Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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e no manejo adequado das outras DST.
A infecção pelo HIV pode ser dividida em três fases clínicas:
infecção aguda; fase assintomática e fase sintomática da doença.
Na infecção aguda ou primária, geralmente o tempo entre a
exposição ao HIV e o início dos sinais e sintomas é de 2 a 8 semanas
(extremos de 2 dias a 10 meses), e isto pode ocorrer entre 50 a 90% das
vezes. Os sintomas podem aparecer durante o pico da viremia e da
atividade imunológica, sendo os mais comuns: febre, adenopatia (au-
mento de gânglios), faringite, exantema maculopapular eritematoso.
Algumas vezes, encontram-se mialgias (dor muscular) e artralgias,
que podem assemelhar-se desde a um quadro viral simples, como
gripe, até a um quadro de hepatoesplenomegalia.
A ocorrência da síndrome de infecção retroviral aguda e/ou sua
persistência por mais de 14 dias são clinicamente importantes, pois
podem estar relacionadas com a evolução mais rápida para a AIDS. É
importante lembrar que essas manifestações não ocorrem em todas as
pessoas que contraem o HIV. Estudos mostram que 20% a 70 % de
pessoas com infecção pelo HIV desenvolvem doenças agudas.
Após a fase aguda, a pessoa passa por um período onde não
apresenta nenhuma manifestação clínica, denominado de fase
assintomática ou de latência clínica, podendo durar meses ou anos.
Em média, sua duração é de 10 anos. Nesta fase, já podemos identi-
ficar os anticorpos do vírus HIV na corrente sangüínea, através de
exames laboratoriais - o mais utilizado é o exame conhecido como
ELISA. O teste não faz o diagnóstico de AIDS, mas indica se o indi-
víduo foi exposto ou se está infectado pelo HIV.
Não foi evidenciado o contá-
gio pelo abraço, beijo na face,
segurar na mão, picadas de
insetos, aerossóis e instala-
ções sanitárias.
Considerando as formas de
transmissão do HIV, há a ne-
cessidade de isolar ou restrin-
gir o indivíduo infectado do
seu ambiente de trabalho,
escolar, lazer ou de casa?
Viremia \u2013 É a presença do
vírus no sangue.
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Já o teste de Western-Blot é utilizado com a finalidade de confir-
mação do resultado do teste ELISA. Os testes não poderão ser realiza-
dos antes da fase assintomática, pois poderão apresentar um resultado
falso-negativo. O período em que o indivíduo infectado não produz
anticorpos, em quantidade que os exames consigam detectar, é chama-
do de janela imunológica, podendo variar de 6 a 12 semanas, após a
aquisição do vírus HIV.
A soropositividade não diagnostica a AIDS, os resultados dos
testes precisam ser interpretados com cautela pela equipe de saúde.
A pessoa que tem anticorpos contra o HIV é chamada de
soropositivo.
A fase sintomática ou da doença propriamente dita caracteriza-
se pela diminuição da resistência imunológica do indivíduo. Os sinais e
sintomas iniciais podem ser: sudorese noturna, queixa bastante comum
que pode ou não ocorrer acompanhada de febre, o que pode indicar a
presença de uma infecção oportunista, como a tuberculose. A fadiga se
manifesta com mais intensidade no final de tarde e após atividade física
excessiva. O emagrecimento é um dos sinais mais evidentes e está geral-
mente associado a manifestações gastrointestinais que incluem a perda
do apetite, náuseas, vômito e diarréia crônica.
11.1 Doenças oportunistas
Infecção ou doença oportunista é o grupo de doenças que se
manifestam principalmente quando há uma depressão do sistema
imunológico. As doenças oportunistas podem ser causadas por ví-
rus, bactérias, protozoários, fungos e certas neoplasias. Serão des-
critas as mais freqüentes.
11.1.1 Diarréia
A diarréia pode ocorrer em 50% a 90% das pessoas com AIDS.
Os sintomas gastrointestinais podem estar relacionados com o efei-
to do HIV nas células que revestem o tecido intestinal, como tam-
bém por causa de infecções oportunistas. Os agentes mais
freqüentemente encontrados em indivíduos soropositivos, isolados
pela realização de coprocultura ou biópsia intestinal, são Crytosporidium
muris, Salmonella sp, Clostridium difficile.
A normalização da função intestinal pode ser auxiliada com a
adoção das seguintes ações: avaliar os hábitos intestinais dos clien-
tes; observar sinais e sintomas de diarréia com uma freqüência mai-
or que quatro episódios em 24 horas e dor abdominal. A equipe
multiprofissional deve iniciar medidas com a finalidade de reduzir a
hiperatividade do intestino, tais como:
Resultado falso-negativo \u2013 É o
resultado do exame que não
confirma a presença de
anticorpos, apesar de o paci-
ente estar infectado.
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 Assistência Clínica
! manter restrições alimentares;
! salientar que a nicotina é também um estimulante intesti-
nal, caso o cliente seja tabagista;
! evitar alimentos irritantes ao intestino, tais como: ricos em
gordura, frituras, vegetais e frutas cruas, cebola, bebidas gaso-
sas, alimentos condimentados e em temperatura elevada; es-
sas medidas auxiliam também evitar a distensão abdominal;
! estimular a realização de pequenas refeições com maior
freqüência.
Poderá haver a necessidade da administração de antiespasmódicos
e opiáceos para a redução dos espasmos e da motilidade intestinal.
Lembrar que os clientes com distúrbios gastrointestinais podem apre-
sentar sinais de desidratação, tais como: turgor da pele alterado, mucosas
ressecadas, diminuição do volume urinário e sede excessiva. O contro-
le hídrico deverá ser rigoroso, devendo manter uma ingestão hídrica em
torno de 2.500ml, caso não haja contra-indicação.
11.1.2 Candidíase
A candidíase pode se manifestar de forma leve ou agressiva,
podendo invadir, além da cavidade oral, a faringe, o esôfago e a vagi-
na. Caracteriza-se por placas indolores, esbranquiçadas e facilmente
removíveis na língua, na gengiva e na mucosa da orofaringe. Os
sintomas apresentados incluem dor em queimação, alteração do pa-
ladar e dificuldade para engolir líquidos e sólidos, no entanto, a mai-
oria das pessoas não apresenta sintomas. A gengivite, outra mani-
festação da cavidade oral, na sua evolução progressiva, leva a um
processo de dor, sangramento e perda de dentes.
O tratamento se faz com a utilização do Micostatin® (nistatina)
ou Nizoral® (cetoconazol). Antes da aplicação tópica da nistatina,
deve-se realizar a higienização da cavidade oral com água
bicarbonatada. Sabe-se que o acometimento da cavidade oral pode
causar uma diminuição na ingestão alimentar, por isso é preciso
estabelecer uma dieta adequada.
11.1.3 Pneumocistose
A Pneumocystis carinni é um agente infeccioso oportunista, mun-
dialmente distribuído, cujo habitat natural é o pulmão, sendo uma
importante causa de pneumonia em hospedeiros imunodeprimidos.
O quadro clínico decorrente desta infecção se manifesta com febre,
calafrios, tosse com presença ou não de secreção, dispnéia ao reali-
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zar esforço físico, fadiga e, às vezes, dores torácicas. Sua confirmação
pode demorar semanas ou meses, pois as manifestações clínicas podem
ser inespecíficas.
O tratamento recomendado está baseado no uso da
antibioticoteparia com Bactrin® (sulfametoxazol+trimetoprim). Oca-
sionalmente, tem evolução para insuficiência ou falência pulmonar sig-
nificativa, podendo necessitar de entubação orotraqueal e suporte
ventilatório. A infecção por Pneumocystis carinii pode ser diagnosticada
pela identificação do protozoário em parênquima pulmonar, por inter-
médio da realização de biópsia pulmonar ou cultura de secreção
brônquica.
Os principais cuidados são:
! manter as vias aéreas desobstruídas;
! avaliar sinais e sintomas em relação à função respiratória e
perfusão capilar (taquipnéia, utilização da musculatura aces-
sória durante os movimentos respiratórios, batimento de asa
de nariz);
! observar a quantidade e a coloração da secreção durante as
expectorações, na ocorrência de tosse produtiva;
! observar a presença de agitação psicomotora,