Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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e discutir a forma como a equipe desenvol-
verá o trabalho;16 Ministério da Saúde, 2000.17 Ministério da Saúde, 1997.
Uma das maiores dificulda-
des para compor as equipes
de saúde da família é o pe-
queno quantitativo de profissi-
onais de saúde com perfil de
atuação relacionado às práti-
cas de saúde da família, de-
corrente da ausência de dis-
cussão do paradigma da
promoção da saúde nos cur-
sos de nível técnico, gradua-
ção e pós-graduação.
Pólos de capacitação \u2013 é a
articulação, entre instituições
de saúde e ensino (Universi-
dades e Secretarias Munici-
pais e Estaduais de Saúde),
que conta com recursos finan-
ceiros do Ministério da Saúde
para o desenvolvimento de
recursos humanos destinados
ao PSF.
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\u2013 desenvolver, com os agentes comunitários de saúde, atividades
de identificação de famílias cujos componentes estão expostos
a riscos à saúde;
\u2013 realizar visitas domiciliares, junto com o agente comunitário de
saúde;
\u2013 acompanhar a consulta de enfermagem dos indivíduos, au-
xiliando o enfermeiro na identificação dos problemas, vi-
sando garantir o melhor monitoramento das condições do
cliente;
\u2013 executar procedimentos de vigilância sanitária e epidemiológica
nas áreas de atenção à saúde dos indivíduos (crianças, mulhe-
res, idosos, trabalhadores, adolescentes, portadores de doenças
transmissíveis ou crônico-degenerativas, etc.), de acordo com
as prioridades estabelecidas em conjunto pela equipe do PSF e
comunidade.
O agente comunitário de saúde é o elo entre as famílias e o
serviço de saúde, realizando orientação de práticas mais saudáveis
para a vida das famílias e visitas domiciliares, sendo supervisionado
por toda a equipe. Uma de suas atribuições é mapear a área e cadas-
trar a população adstrita. Outra importante atribuição é orientar as
famílias para a utilização adequada dos serviços de saúde disponí-
veis, bem como estimular sua participação nos debates para o pla-
nejamento de ações.
7.3 As práticas de trabalho da
equipe do PSF
Dentro da proposta de reorganização das práticas de
assistência que orienta o PSF, novos e antigos instrumentos
de trabalho foram incorporados para proporcionar melhor
execução das atividades e facilitar o alcance dos objetivos de
promoção da saúde. Além da consulta médica e de enfermagem
individual, também é comum a realização de consultas conjun-
tas, com mais de um profissional atendendo o cliente, visita
domiciliar e formação de grupos.
Dessa maneira, a visita domiciliar garante o vínculo
e o acesso da equipe de saúde ao contexto familiar e so-
cial dos assistidos e destaca-se como uma atividade que
permite acompanhar regularmente a saúde da família, pres-
tar ou supervisionar cuidados e identificar, no domicílio e nas dinâ-
micas e relacionamentos do grupo familiar, os fatores que poderão
auxiliar na determinação do processo saúde-doença. A visita domi-
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 Saúde Coletiva
ciliar reúne um conjunto de ações de saúde voltadas para aspectos
educativos e assistenciais, devendo ser planejada de acordo com as
necessidades de cada família18 .
Durante sua realização, a equipe do PSF consegue observar e
identificar hábitos de vida que devem ser discutidos, estimulados ou
desaconselhados, favorecendo a manutenção da saúde dos integrantes
da família assistida.
Outra atividade da equipe de saúde de família é a internação
domiciliar. A adoção desse procedimento reduziu o número de
internações hospitalares entre os habitantes de áreas assistidas pe-
las equipes do PSF, embora não substitua a internação hospitalar.
Para que a internação domiciliar seja a atividade de escolha, faz-se
necessário considerar as condições clínicas dos clientes e a garantia
da assistência pela equipe.
O principal objetivo dessa atividade é proporcionar a humanização
do cuidado, a proximidade com a família e garantir o conforto ao paciente,
diante de uma condição que, adequadamente monitorizada, pode ser per-
feitamente acompanhada no ambiente do domicílio19 .
Prática de grande impacto sobre a saúde da comunidade é a for-
mação de grupos homogêneos, reunidos nos espaços comunitários ou
da própria unidade de saúde, de acordo com os recursos físicos dispo-
níveis. Os grupos são excelentes oportunidades para que a equipe de
saúde atue de forma interdisciplinar, valorizando a participação de cada
profissional na condução do processo de discussão de determinada con-
dição de saúde - como a gestação, por exemplo. Tal prática faz com que
a participação dos moradores cresça e que estes busquem, em conjun-
to, soluções para problemas comuns, como a realização coletiva de
exercícios por um grupo de idosos sedentários. Conseqüentemente, pro-
move-se o desenvolvimento comunitário.
8- DOENÇAS SEXUALMENTE
TRANSMISSÍVEIS E AIDS
As DSTs encontram-se amplamente disseminadas,
exigindo do poder público iniciativas que levem ao seu con-
trole. Para tanto, faz-se necessário estruturar os serviços de
saúde de modo a que possam prestar adequada assistência aos
portadores desses agravos, e principalmente envolver seus pro-
fissionais na execução de atividades ligadas à prevenção da
transmissão e do contágio.18 Mattos, 1995.
19 Ministério da Saúde, 1997.
O trabalho da equipe de saú-
de da família processa-se
com base nas ações básicas
já definidas nos demais pro-
gramas do Ministério da Saú-
de. O que o torna diferente é o
caráter integral destas ações,
uma vez que enfoca a família.
Num primeiro momento, os
reflexos produzidos com a
implantação do PSF são de
um aumento da demanda de
atendimento nas unidades de
referência, pois é como se as
equipes \u201cdescobrissem\u201d de-
mandas reprimidas entre os
clientes. Com o passar do
tempo e a adoção de uma
abordagem coletiva eficiente
pela equipe do PSF, a tendên-
cia é diminuição desta de-
manda.
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Atualmente, cerca de 45 milhões de indivíduos estão infectados
com o HIV, o vírus da imunodeficiência humana, causador da mais
preocupante das DSTs: a síndrome da imunodeficiência adquirida,
conhecida como SIDA ou Aids (sigla inglesa), considerada uma
pandemia.
8.1 AIDS/SIDA
A Aids é uma síndrome caracterizada pela diminuição da respos-
ta imunológica do organismo a agentes patogênicos, causando uma sé-
rie de doenças chamadas de oportunistas, porque não se manifestam
em indivíduos com defesas normais.
O indivíduo pode contrair o HIV em relações sexuais
desprotegidas (oral, anal, vaginal), exposição sangüínea (acidentes de
trabalho com material biológico, transfusão, uso de drogas injetáveis
com seringas e agulhas compartilhadas), durante o parto ou pela
amamentação.
As manifestações iniciais da Aids são febre, mal-estar geral, au-
mento de gânglios, perda de peso, lesões na cavidade oral ou no esôfago,
sudorese intensa, diarréia, entre outros. Como esses sintomas estão pre-
sentes em muitas outras doenças, o cliente deve ser submetido a exa-
mes específicos para o diagnóstico da Aids.
Para a detecção do HIV, é necessária a coleta de material sangüíneo
para a realização de testes específicos. Quem deseja fazer o teste anti-
HIV deve receber aconselhamento oportuno, podendo dirigir-se a uma
unidade de saúde ou a um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).
O CTA realiza o teste anti-HIV mantendo a privacidade do cliente: um
número lhe é fornecido, por meio do qual pode solicitar o resultado
(Anexo II).
Nos CTAs, assim como nas unidades de saúde preparadas para
prestar assistência aos portadores do HIV, é possível encontrar uma
estrutura que favoreça a composição de grupos de integração entre os
clientes, espaços onde ocorrem discussões sobre suas dúvidas em rela-
ção à doença e tratamento.
O atual tratamento da Aids aumentou a sobrevida dos pacientes,
proporcionando-lhes melhor qualidade de vida. Hoje, são utilizados
medicamento anti-retrovirais, que se encontram à disposição