Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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podem ser palpita-
ção, falta de ar, dor precordial, tontura, desmaios, dentre ou-
tros. Quando um doente, nessa fase, realiza exames de raios X
de tórax, geralmente o coração se revela aumentado como um
todo, o que é chamado de cardiomegalia chagásica;
\u2013 forma digestiva \u2013 caracteriza-se por alterações na motilidade e for-
ma do trato digestivo. As manifestações mais freqüentes são o au-
mento do esôfago (megaesôfago) e do cólon (megacólon). Os sinais
e sintomas do megaesôfago são: dificuldade para engolir, regurgitação,
dor epigástrica, dor torácica, soluço, excesso de salivação e emagre-
cimento; os sinais e sintomas do megacólon incluem constipação
intestinal, distensão abdominal, meteorismo e fecaloma.
O diagnóstico da doença de Chagas é feito com base em critérios clíni-
cos, sendo indispensável a realização de exames complementares que permi-
tam identificar a presença do parasita na corrente sangüínea ou de anticorpos
produzidos pela defesa do organismo. As formas crônicas são diagnosticadas
com o auxílio de exames mais específicos, como radiografias e eletrocardiogramas.
Na fase aguda, o tratamento da doença de Chagas consiste na
administração de antiparasitários, como o benzonidazol, utilizados para
reduzir a quantidade de parasitas na corrente sangüínea. Na fase crôni-
ca, é importante garantir o acompanhamento clínico das manifestações
das formas da doença de Chagas nos pacientes, diminuindo, assim, o
risco de desenvolverem complicações.
Na presença de um portador da doença de Chagas, cabe à equipe
de enfermagem monitorar as queixas do mesmo, buscando relacioná-
las às formas de apresentação da doença. Quanto antes se fizer a
detecção, melhor será o prognóstico.
A doença de Chagas é tam-
bém conhecida como
tripanossomíase americana
por ser uma parasitose exclu-
siva do continente americano.
Miocardite - inflamação do
músculo cardíaco.
O exame da gota espessa
consiste na verificação da
presença ou não de
protozoários no sangue perifé-
rico, colhido por picada na
ponta do dedo e depositado
em lâmina própria para a
realização do exame.
Meteorismo \u2013 são os sons
provenientes do tubo
gastrintestinal, devido ao
peristaltismo aumentado.
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 Saúde Coletiva
Todos os casos agudos suspeitos devem ser imediatamente noti-
ficados aos órgãos responsáveis, para orientação quanto às providên-
cias a serem tomadas, de acordo com o sistema de vigilância
epidemiológica. Segundo norma do Ministério da Saúde, os casos sus-
peitos ou confirmados de doença de Chagas em fase crônica não preci-
sam ser obrigatoriamente notificados.
É importante tentar controlar a população de insetos vetores, tanto os
triatomídeos como os de outros gêneros e espécies cuja existência tem sido
ultimamente relacionada à transmissão do Trypanosoma cruzi ao homem.
4.3.5 Esquistossomose mansônica
A esquistossomose mansônica é causada pelo parasita Schistosoma
mansoni, cujo vetor é o caramujo do gênero Biomphalaria, encontrado em
todo o Brasil e presente em águas de rios, lagos e outras fontes de água doce.
O ciclo compreende duas fases - uma dentro do caramujo; outra,
dentro do homem -, que podem ser assim resumidas: os ovos do
esquistossoma são eliminados pelas fezes do homem infectado na água
ou próximo às fontes de água doce. Na água, eles eclodem, momento em
que são liberadas as larvas, chamadas de miracídios, que infectam o
caramujo. Este, após quatro a seis semanas, torna a eliminar o parasita
sob a forma de cercária, que infectará as pessoas que tomarem banho nas
fontes de água ou que andarem descalças nas margens dessas fontes.
Após a infecção, o indivíduo demora cerca de duas a seis semanas para
manifestar os primeiros sintomas - e continuará a eliminar os ovos de
esquistossoma pelas fezes desde a quinta semana até anos após ter sido infectado.
As manifestações podem nunca ocorrer, como acontece com a
maioria dos indivíduos infectados pelo Schistosoma mansoni, ou podem
apresentar-se basicamente sob três formas:
\u2013 dermatite cercariana - acontece no período e local de introdu-
ção da cercária no organismo. Devido à reação alérgica, apre-
sentará edema, vermelhidão, erupções, prurido, podendo durar
até 5 dias após a infecção;
\u2013 esquistossomose aguda ou febre de Katayama - ocorre de três a
sete semanas após a entrada do agente infeccioso. Caracteriza-
se por febre, perda de apetite, dor abdominal e cefaléia, poden-
do haver ainda diarréia, náuseas, vômitos e tosse seca;
\u2013 esquistossomose crônica \u2013 manifesta-se, geralmente, em torno
de seis meses após a infecção É caracterizada por comprometi-
mentos, mais ou menos severos, das funções intestinais, de acor-
do com a quantidade de parasitas presentes no organismo. Va-
ria desde a queixa de diarréia com muco e sangue até o rompi-
mento de varizes do esôfago e hipertensão dos vasos do fígado,
levando à ascite. Em estágios mais avançados, pode haver com-
Eclosão \u2013 é o rompimento dos
ovos.
Doentes chagásicos - é a
denominação dada aos
indivíduos que apresentam
o tripanossoma no orga-
nismo, independentemen-
te de apresentarem ou não
a doença.
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
prometimento pulmonar, cardíaco e até mesmo cerebral, afe-
tando progressivamente as capacidades do indivíduo.
O diagnóstico da esquistossomose é feito com base em critérios
clínicos e epidemiológicos, sendo complementado com a realização de
exames, como a pesquisa de parasitas nas fezes, pelo método de Kato-
Katz. A presença de eosinofilia no hemograma realizado na fase aguda
também sugere infecção por esquistossomose.
O tratamento da esquistossomose é importante, pois reduz a carga
de parasitas nos indivíduos infectados e previne as complicações da doen-
ça. Por isso, quanto mais cedo for iniciado, melhor. Para tanto, utiliza-se
antiparasitários, preferencialmente o oxamniquine. Os cuidados de en-
fermagem são voltados para o alívio dos sintomas, principalmente a
febre e as manifestações digestivas, por meio de repouso, hidratação,
observação da aceitação da dieta e manutenção de ambiente tranqüilo.
Assim como em outras doenças cuja cronicidade pode refletir-se
em complicação do estado geral do cliente, a equipe de enfermagem
deve estar atenta a sinais de comprometimento como melena, pulso
fraco, palidez, que indicam hemorragia. Caso sejam observados, o doente
deve ser encaminhado para acompanhamento especializado e interven-
ções mais invasivas, como cura cirúrgica de varizes esofagianas.
O controle da esquistossomose exige o quanto antes investiga-
ção e diagnóstico dos casos suspeitos. As condições de saneamento das
regiões endêmicas devem ser sempre melhoradas, procurando-se dimi-
nuir a exposição do homem ao vetor através do controle da população
de caramujos pelo tratamento das águas com produtos químicos.
É importante a participação da população no debate de modos de
vida que diminuam a possibilidade de transmissão do parasita, tais como a
construção de fossas e sanitários longe de fontes de água doce consumível.
4.4 Doenças causadas por ectoparasitas
Embora não sejam de notificação compulsória, a escabiose e a
pediculose são doenças transmissíveis que ganham destaque pela freqüên-
cia com que acometem grandes grupos de pessoas, determinando, assim, a
necessidade de intervenção e de prestação de assistência e cuidados.
Geralmente, ocorrem por inadequadas condições de higiene, pre-
sentes em ambientes com condições sanitárias ou de higiene pessoal
desfavoráveis.
4.4.1 Escabiose
A escabiose, também conhecida como sarna, é uma doença mui-
to comum em ambientes onde as pessoas convivem aglomeradas, nos
quais é difícil controlar as condições de higiene.
Eosinofilia \u2013 é o aumento anor-
mal da quantidade de
eosinófilos (tipo de células
brancas ou leucócitos) na cor-
rente sangüínea.
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 Saúde Coletiva
É causada por um microrganismo chamado Sarcoptes scabei, que,