: alterações da consciência
Podemos dizer que uma pessoa está consciente quando ela está
alerta e é capaz de manter um diálogo coerente e organizado e, caso
não seja capaz de falar ou ouvir, quando compreende a linguagem es-
crita ou falada.
O encéfalo é o órgão responsável por esta situação. Ele é o órgão
mais importante do corpo, pois recebe impulsos de outros órgãos que o
capacitam a controlar os sinais vitais do indivíduo. O encéfalo con-
trola os batimentos do coração, a fome e a sede. Dos olhos, ouvido,
nariz e pele, recebe mensagens que informam ao homem a respeito
do mundo que o cerca, fazendo com que ele seja capaz de compre-
77
PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
ender o seu meio ambiente, manter o estado de consciência que permi-
te a vigilância e percepção de si mesmo, dos outros e posicionar-se no
tempo e no espaço.
As alterações da consciência ocorrem quando há uma lesão
direta no encéfalo, como traumas, tumor, doença de Alzheimer, aci-
dente vascular cerebral, abscessos, ou mesmo podem acontecer em
decorrência de doenças sistêmicas, como cetoacidose diabética,
hipoglicemia, alcoolismo, intoxicações e deficiência nutricional.
A equipe de saúde, ao cuidar de uma pessoa com alterações de
consciência, pode deparar-se com as seguintes situações:
! confusão - a pessoa perde a capacidade de raciocínio rápido,
lógico e com clareza. Encontra-se desorientada no tempo e no
espaço e, às vezes, torna -se inquieta e agitada;
! letargia - a pessoa apresenta-se apática, sem expressão), a fala e
os movimentos só ocorrem quando estimulados, mantém-se so-
nolenta, perdida no tempo e no espaço, ou seja, \u201c fora de órbita\u201d;
! torpor - a pessoa permanece dormindo, com dificuldade de res-
ponder a estímulos verbais, porém reage aos estímulos dolorosos;
! coma - a pessoa não responde a estímulos verbais ou dolorosos
e nem apresenta reação aos reflexos de tosse, vômitos e da
córnea.
A avaliação do nível de consciência deve ser feita usando cinco
parâmetros: a escala de coma de Glasgow, o padrão respiratório, o ta-
manho e a atividade pupilar, os movimentos oculares e as respostas
reflexas.
9.3.1 O estado de coma
O coma é caracterizado por uma condição em que a pessoa não
desperta, seja por estímulos físicos (estímulo doloroso profundo), psi-
cológicos (presença de familiares e entes queridos) ou por alguma ne-
cessidade fisiológica como a respiração.
O estado de coma apresenta graus variados de profundidade, quais
sejam:
! superficial \u2013 nesse estado, o reflexo de deglutição está presente,
as respostas motoras encontram-se prejudicadas, o indivíduo
não mantém contato verbal, porém reage aos estímulos doloro-
sos profundos;
! profundo - não há reflexos de sucção e de tosse e nem reação
aos estímulos dolorosos profundos. Dependendo do grau
de lesão do cérebro, a pessoa pode apresentar postura de
descerebração (membros superiores estendidos e com ro-
tação interna, membros inferiores estendidos e região plan-
A detecção precoce da altera-
ção do nível de consciência
pode influenciar no prognósti-
co do paciente.
A escala de coma de
Glasgow tem a função de
avaliar três parâmetros: res-
posta motora, resposta verbal
e abertura ocular, para classi-
ficar o nível de consciência da
pessoa.
A diferença entre o estado de
coma e o sono é que no sono
há um despertar após um
estímulo, o mesmo não ocor-
rendo no estado de coma.
78
 Assistência Clínica
tar fletida - Figura A) ou postura de decorticação (membros su-
periores rígidos e fletidos na direção dos ombros - Figura B);
! irreversível - neste caso observa-se dilatação de pupila bilate-
ral, hipotermia, ausência de respiração espontânea e de qual-
quer resposta aos estímulos. As funções de outros órgãos já
apresentam sinais de falência.
O estímulo doloroso profundo
consiste na realização de
uma pressão sobre o leito
ungueal do dedo médio (por
ser esse mais sensível), lem-
brando que essa pressão de-
verá ser exercida com a utili-
zação de uma caneta ou de
um lápis. Ressaltamos que o
estímulo em região esternal
deve ser evitado, pois pode
causar trauma de tecido e, em
idosos, trauma de costelas.
Quando se observa alguém
com postura de decorticação,
a chance de reversão deste
quadro de coma é pratica-
mente nula.
O quadro de coma irreversível é atualmente denominado de
morte encefálica. O Conselho Federal de Medicina, em sua resolu-
ção de número 1480 de 8 de agosto de 1997, colocou à disposição
da equipe de saúde um documento básico, onde