Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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adstrita \u2013 tal enfoque permite um planejamento
mais adequado das atividades;
\u2013 formação de equipe interdisciplinar adequada ao número de
clientes assistidos, com a incorporação do agente comunitário
de saúde.
7.1. A implantação do Programa
Saúde da Família (PSF)
Até o final do ano
2000, cerca de 3.100 mu-
nicípios brasileiros tinham
o PSF implantado, com
10.400 equipes atuando
junto a aproximadamente
35 milhões de cidadãos.
Para 2002, o Ministério da
Saúde almeja que o PSF
atenda às necessidades de
saúde de 69 milhões de
brasileiros, com 20.000
equipes. Os governos e
prefeituras recebem in-
centivos financeiros para o desenvolvimento das atividades vol-
tadas para a atenção básica e, de acordo com a legislação mais
recente, tornam-se os grandes responsáveis pelo desenvolvimento
das mesmas14 .
As unidades de saúde da família devem caracterizar-se como porta
de entrada dos usuários para os serviços de saúde. Não devem servir
apenas para a triagem e encaminhamento dos clientes, mas sim desen-
volver atividades de assistência que atendam aos problemas mais co-
muns da população. Dessa forma, a unidade de saúde funcionaria como
um \u201cfunil\u201d, dando conta de aproximadamente 85% da demanda exigida
pela clientela15 .
Uma etapa importante, que deve ser realizada, consiste na aber-
tura de espaços de discussão e negociação entre gestores e represen-
tantes da comunidade (Conselhos de Saúde, associações de bairro, etc.)
que se pretende assistir, ocasião em que se debaterá a importância do
programa, seus objetivos e propostas.
Além disso, a definição conjunta das prioridades reforça o objeti-
vo do PSF de promover o desenvolvimento integral da comunidade
A implantação dessa estraté-
gia já conseguiu, em muitos
municípios, reduzir os índices
de mortalidade infantil e dimi-
nuir o número de mortes por
doenças de cura simples e
conhecida, além de reduzir as
filas nos hospitais da rede
pública e conveniada com o
SUS.
Cada equipe de saúde da
família deve atender entre 600
a 1.000 famílias ou, no máxi-
mo, 4.500 habitantes. Cada
agente comunitário de saúde
deve atender entre 20 a 250
famílias.
14 Ministério da Saúde, 2001.
15 Ministério da Saúde, 2000.
Área territorial \u2013 é a extensão
de região geográfica delimi-
tada, podendo ser uma co-
munidade, um bairro ou uma
região administrativa, por
exemplo.
População adstrita \u2013 é a po-
pulação residente em uma
área territorial, sob a respon-
sabilidade sanitária de deter-
minada equipe do PSF. Deve
ser definida pela quantidade
de pessoas por unidade de
saúde, considerando-se as
condições de vida e saúde da
população.
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
assistida e permite o exercício do controle social - princípio do SUS
que prevê a participação da comunidade no planejamento das ações
de saúde para ela direcionadas. Tal estratégia torna mais fácil o acer-
tar, uma vez que a programação das ações elaboradas situa-se cada
vez mais próxima das necessidades da população. Dessa forma, o
mecanismo de controle social é fortalecido pela inserção dos repre-
sentantes da comunidade nos Conselhos de Saúde (municipais e lo-
cais), estando em condições de contribuir mais efetivamente na for-
mulação de políticas nessa área.
Após implantada, a equipe do PSF inicia suas atividades com o
cadastramento da clientela, processo que permite a criação de vínculos
entre as equipes e as famílias, a identificação dos fatores relacionados
às condições de saúde local e do âmbito onde as suas ações e de outros
setores - como habitação e saneamento - serão necessárias. Assim, faz-
se necessário utilizar, para cada família, uma ficha de cadastro conten-
do as seguintes informações:
\u2013 dados demográficos \u2013 nome, data de nascimento, idade e sexo.
No início da ficha encontram-se os campos para preenchimen-
to do endereço, fundamental para que a equipe se organize no
planejamento dos segmentos territoriais a assistir;
\u2013 dados socioeconômicos - escolaridade, ocupação, meios de
transporte utilizados;
\u2013 dados socioculturais - religião, meios de comunicação utiliza-
dos, participação em grupos comunitários;
\u2013 dados sobre o meio ambiente - sistema de coleta de lixo, fonte
de água para consumo, tipo de casa, tratamento de água no do-
micílio, destino de dejetos;
\u2013 dados de morbidade - presença de indivíduos portadores de doen-
ças ou condições especiais, serviços utilizados em caso de do-
ença, aquisição de plano de saúde.
O resultado final das informações coletadas no período de
cadastramento é denominado diagnóstico de vida e saúde das comuni-
dades, pois permite conhecer os problemas que serão prioridades. Esse
diagnóstico deve ser construído por toda a equipe, em conjunto com as
famílias, permitindo a detecção de fatores de risco que determinarão a
prioridade de intervenção das equipes, através da elaboração de um
plano local para seu enfrentamento.
Diante desse plano, a equipe elabora seu processo de trabalho
construído com objetivos acordes com as necessidades da comunidade
e as possibilidades da própria equipe.
O cadastramento possibilitará a alimentação do banco de dados
criado exclusivamente para armazenar informações sobre a atenção bá-
sica: o Sistema de Informações sobre Ações Básicas (SIAB) - utilizado
Geralmente, estabelecem-se
como prioridades alguns gru-
pos populacionais, como
crianças com idade inferior a
dois anos, gestantes, portado-
res de tuberculose ou
hanseníase, indivíduos
hipertensos e diabéticos.
A implantação dessa estraté-
gia já conseguiu, em muitos
municípios, reduzir os índices
de mortalidade infantil e dimi-
nuir o número de mortes por
doenças de cura simples e
conhecida, além de reduzir as
filas nos hospitais da rede pú-
blica e conveniada com o SUS.
Quando não existe a unidade
básica de saúde, muitas ve-
zes as equipes de saúde da
família atuam em espaços
alternativos da própria comu-
nidade, como as associações
de moradores.
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 Saúde Coletiva
para avaliar os resultados obtidos com o desenvolvimento de ativida-
des das equipes do PSF e estudar as características das pessoas, dos
domicílios e das condições de saneamento em que vivem as famílias
sob responsabilidade das equipes (Ministério da Saúde, 2000). A avali-
ação das atividades do programa considera, ainda, os indicadores de
saúde produzidos, o alcance das metas programadas, a satisfação da
equipe de saúde da família e dos usuários e alterações efetivas no mo-
delo assistencial.
7.2 O papel dos profissionais do PSF
Geralmente, as equi-
pes de saúde da família são
constituídas por, no míni-
mo, um médico, um enfer-
meiro, um auxiliar de en-
fermagem e quatro a seis
agentes comunitários de
saúde, sendo formadas por
meio de processo de sele-
ção variável em cada mu-
nicípio. No mais das vezes,
a capacitação é promovida
pelos pólos de capacitação,
criados com o objetivo de
preparar profissionais para trabalhar na perspectiva da promoção
da saúde, em equipe e com preocupações integrais, coletivas e so-
ciais. A capacitação dos mesmos é fundamental para que sejam de-
senvolvidas \u201cações humanizadas, tecnicamente competentes e
intersetorialmente articuladas\u201d, viabilizadas através do preparo dos
profissionais em lidar com situações adversas presentes no cotidia-
no das ações das equipes de saúde da família16 .
O médico (se possível, generalista) e o enfermeiro, em equipe e
individualmente, atendem às famílias e desenvolvem atividades de pro-
moção da saúde e prevenção de doenças através da consulta e do acom-
panhamento domiciliar, entre outros procedimentos. Suas ações de-
vem ser de caráter integral.
Na unidade de saúde e no domicílio, o auxiliar de enfermagem
realiza procedimentos de sua competência, bem como fornece orienta-
ção sanitária nos espaços comunitários. Suas atribuições17 são:
\u2013 participar do planejamento e organização das atividades a se-
rem desenvolvidas