Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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e intestino grosso.
Os agentes carcinogênicos por radiação são representados pelos
raios ultravioleta (UV) e por radiação ionizante (RI). A luz UV está
associada ao câncer de pele, que ocorre predominantemente nos indiví-
duos de pele clara, devido à carência da proteção oferecida pelos
melanócitos. Com relação à exposição à RI, há evidências de que
predispõe o desenvolvimento de câncer de diferentes tipos, geral-
mente após um longo período de latência.
Dentre os agentes que mais têm se mostrado importantes
no desenvolvimento do câncer, encontram-se os vírus que atu-
am basicamente por interferência do seu genoma ou de seus pro-
dutos na célula infectada. Como exemplo, pode-se citar o HPV
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 Assistência Clínica
(papilomavírus humano) relacionado com os tumores anogenitais, os
vírus da hepatite B e C, relacionados com tumores do fígado, o vírus de
Epstein-Barr relacionado com determinados tipos de linfomas (Burkitt,
linfoma tipo B em imunossuprimidos) e o HIV associado com linfoma
não-Hodgkin.
A metástase é uma das principais características do câncer. É a
capacidade de o tumor emitir células na circulação sangüínea e linfáti-
ca e para superfícies cavitárias, determinando a formação de um novo
foco tumoral independente, à distância. É um indicativo de doença
avançada e marca inequivocamente uma neoplasia maligna, sendo uma
das principais causas de morte no paciente oncológico. Em geral, quanto
mais agressivo e mais extenso o tumor primário, maior é a probabilida-
de de desenvolvimento de metástase.
Os sinais e sintomas indicadores de neoplasia geralmente são:
manchas na pele e pintas escuras com crescimento anormal de pêlos,
feridas superficiais de difícil cicatrização e manchas esbranquiçadas e
avermelhadas que podem indicar um câncer de pele ou de mucosas.
Azia, dispepsia, queimação no estômago, flatulência, constipa-
ção ou diarréia crônicas, dor abdominal, alteração no formato das fe-
zes e perda de sangue, tudo isso pode ser sintomas de neoplasia no
sistema digestivo.
Corrimento, sangramento e secreção no mamilo, alteração na cor
da urina podem ser indicativos de câncer (geniturinário), bem como
rouquidão e afonia (vias aéreas), aumento do tamanho de gânglios
(linfomas), anemia e astenia (leucemia), entre outros.
Para a maior parte das neoplasias, após o exame clínico, o princi-
pal fator de diagnóstico é a biópsia, associada ao estudo
anatomopatológico do material, que pode ser obtido através de cirur-
gia, por punção com agulha, guiado ou não por método de imagem
(tomografia, ultra-sonografia, endoscopia, etc.).
A anatomia patológica representa um importante método, se não
o fundamental, para o diagnóstico definitivo da maioria dos cânceres,
na determinação do prognóstico e na conduta terapêutica.
Os métodos diagnósticos por imagem são instrumentos de avali-
ação dos tumores em geral, visando o foco primário e metástases. Ultra-
sonografia (USG), tomografia computadorizada (TC), ressonância mag-
nética nuclear (RMN), raios-X (RX) simples ou contrastado e
cintilografia são os principais métodos de imagem disponíveis para au-
xiliar no diagnóstico e estadiamento e definição de ressecabilidade.
Métodos laboratoriais também são utilizados no diagnóstico
de neoplasias. Um simples hemograma poderá indicar uma leucemia
que deverá ser confirmada por um mielograma (análise, através do
microscópio, da medula óssea retirada por punção do esterno ou
crista ilíaca).
Estadiamento \u2013 É a determi-
nação da extensão ou magni-
tude da doença.
Ressecabilidade \u2013 É a retirada
do tumor.
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
Existem dois níveis de prevenção do câncer: o primário e o secun-
dário. A prevenção primária engloba a atuação da equipe de saúde junto
aos principais fatores de risco do câncer: tabaco, hábitos alimentares e
ocupação, enquanto a secundária visa à detecção precoce do câncer.
São medidas de prevenção relativas ao tabaco:
! informar a população sobre os riscos do tabaco;
! esclarecer as crianças sobre os efeitos do tabaco na saúde,
visando reduzir o número de jovens que adquirem o hábito
de fumar;
! criar um ambiente livre de fumaça do cigarro.
Com relação à dieta, deve-se reduzir a ingestão de gordura, incluir
frutas, vegetais e fibras na alimentação; manter o peso corpóreo ideal
com ingestão calórica moderada e exercícios físicos adequados.
No ambiente do trabalho, devem ser identificados e avaliados
os fatores de risco, a fim de que sejam eliminados ou atenuados,
determinando-se medidas protetoras individuais nos casos em que a
exposição a agentes cancerígenos seja inevitável.
A prevenção secundária pode ser alcançada através da
conscientização da população sobre os sintomas da doença e dos bene-
fícios do diagnóstico precoce e do treinamento dos profissionais de saú-
de, quanto aos sintomas e sinais iniciais do câncer.
O tratamento do câncer pode se dar através da radioterapia, da
cirurgia ou da quimioterapia, isoladamente ou associadas.
A radioterapia tem seu fundamento na destruição das células,
através da radiação ionizante, sendo sua ação limitada ao campo de
irradiação. Pode ser externa (teleterapia), onde a fonte emissora encon-
tra-se a distância do indivíduo; braquiterapia, onde a fonte emissora de
radiação situa-se próxima ou em contato com a área a ser tratada.
Na primeira, existe o envolvimento maior de estruturas normais
que estarão sujeitas aos efeitos da irradiação. A segunda tenta dimi-
nuir estes efeitos e aumentar a dose no local desejado.
A cirurgia é o método mais antigo de tratamento do câncer, e
continua sendo uma das principais modalidades de tratamento para
a maioria dos tumores sólidos. Infelizmente, uma grande parcela dos
tumores já se apresenta com micrometástases ao diagnóstico, o que
impossibilita a cirurgia, sendo responsável pelas recidivas locais, re-
gionais ou à distância. Habitualmente, a cirurgia se estende além dos
limites do tumor macroscopicamente identificado, englobando mar-
gem de tecido normal, dentro do mesmo órgão e, eventualmente,
com ressecção de órgãos circunjacentes aderidos ou próximos.
Recidiva \u2013 É o reaparecimento
do tumor.
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 Assistência Clínica
Para muitos tipos de tumores, a quimioterapia tem assumido pa-
pel primordial no tratamento. Apesar dos avanços recentes, da desco-
berta de novas drogas que agem apenas nas células doentes, melhor
controle de seus efeitos colaterais, a quimioterapia continua mantendo
seu estigma, devido aos efeitos colaterais que provoca, os quais são
freqüentemente intensos e incapacitantes.
Os quimioterápicos agem basicamente nas células em proces-
so de divisão. Assim, sua atuação é maior em tecidos com alto grau
de multiplicação, apresentando melhor resposta quando usados em
tumores com elevada taxa de divisão. Por outro lado, os tecidos
normais com maiores taxas de divisão, tais como a mucosa
gastrointestinal e as células hematopoiéticas, formadoras das células
sanguíneas da medula óssea, acabam sofrendo maior ação dos
quimioterápicos, refletindo nos efeitos colaterais.
O resultado de um tratamento pode depender da associação de
dois ou mais quimioterápicos, incluídos nesse grupo a imunoterapia e a
hormonioterapia, a fim de atingir a célula em diferentes fases do ciclo
celular e combater a resistência às drogas antineoplásicas, tornando o
tratamento mais efetivo.
O preparo de quimioterápicos deve ser, preferencialmente, cen-
tralizado em área específica e freqüentada pelo pessoal envolvido no
manuseio da droga. A manipulação do quimioterápico deve ser realizada
em capela de fluxo laminar vertical classe II, com exaustão externa, o que
garante proteção pessoal e ambiental. Deve ser usado equipamento de
proteção individual (EPI), que inclui avental fechado frontalmente, com
mangas compridas e punhos ajustados e luvas de látex, grossas, não-
entalcadas, descartáveis e longas (devem cobrir