Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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grosso para identificação da bactéria nas fezes.
Para reduzir-se o risco de transmissão, faz-se importante adotar
medidas de higiene pessoal, alimentar e ambiental. No caso de surtos
da doença, as medidas de prevenção e controle devem ser intensifica-
das, procurando-se identificar as fontes de contaminação e implementar
tratamento adequado.
4.3 Doenças transmitidas por vetores
A ocorrência dessas doenças é bastante elevada em nosso país,
algumas delas endêmicas em determinadas regiões. Seu controle ainda
é um desafio tanto para os responsáveis pela vigilância epidemiológica
como para as equipes de saúde das unidades assistenciais, pois são
muitos os determinantes envolvidos na sua incidência, ganhando im-
portância especial os associados ao desequilíbrio ambiental - quase sem-
pre decorrente das intervenções do homem nas condições naturais.
A ocupação desordenada das cidades, com desmatamento de
grandes áreas verdes, poluição das águas e acúmulo de lixo em locais
sem saneamento, cria condições favoráveis à multiplicação de insetos
e ratos, animais nocivos ao homem.
A contaminação das águas com determinadas substâncias pro-
voca a extinção de predadores naturais de caramujos e larvas, facilitan-
do sua reprodução e aumentando, para o homem, o risco de exposição.
Dentre essas doenças, destacaremos algumas que merecem nossa aten-
ção especial, por sua importância coletiva e freqüência com que ocorrem.
4.3.1 Dengue
A dengue, atualmente, é considerada sério problema de saúde
pública, principalmente nos países tropicais, pois as condições do meio
ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do vetor.
A redução da transmissão da
doença ocorre pela ação con-
junta das vigilâncias
epidemiológica e sanitária.
A Constituição garante ao ci-
dadão o direito de ser assisti-
do em suas múltiplas necessi-
dades, mas este precisa estar
consciente de sua responsabi-
lidade na busca por melhores
condições de vida.
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Seu agente infeccioso é o vírus da dengue, que pode ser dos tipos
1, 2, 3 ou 4, e seu vetor é o mosquito Aedes aegypti. Após a penetração
do vírus, a doença pode manifestar-se de 3 a 15 dias, em média, de 5 a
6 dias. A presença do vírus no organismo estimula a produção de
anticorpos e o deslocamento de células de defesa. Ao ser capturado
pelos monócitos, o vírus neles se multiplica e os destrói, produzindo
alterações nos vasos sangüíneos e promovendo a destruição periférica
de plaquetas, células fundamentais para o processo de coagulação.
O diagnóstico da dengue pode ser feito clínica ou laborato-
rialmente, por meio de exames de sangue que detectam o vírus ou os
anticorpos produzidos no processo de defesa do organismo.
A doença pode apresentar-se sob as formas de dengue clássica
ou hemorrágica:
\u2013 dengue clássica \u2013 tem duração de cinco a sete dias, provocando
febre de 39°C a 40°C, cefaléia, dor muscular (mialgia), prostração,
dor nas articulações (artralgia) e na região retroorbitária (atrás dos
olhos), náuseas e vômitos. Podem ocorrer pequenas manifestações
hemorrágicas, como petéquias, epistaxe e gengivorragia;
\u2013 dengue hemorrágica \u2013 os sintomas iniciais assemelham-se aos
da dengue clássica, porém evoluem rapidamente para manifes-
tações hemorrágicas mais intensas, como sangramento
gastrintestinal (melena, hematêmese e enterorragia), além de
hepatomegalia e insuficiência circulatória.
O tratamento para a dengue consiste na administração de
antitérmicos e analgésicos, exceto os derivados do ácido acetilsalicílico
(AAS), pois oferecem o risco de causar sangramento. A hidratação oral
e/ou venosa deve ser administrada de acordo com cada caso.
Para a detecção precoce de sinais de hemorragia, alguns sinais de
alerta devem ser observados, tais como dor abdominal, vômitos,
hepatomegalia, hipotensão arterial, oligúria e letargia (sonolência). Uma
vez instalado esse quadro, é fundamental a adoção de medidas urgentes
de hidratação venosa, o que requer hospitalização.
Todo caso suspeito deve ser notificado ao serviço de vigilância
mais próximo. As ações do auxiliar de enfermagem consistem em orien-
tar a comunidade quanto à importância do saneamento básico e das
medidas de prevenção e controle, que consistem em não deixar água
parada em garrafas, pneus ou vasos de plantas, por se tratarem de locais
de proliferação do vetor.
4.3.2 Leptospirose
Doença grave, que exige severas medidas de controle, pois causa
sérios prejuízos à saúde dos indivíduos e à economia, haja vista originar
elevados custos sociais e hospitalares e exigir longo tempo de afastamento
Popularmente, a dengue é
conhecida como febre \u201cque-
bra-ossos\u201d.
Epistaxe \u2013 sangramento que
ocorre pelas narinas.
Cabe ressaltar a importância
do trabalho realizado pela
Fundação Nacional de Saúde
(Funasa), que responde pela
aplicação de medidas de
controle mais urgentes, que
consistem na destruição de
criadouros do Aedes aegypti
com a aplicação de
larvicidas.
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 Saúde Coletiva
do trabalho. Ocorre principalmente nos períodos de chuva, quando pesso-
as que moram em comunidades com saneamento precário têm suas casas
invadidas pelas águas de rios ou valas contaminadas com a bactéria.
A Leptospira interrogans, bactéria causadora da leptospirose, en-
contra-se normalmente nos rins do rato, seu reservatório natural, que a
elimina viva por meio da urina no meio ambiente \u2014 água das chuvas
ou alimentos. Outra forma de contágio é o contato direto com embala-
gens de produtos comercializados em lugares onde possa haver ratos.
A transmissão raramente ocorre de pessoa a pessoa.
A bactéria penetra no organismo pelas lesões da pele, mucosas
(da boca, nariz e olhos) ou pela pele íntegra se o período de imersão na
água for demorado. A partir daí, a L. interrogans chega à corrente
sangüínea e pode atingir o líquido cefalorraquidiano, sem causar reação
inflamatória. As manifestações clínicas importantes surgem após o au-
mento da quantidade de bactérias circulantes.
A doença pode manifestar-se no prazo de 1 a 20 dias. Seus sintomas
são febre, mal-estar geral e cefaléia, podendo aparecer ou não icterícia. A
forma anictérica (sem icterícia) afeta 60% a 70% dos casos e dura de um
até vários dias. O doente apresenta febre, dor de cabeça, dor muscular
(principalmente nas panturrilhas), falta de apetite, náuseas e vômitos. A
forma ictérica evolui para uma doença renal grave, problemas hemorrágicos,
alterações vasculares, cardíacas e pulmonares, causadas por
glicolipoproteínas e toxinas, produtos degradados da Leptospira. A icterí-
cia tem início entre o terceiro e o sétimo dia da doença.
O diagnóstico pode ser feito com base em análise clínica, com
confirmação laboratorial por meio de exame de sangue. Recomenda-se
que a pesquisa laboratorial da L. interrogans seja realizada pelo menos
em duas ocasiões: no início e após a quarta semana da doença.
Todos os casos suspeitos devem ser comunicados aos serviços
de saúde.
O controle da leptospirose exige a adoção de medidas como uti-
lização de água de boa qualidade, controle da população de roedores,
proteção aos trabalhadores expostos à urina de rato durante a execução
de suas atividades (garis, agricultores, bombeiros) e armazenamento
correto de alimentos, em locais livres de roedores. Os dejetos dos doen-
tes hospitalizados devem ser tratados com ácido bórico, antes de lan-
çados ao esgoto.
4.3.3 Malária
A malária é causada por um protozoário do gênero Plasmódio,
transmitido pelo mosquito do gênero Anopheles, que após contamina-
do permanece infectante por toda a sua existência. No Brasil, é uma
das mais importantes doenças parasitárias.
De 1985 a 1997, foram notifica-
dos no Brasil 35.403 casos da
doença.
Que cuidados devemos ter ao
beber líquidos (cerveja, refri-
gerantes, água, suco, chá)
diretamente de latas, garrafas
ou recipientes plásticos arma-
zenados em