Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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estão definidos os
passos a serem seguidos para o diagnóstico de morte encefálica.
Além da utilização deste documento, é necessária a realização de
dois exames clínicos, com a finalidade de avaliar as atividades cere-
brais com um intervalo de 6 horas, e um exame por método gráfico
que poderá ser o eletroencefalograma, a arteriografia cerebral ou o
Dopller transcraniano. No caso de morte encefálica, esses exames
Eletroencefalograma - É o re-
gistro da atividade elétrica
gerada pelo encéfalo que
demonstra os potenciais elétri-
cos sob a forma de ondas.
Arteriografia cerebral - Con-
siste na introdução de contras-
te em uma artéria para a
visualização da circulação
intracraniana.
Dopller transcraniano - Utiliza-
do para a visualização da
circulação na região das
carótidas. A vantagem deste
exame é que, por se tratar de
um método não-invasivo, ele
pode ser feito à beira do leito
da pessoa, assim como o
eletroencefalograma.
Figura A - Descerebração
Figura B - Decorticação
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demonstrarão a ausência do registro de ondas, significando ausên-
cia de atividade elétrica e de circulação cerebral. O médico deter-
minará qual o método a ser utilizado de acordo com a disponibilida-
de da instituição.
O diagnóstico dos tipos de coma é feito por meio de exames
invasivos e não-invasivos. Dentre os não-invasivos, temos a tomografia
computadorizada e a ressonância magnética, métodos modernos de in-
vestigação de sangramentos intracranianos que utilizam o computador
para a análise dos dados.
A equipe de enfermagem atua no sentido de prestar esclareci-
mentos aos familiares sobre o exame, salientando que poderá haver
administração de agentes contrastantes, que têm como base o iodo,
sendo essencial o registro em prontuário de que o paciente seja ou não
alérgico a essa substância. Deve-se ressaltar que a existência de materi-
al metálico dentro do corpo, como prótese e marcapasso, poderá im-
possibilitar a realização do exame devido ao campo magnético.
O indivíduo poderá ser submetido a uma punção em região lom-
bar ou cervical, que consiste na introdução de uma agulha no espaço
subaracnóideo nessas regiões, para a retirada de líquor e identificação
da possível causa do coma. Esse exame é utilizado quando não se con-
segue visualizar na tomografia computadorizada nenhum sangramento
intracraniano que justifique o estado comatoso.
É papel da equipe de enfermagem auxiliar este procedimento,
posicionando a pessoa em decúbito lateral, com as pernas fletidas so-
bre o abdômen e a cabeça em direção às pernas.
A assistência de enfermagem tem como objetivo acompanhar,
preservar e apoiar o cliente comatoso, já que o mesmo se encontra com
as funções alteradas quanto à percepção, segurança, autopreservação e
conforto. Deve levar em consideração as alterações do nível de consci-
ência para prestar os cuidados necessários.
Como medidas de conforto, segurança, prevenção de infecções e
manutenção de suas funções vitais, destacamos:
! manter a higiene da cavidade oral e corporal;
! conservar o cliente aquecido;
! fazer mudança de sua posição regularmente, prevenindo úl-
ceras de decúbito e estase pulmonar;
! deixar as grades do leito levantadas;
! controlar o nível de ruído no ambiente, evitando con-
versas desnecessárias e músicas altas em torno do leito,
visto que o ouvido é o último órgão dos sentidos a per-
der sua capacidade;
Alergia à ingestão de peixes
de origem marinha ou crustá-
ceos é indicativo de que a
pessoa é alérgica ao iodo,
portanto, passível de reação
alérgica durante a realização
do exame.
Como o auxiliar de enferma-
gem pode participar da assis-
tência ao cliente em estado de
coma?
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 Assistência Clínica
! manter as vias aéreas desobstruídas, aspirando secreções da
orofaringe e/ou traqueais;
! fornecer oxigênio na dosagem e via prescritas; monitorar os
sinais vitais para observação da oxigenação e circulação ade-
quadas;
! manter uma via venosa permeável para facilitar o acesso de
medicamentos rotineiros e de urgência;
! monitorar o fluxo urinário e a eliminação de fezes para iden-
tificar precocemente sinais de alterações renais e de retenção
de fezes;
! conservar os olhos umidificados e protegidos como preven-
ção de escara de córnea; umidificar a mucosa oral, evitando
fissuras e outras lesões;
! manter sonda nasogástrica desobstruída para evitar vômitos
e aspirações de conteúdo gástrico;
! manter suporte nutricional e hidratação adequada, fornecendo
alimentos e líquidos através da sonda nasogástrica, para garantir
ao organismo melhores condições de recuperação;
! realizar movimentos passivos na prevenção da formação de
trombos, contraturas musculares e queda dos pés e mãos;
! manter conversação, explicando procedimentos a serem
realizados, estabelecendo uma relação de segurança e con-
fiança, ainda que o cliente não entenda;
! acompanhar e apoiar os familiares por ocasião das na visitas.
10- NEOPLASIAS
O câncer é a denominação genérica para as neoplasias ma-
lignas. Apresenta algumas características que o diferenciam do tecido
normal, tais como distúrbio na maturação, imortalidade e perda de ini-
bição por contato, que levam a um crescimento desordenado e des-
controlado. Isto compromete o equilíbrio normal do organismo,
com o aparecimento de sintomas e, muitas vezes, leva a pessoa à
morte.
O câncer é, atualmente, a segunda causa de morte no mundo
ocidental, especialmente nos países desenvolvidos, logo após as do-
enças cardiovasculares. No Brasil, é a terceira causa de morte entre
A avaliação do nível de cons-
ciência deve ser feita usando
cinco parâmetros: a escala de
coma de Glasgow, o padrão
respiratório, o tamanho e a
atividade pupilar, os movi-
mentos oculares e as respos-
tas reflexas.
Neoplasia \u2013 É o crescimento
celular anormal encontrado
em tumores benignos e ma-
lignos.
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os homens e a segunda entre as mulheres, sendo responsável por 10,2%
dos óbitos ocorridos em l990. Isto define a sua importância e caracteri-
za-o como um problema de saúde pública. A sua prevalência está dire-
tamente relacionada com o aumento da expectativa de vida da
população, e sua freqüência é maior nas faixas etárias mais avan-
çadas.
As causas do câncer ainda não estão claramente defini-
das, mas existem evidências de que as influências de fatores
ambientais sejam as principais. Acredita-se que 80 a 90% dos
cânceres tenham alguma influência desses fatores, os quais de-
terminam, direta ou indiretamente, modificações no material
genético das células, que resultam no câncer. Além dos fatores
ambientais, as alterações genéticas podem ser herdadas e trans-
mitidas de uma geração à outra, aumentando muito as chances
de câncer nos descendentes.
Dessa forma, pode-se dizer que todo câncer é originado
por modificações nos genes, as quais podem ser herdadas ou
adquiridas ao longo da vida.
Existem inúmeros fatores ou agentes carcinogênicos, alguns cla-
ramente relacionados ao desenvolvimento do câncer e outros com for-
te associação. Muitos dos agentes têm comprovação in vitro (laborató-
rio) e em animais.
Os agentes carcinogênicos podem ser divididos em: químicos,
radiação, vírus e outros. Entre os agentes químicos, temos os
alquilantes, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, aminas aromáti-
cas, corantes azo, nitrosaminas, amidas, afloxina, asbestos, etc. Nesta
categoria, encontram-se o cigarro e outros produtos do tabaco, relacio-
nados com mais de 30% das mortes por câncer. O cigarro é responsável
por cerca de 80% dos cânceres de pulmão e laringe, sendo a maior
causa de câncer de boca e esôfago e está envolvido no desenvolvimen-
to de câncer de bexiga, rim, pâncreas e colo de útero. Neste grupo
também se encontram os carcinógenos alimentares, ligados a tumores
do trato digestivo, principalmente estômago