Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 4
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 4


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Reis, sua então diretora.
O curso para formar auxiliares de enfermagem era menos exigen-
te quanto aos requisitos ou condições educacionais e sociais de ingres-
so das pessoas, tinha um currículo mais simples, com menor duração, e
admitia mulheres de camadas sociais mais pobres, pois bastava a
candidata apresentar, além de documentos pessoais, o certificado de
conclusão do curso primário.
A preocupação de formar pessoal nesse nível era tão grande
que, em 1947, Rosaly Taborda sugeriu às enfermeiras reunidas no 1O
Congresso Brasileiro de Enfermagem da ABEn, em São Paulo, que a
formação do auxiliar de enfermagem deveria ser concluída em oito
meses, que o curso fosse realizado nos hospitais e não em escolas de
enfermagem, que o ensino fosse feito exclusivamente por enfermei-
ros e que fossem estabelecidas as atribuições dessa nova categoria de
enfermagem.
A exemplo dos enfermeiros, também os auxiliares de enferma-
gem uniram-se como classe e criaram, em maio de 1950, a União Naci-
onal dos Auxiliares de Enfermagem (UNAE), na cidade do Rio de Ja-
neiro. Posteriormente, esse nome foi modificado para União Nacional
dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (UNATE).
Todos esses fatos contribuíram para que as ações de enfermagem
no Brasil se tornassem hierarquizadas e divididas em níveis de assistên-
cia. As enfermeiras passaram a exercer cargos de chefia da equipe de
enfermagem e demais atividades assistenciais consideradas mais com-
plexas. As auxiliares de enfermagem ficaram com a execução de ativida-
des de enfermagem mais simples, porém de cuidados constantes.
2.4 Histórico da legislação básica de
Enfermagem
A Lei nº 775, de 6 de agosto de 1949, ao dispor sobre o ensino
de enfermagem, criou oficialmente o curso de auxiliar de enferma-
gem, em dezoito meses, aberto para homens e mulheres. De acordo
com a lei, a principal atividade dessa nova categoria deveria ser a de
A Escola de Enfermagem
Anna Nery foi criada em ho-
menagem a Anna Justina
Ferreira Nery, nascida na
Bahia em 13 de dezembro de
1814 e falecida aos 20 de
maio de 1880, considerada a
Patrona das enfermeiras bra-
sileiras por ter atuado como
voluntária na assistência aos
feridos durante a Guerra do
Paraguai (1864/70).
Patrona - protetora, padroeira
ou personalidade, cujo nome
deve manter vivas as tradi-
ções ou feitos heróicos da pes-
soa escolhida.
Currículo \u2013 conjunto de matéri-
as ou disciplinas estudadas
em um curso.
ABEn \u2013 Associação Brasileira
de Enfermagem, fundada em
agosto de 1926, no Rio de Ja-
neiro, atualmente com sede
em Brasília. Em 1929, conse-
guiu ser aceita como membro
do Conselho Internacional de
Enfermeiras, uma organiza-
ção internacional sediada em
Genebra, Suíça, como a pri-
meira associação da América
Latina
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 Ética Profissional
auxiliar o enfermeiro em suas atividades de assistência curativa. Não
previa, portanto, o trabalho do auxiliar de enfermagem nos serviços
de saúde pública.
Em 1959, líderes da enfermagem, através da ABEn, fizeram um
sério estudo sobre a situação e publicaram o Levantamento de Recursos e
Necessidades de Enfermagem no Brasil, que mostrou, além das enormes
diferenças existentes nos currículos dos cursos de auxiliar de enferma-
gem em todo o país, a insuficiência nos conteúdos das disciplinas, pois,
na prática, os auxiliares de enfermagem estavam executando ativida-
des mais complexas que as previstas no ensino, e na maior parte das
vezes sem supervisão ou orientação de enfermeira
O estudo também comprovou a existência de grande número de
pessoas realizando atividades de enfermagem sem título ou preparo for-
mal em curso reconhecido. Eram os atendentes de enfermagem que, na
verdade, constituíam mais da metade do pessoal que trabalhava nos ser-
viços de saúde. Embora fosse um grupo enorme, era marginalizado den-
tro da enfermagem. O preparo de atendentes de enfermagem havia sido
feito, muitas vezes, em instituições hospitalares privadas ou filantrópicas
ou através de cursos não reconhecidos pelas Secretarias de Educação.
A promulgação ou aprovação e publicação da Lei nº 4.024/61,
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em dezembro des-
se ano e em vigor a partir de 1962, foi de grande importância na regula-
mentação dos cursos na área de enfermagem, anos mais tarde. Essa lei
definiu a educação nacional em três faixas de ensino: primário, médio
(ginasial e colegial) e superior, e a necessidade de formação de técnicos
em nível colegial em qualquer ramo de atividade, como condição para
o progresso da Nação.
Com os dados obtidos no levantamento citado, a ABEn fez di-
versas recomendações ao Ministério da Educação e Cultura, que res-
pondeu ao apelo baixando a Portaria nº 106/65, para fixar normas re-
guladoras do curso de auxiliar de enfermagem, já agora com base na
LDB. Entretanto, por essa portaria o currículo deveria ser desenvolvi-
do em dois anos letivos, e incluir cinco disciplinas de cultura geral cor-
respondentes às duas primeiras séries do curso ginasial.
Em 1967, os enfermeiros conseguiram a aprovação, em caráter
experimental, da criação de um curso intensivo de auxiliar de enferma-
gem, com a redução do currículo para onze meses letivos, mas tendo
como requisito de ingresso o certificado de conclusão do curso ginasi-
al. Com isso, os alunos não teriam que estudar as cinco disciplinas do
ginásio e poderiam dedicar-se em tempo integral às matérias específi-
cas de enfermagem.
Na época, havia um movimento entre enfermeiros para criar ou-
tra categoria intermediária , a do Técnico de Enfermagem, prevista
pela própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Era uma
LDB - É a sigla utilizada para
designar a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional,
no Brasil. Fique atento e obser-
ve que, ao longo do tempo, a
legislação foi sendo
reformulada e novas edições
da LDB foram aprovadas.
131
PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
tentativa de formar um maior número de profissionais de enfermagem,
com um poder de atuação mais amplo que o do auxiliar e com capaci-
dade para substituir, em algumas situações, o profissional de nível su-
perior. Assim, em 1966, embora nem todos os profissionais da área
estivessem plenamente convencidos e de acordo, foi criado um curso
intermediário que formaria o Técnico de Enfermagem, o mais novo
membro da equipe de enfermagem.
Alguns anos depois, em 1972, o governo federal aprovou uma
nova Lei de Diretrizes e Bases, a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de
1972, sobre o ensino de 1o e 2o graus, unificando o antigo primário e
ginasial para formar o ensino de 1o grau, e o antigo colegial passou a ser
curso de 2o grau. Com isso, a LDB alterou completamente o sistema de
ensino e criou os cursos supletivos, inclusive o supletivo
profissionalizante. Essa nova legislação federal provocou a necessida-
de de adaptação da legislação do ensino de enfermagem, o que foi feito
pelas Resoluções nos 7/77 e 8/77, do Conselho Federal da Educação,
que regulamentaram o ensino de ambos os níveis de enfermagem, de-
terminando novo currículo e número de horas de estudo e estágios ne-
cessários para cada curso.
No mesmo período, a Associação Brasileira de Enfermagem
(ABEn), depois de mais de 20 anos de lutas, conseguiu a aprovação,
pelo Congresso Nacional, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973,
criando o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e os conselhos
regionais de enfermagem (COREN), em cada estado do país. Confor-
me estabelece a lei, o COFEN e os COREN \u201csão órgãos disciplinadores
do exercício da profissão de enfermeiro e das demais profissões com-
preendidas nos serviços de enfermagem\u201d.
Como órgão disciplinador, o COREN deve fiscalizar o exercício
profissional e, nele, todas as pessoas que exercem a enfermagem são
obrigadas a estar devidamente inscritas. Além dos enfermeiros, técni-
cos de enfermagem e auxiliares de enfermagem, existem outras catego-
rias