Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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alimentos, uso adequado de antibióticos, etc.) e ao ambien-
te (controle da poluição ambiental).
Esta concepção tem produzido resultados importantes para a pre-
venção de uma série de doenças, especialmente as consideradas crôni-
co-degenerativas. Como exemplo, podemos citar o sedentarismo e altas
taxas de colesterol, como fatores de risco para doenças coronarianas; e
o tabagismo, para o câncer.
Com certeza, poderíamos levantar uma série de doenças que não
seriam explicadas por apenas um fator causal, mas sim por uma combi-
nação de vários elementos que, interagindo com o homem, seriam res-
ponsáveis pela produção da doença.
Com base nesse raciocínio, as principais razões do adoecimento
estariam ligadas, em grande medida, aos hábitos ou estilos de vida
das pessoas, que passam a ser consideradas responsáveis por suas
próprias doenças \u2013 porque, de acordo com a visão dos profissionais
de saúde, sabem dos fatores de risco mas, mesmo assim, de forma
\u201cautônoma\u201d, não mudam o modo de vida.
Essa forma de pensar tem recebido inúmeras críticas porque
coloca o indivíduo e a doença isolados do contexto social e econô-
mico, mascarando o caráter social da doença \u2013 a qual deve ser estu-
dada dentro de um contexto mais amplo, o do adoecimento, que
inclui as condições de vida e de trabalho a que os indivíduos estão
expostos nesta sociedade.
Muitas vezes, por condições de vida, emprego, acesso à educa-
ção e à saúde não favoráveis de seus antecedentes, o indivíduo tem
menor possibilidade de chance de ter uma vida digna e provida de
condições favoráveis. Assim, o que era responsabilidade quase que
exclusiva da pessoa, ao não adquirir hábitos saudáveis, evitando os
fatores de risco, passa, em função dessas aludidas condições e da má
redistribuição de renda, a ser também responsabilidade da sociedade.
Atualmente, em função do entendimento de que problemas
sociais têm presença marcante na manifestação das doenças, haja
vista serem problemas gerados na e pela sociedade, isto pode gerar
um novo modo de agir dos profissionais de saúde, criando condi-
ções para o desenvolvimento de uma nova prática em saúde.
Como identificar a clientela que procura assistência clínica?
Os clientes que procuram a assistência clínica são, geralmente,
constituídos por indivíduos adultos jovens e idosos, acometidos de
Com base em sua experiên-
cia, procure listar doenças e
seus diversos fatores causais.
Condições de vida são os fa-
tores inter-relacionados à sub-
sistência, nutrição, habitação,
saneamento básico, lazer e
meio ambiente; já condições
de trabalho relacionam-se ao
tipo e as condições de execu-
ção do trabalho pela pessoa,
o que pode causar maior ou
menor desgaste.
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 Assistência Clínica
disfunções orgânicas de caráter agudo ou crônico. Sendo assim, a fina-
lidade da assistência aos mesmos busca identificar, remover e/ou
minimizar os fatores desencadeantes das situações clínicas apresenta-
das e restabelecer o equilíbrio orgânico com o mínimo de seqüela pos-
sível. Faz-se importante, ainda, considerar sua interação com o ambi-
ente.
No entanto, grande parte dos atendidos possuem alguma en-
fermidade crônica ou crônico-degenerativa. Esse fato significa que
os sinais e sintomas do adoecimento destas pessoas não ocorreram
de forma súbita, ou seja, no momento em que procuram os servi-
ços de saúde. A doença, com certeza, já se havia instalado em algum
período anterior indeterminado.
De acordo com a evolução da patologia desses clientes, a bus-
ca dos serviços de saúde - rede básica de atendimento e/ou rede
hospitalar \u2013 começa a fazer parte das suas necessidades, e quanto \u201cmais
doentes\u201d forem mais necessitarão de internações em hospitais até que
retornem a um equilíbrio aceitável e ao convívio cotidiano.
A hospitalização costuma acontecer em momentos agudos,
nos quais há desequilíbrio entre saúde-doença, correlacionado ou
não aos processos crônicos implícitos à patologia. Por exemplo,
um cliente com doença pulmonar obstrutiva crônica apresenta gran-
des possibilidades de desenvolver pneumonias - que podem ou não
estar relacionadas com a patologia de base.
Para melhor entendimento, imagine que a doença não é um
acontecimento isolado, mas presente no dia-a-dia das pessoas, medi-
ada como uma balança, onde, por um lado, vários fatores pendem
para a saúde; por outro, vários favorecem a ocorrência de doenças.
Assim, o prazer, a alegria, o lazer, o trabalho gratificante, o alimen-
tar-se bem favorecem nosso lado saudável, diferentemente da triste-
za, do estresse, da falta de trabalho e da desnutrição.
Nesse contexto, é importante distinguir os conceitos de doen-
ça aguda, crônica e crônico-degenerativa:
! Aguda - situação que se instala abruptamente, produz sinais
e sintomas logo após a exposição à causa, em um período
determinado para sua recuperação. Pode ser decorrente de
processos crônicos (complicações e/ou sintomas) e/ou in-
fecciosos;
! Crônica - são problemas de longo prazo, devidos à distúr-
bio ou acúmulo de distúrbios irreversíveis, ou estado pato-
lógico latente; apresenta evolução prolongada e sua resolu-
ção ocorre de maneira parcial;
! Crônico-degenerativa - são situações de evolução lenta e
gradual, geralmente assintomáticas, e não têm causa e/ou
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tratamento definidos. A assistência objetiva o controle dos fa-
tores desencadeantes. Ressalte-se que a questão social e
ambiental é importante fator de controle.
Dentre outras, as prioridades epidemiológicas que hoje deman-
dam assistência clínica ambulatorial e/ou hospitalar são as doenças
do aparelho cardiocirculatório e respiratório, neoplasias, doenças
reumáticas não-infecciosas, disfunções renais e cirrose hepática, es-
pecialmente nos homens \u2013 as quais serão abordadas ao longo do
texto. Atualmente, a pessoa com AIDS também apresenta uma con-
dição crônica de doença, na medida em que o tratamento pode am-
pliar sua expectativa de vida, tornando necessário um rigoroso con-
trole clínico para minimizar o acúmulo de distúrbios ou estado pa-
tológico latente.
Portanto, independentemente da patologia, em cada cliente que
você cuida faz-se necessário atentar para o fato de que o mesmo está
inserido num meio social particular, tem um modo de trabalhar e de
se relacionar com o meio ambiente e as pessoas que estão ao seu
redor, bem como consigo mesmo, o que determina formas de adoe-
cer e morrer peculiares.
Embora tal entendimento esteja claro, você pode, no cotidia-
no, deparar-se com contradições nas formas de executar o cuidado
de enfermagem, pois a assistência hospitalar é influenciada, predo-
minantemente, pelo modelo que nega a produção social das formas
de adoecer-morrer, priorizando o controle das manifestações bioló-
gicas (modelo clínico-assistencial) que apresenta parâmetros mais
definidos e, portanto, de domínio mais fácil.
2.1 Assistência de enfermagem e as
relações interpessoais com o
cliente, a família e a equipe
multidisciplinar
A enfermagem profissional ou moderna teve início na
segunda metade do século XIX, quando passa a integrar-se ao
trabalho do hospital, e tem por finalidade a recuperação do
corpo biológico dos doentes, ou seja, o modelo clínico de as-
sistência - até hoje dominante na assistência à saúde. Apesar
do grande desenvolvimento tecnológico, esse modelo não vem
conseguindo resolver os graves problemas de saúde da maio-
ria da população brasileira, especialmente quando esta recu-
peração traz, implícitas, condições sociais desfavoráveis tais
como acesso aos serviços de saúde, emprego, alimentação,
transporte, etc.
Doenças anteriormente consi-
deradas agudas, como o
infarto agudo do miocárdio,
acidentes vasculares cerebrais
e insuficiência cardíaca
congestiva são, atualmente
reconhecidas como episódios
agudos de condições crônicas.
Contradição \u2013 É o desacordo
entre palavras e ações; incoe-
rência